sexta-feira, 24 de março de 2017 15:15

Será?

Foi só a imprensa fazer um carnaval sobre a carne que consumimos, presumidamente estragada ou contaminada, para ressurgir, nas rodas de conversas, um assunto que parecia esquecido. A “descoberta” ressuscitou o debate.
Trata-se da economia-formiga, aquela exercida por pequenos agricultores, mascates, feirantes, e outras pessoas que trabalham no limite da informalidade, e que são milhões no país. É um mercado enorme que vem sendo atacado impiedosamente sob o argumento de risco à “saúde pública”, além do controle estatal em busca de taxas, impostos e outras arrecadações. Há controvérsias, meus amigos!
Será que o açougueiro do bairro (figura hoje em extinção) seria capaz de fornecer um frango ou uma costela estragada ao seu vizinho?
Será que o milho verde ou a abobrinha comprada do carroceiro tem o mesmo nível de toxidade dos alimentos transgênicos da gôndola do supermercado?
Será que o pastel ou a carne congelada que encontrávamos no Mercado Público de Santa Rosa são capazes de colocar em risco a saúde pública?
Será que o pequeno agropecuarista, que abate uma vaca eventualmente, seria capaz de entregar alimento de má qualidade aos seus parentes e amigos?
Será que a linguiça do churrasco, a rapadura, a copa, o vinho, o suco de frutas e outros alimentos caseiros, consumidos desde o princípio da nossa colonização, são tão perigosos?
Será que as galinhas criadas nos pátios dos pequenos agricultores estão formando organizações criminosas, capazes de produzir ovos contaminados para os consumidores da cidade?
Dá o que pensar, não dá?
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Mudando de assunto. Há meses o governo vem tentando impedir a divulgação da famosa “lista do trabalho escravo”, que existe há muitos anos e é atualizada periodicamente. Nela, constam empresas flagradas em exploração selvagem de trabalhadores (até crianças).
Na última quarta-feira a Câmara aprovou a terceirização integral de mão-de-obra, incluindo o setor público.
Pensando bem, ambos os fatos estão relacionados. Refletem apenas o que os atuais governantes pensam sobre o mercado e as relações de trabalho. Não dá pra negar que eles são coerentes.
Com isso, acabamos de retroceder à década de 1940, época em que surgiu a CLT. Em breve, estaremos sentindo saudades de um cara chamado Getúlio Dornelles Vargas.
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Falando em atraso, você já reparou que estão entregando o pré-sal brasileiro em fatias? A cada semana uma parte é leiloada. Logo o Brasil terá entregue todo o seu patrimônio oriundo do petróleo.
E pensar que, pouco tempo atrás, discutíamos o destino dessa riqueza. O debate era sobre qual percentual seria destinado à saúde e à educação. Eram milhões de barris de petróleo que resultariam em bilhões de dólares para o Brasil.
Pois é. Acabou.

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