HomeAgricultura sexta-feira, 9 de março de 2018 15:05

Agricultores estão ganhando dinheiro com produção de uva

O que vem chamando sua atenção é o crescimento de áreas para o plantio de parreirais, o lucro elevado e perene das últimas safras de uva e a presença de três agroindústrias de vinhos e sucos devidamente legalizadas.

O engenheiro agrônomo Gilmar Francisco Vione, vinculado ao Escritório Regional da Emater sediado em Santa Rosa e com abrangência em 44 municípios das microrregiões Fronteira Noroeste e Missões, é o assistente técnico regional na área da fruticultura.

O que vem chamando sua atenção é o crescimento de áreas para o plantio de parreirais, o lucro elevado e perene das últimas safras de uva e a presença de três agroindústrias de vinhos e sucos devidamente legalizadas. A uva produzida na região tem dois destinos, um para a indústria e outro para consumo in natura.

A produção de uva in natura é expressivamente superior. Os municípios maiores produtores, pela ordem, são Tucunduva (17 hectares), Tuparendi (15,1 ha), Santo Cristo (12), Salvador das Missões (08), Porto Mauá e Alecrim (06) e Santa Rosa (05). Gilmar explica porque a chamada uva de mesa tem maior produção: “primeiro aspecto que deve ser levado em conta é que a nossa uva é colhida cerca de um mês, e algumas variedades até 45 dias, antes da safra da Serra Gaúcha. Isso permite que a nossa uva saia dos parreirais e tenha uma comercialização rápida e com preço melhor porque tem pouca oferta nesta época”.

Neste ano os produtores cobraram em média R$ 5,00 o kg de uva na venda direta ao consumidor. O preço sofreu queda quando a venda foi direta para os supermercados, mas, neste caso, há a compensação de grandes volumes. Gilmar diz que a produção média por hectare da uva de mesa é de 12 mil quilos. Porém, a produção plena só é alcançada após cinco anos de manejo da cultura. “Um hectare gera R$ 60 mil brutos, contra R$ 3,3 mil de um hectare de soja com média de 50 sacas”, compara o técnico.

Se os resultados são tão imensamente expressivos, porque a área plantada de parreirais não cresce ainda mais em municípios como Santa Rosa, que ocupa a última colocação entre os maiores? Gilmar Vione responde: “uma das causas é falta de mão de obra especializada, e quase todas as etapas são manuais, como plantio, podas e colheita. Já na soja, todos os processos são mecanizados e o lucro vem na escala maior de produção”. Na maioria dos municípios os produtores definem uma pequena área para parreirais, suficiente para que eles e a família consigam dar conta.

A uva vem criando a figura do empresário do campo. Em Santo Cristo, por exemplo, dois produtores (Rolador Alto e Bom Princípio Alto) cultivam seis hectares, em média, cada um deles. Para cuidar de tamanha área, eles contratam funcionários de acordo com o estágio da cultura.

A uva industrial, exclusiva para a produção de vinhos e sucos, tem Entre-Ijuís como maior produtor (10 hectares). Seguem os municípios de Três de Maio (8 ha), Maurício Cardoso (5), Independência (4), Guarani das Missões (3,6) e Santa Rosa (2 ha). As três agroindústrias estão instaladas em Entre-Ijuís, Tucunduva e Maurício Cardoso (geleia).

Gilmar Vione diz que em Santa Rosa as maiores produções de uva estão concentradas em Lajeado Grande, Lajeado Ipê e na Linha Sete de Setembro. “Mas, pequenos parreirais estão distribuídos em vários pontos do interior”, conclui.

De forma resumida, 55 famílias se envolvem diretamente na produção de uva de indústria e outras 193 na uva de mesa (in natura).

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