sexta-feira, 3 de agosto de 2018 15:44

Revistas velhas

Eu cresci lendo revistas. Acho que muitos de vocês, leitores, também gostavam de revistas (semanais ou mensais). Olhando para o mundo de hoje, em que a informação vem pelo celular, parece até antiquado falar nelas.

Algumas publicações se tornaram digitais, abandonando a versão impressa. Mas estou falando da revista que buscávamos na banca. Em casa folheávamos avidamente, sentindo o cheiro do papel e da tinta. Essas, definitivamente, estão acabando. Aliás, a imprensa escrita está sofrendo.

O jornal Zero Hora, por exemplo, que já teve 250.000 exemplares diários, hoje não passa de 75.000. O Globo, do Rio, de 400.000, hoje tem 120.000. O grande impacto, porém, ocorreu com as revistas. A revista Veja já teve tiragem de 1,2 milhão de exemplares. Hoje está com 300.000, e caindo. A editora Abril já foi a maior da América. Na semana passada vendeu seu controle acionário.

Muitas revistas simplesmente desapareceram. Quem não lembra, só para dar alguns exemplos, da "Placar" e da "Manchete"? Quando garoto, eu gostava tanto que fazia coleções de algumas delas. Acho que agora estou virando um saudosista.

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Uma coisa que sempre me intrigou. Por que as revistas de consultórios médicos são sempre velhas? Será que os médicos são mesquinhos e só levam para o consultório aquelas velharias que têm em casa?

Pois saiba que este é um fenômeno mundial. A Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, estava meio sem ter o que fazer, e decidiu realizar uma pesquisa a respeito. Colocaram diversos tipos de revistas (87 no total) em consultórios e, após algum tempo, foram verificar o que tinha ocorrido. A conclusão é interessante. As revistas de fofocas desapareceram (ou seja, foram furtadas pelos clientes). Das revistas de leituras e notícias (The Economist ou National Geographic) poucas desapareceram. O estudo chegou a ser publicado, como curiosidade, numa revista de ciência médica.

O resultado, se é que serve para alguma coisa, pode trazer as seguintes conclusões: (A) revista de fofocas desaparece; (B) leituras "pesadas" permanecem; e (C) ter wi-fi no consultório ajuda muito nos dias de hoje.

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Falando em coisas velhas, a eleição que se aproxima já está mostrando que, na política, coisa velha funciona. Não estou falando de político idoso, e sim das práticas políticas do Brasil, muito velhas, e das estratégias que acabam estabelecendo as coligações.

Vai ter candidato comprando siglas, comprando eleitores, comprando apoio de outros políticos. Em síntese, os representantes da velha e podre política brasileira continuarão nos palanques. Por isso, quase nada de novo aparecerá na próxima eleição. Não vamos nos iludir. Mas isso não significa que o nosso voto não tenha importância. Tem muita importância, sim.

Antes de votar, faz-se necessária após profunda reflexão. Especialmente precisamos perceber que a grande maioria dos congressistas, embora eleita pelo povo, age contra os interesses do povo. Na prática, atuam para defender a própria elite que os financia. É uma questão estrutural que nos acompanha desde o Império. A esfera política é vista como algo que pertence às elites corruptas. O povão deve ficar bem distante para que não perceba o que realmente acontece. Essa velha prática é que distancia as coisas públicas do, digamos, público propriamente dito.

Por tudo isso, seu voto é importante. Talvez jamais tenha sido tão importante. Pense bem no que irá fazer com ele no próximo pleito.

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