sábado, 28 de abril de 2018 08:58

Sinais de inteligência

Em recente viagem pela Argentina descobri, com satisfação, que o país vizinho praticamente eliminou as sacolas plásticas, estas que são usadas em lojas e supermercados. Num bazar, onde entrei para comprar um CD de música, recebi o objeto num pequeno saco de papel, que lembra aquele papel que usamos para embrulhar pão. Os supermercados também eliminaram as sacolas plásticas.

Concluí que há vida inteligente na Argentina.

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Aqui no Brasil o Senado aprovou em comissão (ainda não no plenário) a retirada gradativa do plástico na composição de pratos, copos, bandejas e talheres descartáveis. A eliminação total se dará no prazo de 10 anos.

O projeto é de Rose de Freitas (PMDB-ES) e é baseado na comprovação de que esse material sempre vai parar nos rios, lagos e oceanos.

Para ilustrar a questão, recente pesquisa revelou que estamos ingerindo partículas invisíveis de plástico na água e em alimentos. A ciência ainda não sabe o que acontece com essas partículas no nosso sangue. Coisa boa não deve ser...

Há iniciativas de substituição do plástico em diversos países. Nos EUA (que ainda não tem legislação a respeito) calcula-se que são produzidos, e colocados no mercado, 500 milhões de canudinhos de plástico por dia!

O projeto brasileiro é um avanço. Um sinal de inteligência.

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Por outro lado, continua em debate, também no Congresso, o projeto de lei que retira a informação, ao consumidor, da existência de produtos transgênicos nas embalagens de produtos industrializados, quando estes contiverem até 1% dessa origem.

Entidades de defesa do consumidor se opõem porque isso ofende o direito à informação. Ou seja, quem deve decidir sobre o produto a ser ingerido é o consumidor, por isso ele tem direito a ser bem informado.

O projeto é do deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS) e prevê que o uso da transgenia deverá ser comprovada em laboratório. Ora, a questão é simples. Em alimentos processados ou ultraprocessados os componentes transgênicos raramente são detectados. Sobra para o nosso intestino.

Esclarecendo: atualmente as embalagens trazem a letra "T" dentro de um pequeno triângulo amarelo. É esta informação que pretendem eliminar.

No caso, parece um caso de falta de inteligência.

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Outra curiosidade preocupante. Por lei, os fornecedores de água à população (empresas ou governos) devem repassar ao Governo Federal, semestralmente, informações sobre testes feitos na água envolvendo 27 tipos de agrotóxicos. Mas acontece que 67% dos municípios não enviam as informações. E alguns as fornecem de forma incompleta ou inadequada. Alguns venenos já proibidos no Brasil persistem nos lençóis, e são encontrados na água décadas mais tarde.

Resumo da conversa: o Brasil não conhece a qualidade da sua água.

Como somos o país que mais consome agrotóxicos no mundo, há sérias suspeitas de que estamos bebendo água com agrotóxicos. Em diversas regiões isso já foi comprovado.

Será isso sinal de inteligência?

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