HomeAgricultura quarta-feira, 3 de maio de 2017 07:35

Uso de agente de controle biológico aumenta rentabilidade da cultura do milho

Pesquisas realizadas na SETREM mostram benefícios financeiros e ambientais do uso desta tecnologia limpa.

Desenvolver estudos que apontem caminhos para a união de rentabilidade e responsabilidade ambiental no campo está entre as ações que integram as atividades da pesquisa, ensino e extensão da Sociedade Educacional Três de Maio - SETREM. Com forte tradição na área rural através do Curso Técnico em Agropecuária (CTA) e do Bacharelado em Agronomia, que dispõem de Área Experimental e Escola Fazenda para testagem de novas tecnologias, importantes resultados vêm sendo obtidos em diversas áreas. Dentre elas, destaque especial para o uso de agente de controle biológico na cultura do milho, estudo iniciado há mais de três anos e com resultados tão significativos que deram origem a um novo projeto: a implantação de uma biofábrica junto à Instituição.

Uma das pesquisadoras envolvidas no projeto é Cinei Riffel, engenheira agrônoma e doutora em fitossanidade, com estudos contínuos na área de entomologia e controle biológico. Ela participou de treinamento específico nesta área junto à Embrapa Milho e Sorgo, em uma parceria viabilizada pelo engenheiro agrônomo e pesquisador de controle biológico de pragas agrícolas, predadores e parasitoides, Dr. Ivan Cruz. Segundo Cinei, a preocupação da SETREM com questões ligadas ao meio ambiente, aliadas ao interesse pela área, fomentaram os avanços nestas pesquisas. “Usar as chamadas vespas (Trichogramma), agentes de controle biológico, representa levar ao campo tecnologias limpas, que não vão prejudicar o ambiente. Assim, estamos comprometidos com a saúde do agricultor e do consumidor, muito expostos a alimentos contaminados por produtos químicos”, explica.

Apontada como uma das regiões de maior uso/consumo de agrotóxicos em todo o Brasil, a região Noroeste também é uma das primeiras a avançar nessas possibilidades alternativas de manejo de pragas. Marcos Caraffa, coordenador da Agronomia da SETREM, destaca que a tecnologia do uso de controle biológico de pragas no milho já existe há algum tempo, e que dentro da Instituição são desenvolvidas pesquisas há mais de três anos focadas em identificar a melhor forma de utilizá-la na região. “Através das pesquisas comprovamos que o uso da vespa em cultura de milho tradicional para controle de insetos danosos, como a lagarta do cartucho do milho (Spodoptera frugiperda), aumenta a rentabilidade em comparação às áreas de milho transgênico ou de milho convencional com uso de inseticidas”, detalha. Caraffa complementa: “A rentabilidade extra, originária do menor custo de produção, pode ser investida em outras ações, como na ampliação das fontes de nutrição para a planta através da aplicação de mais adubo na lavoura”.

 

O funcionamento da tecnologia

O controle biológico da lagarta do cartucho do milho ocorre através da liberação de um grande número de vespas em uma lavoura de milho que tenha sido atacada pela praga. A sua atuação é semelhante à de um inseticida sintético, controlando rapidamente a praga. “Essa vespa é inofensiva ao ser humano, pois é um inseto que se desenvolve dentro de outro inseto e só assim sobrevive. As fêmeas da vespa colocam seus ovos no interior dos ovos da lagarta e, ao invés de nascer uma lagarta, emerge um adulto da vespa. Caso a área não tenha ovos destas lagartas, a vespa não encontrará o seu hospedeiro e a liberação não controlará a praga. Ou seja, se não tem lagarta, não tem vespa. O uso da vespa corta o ciclo da praga, assim como a praga corta o ciclo de seu inimigo natural ao não existir mais, pois a longevidade da vespa é de cerca de cinco dias em condições de campo”, detalha Cinei.

 

Estudos confirmam melhor relação custo-benefício

Um trabalho de conclusão de curso específico na área realizado na SETREM por acadêmicos de Agronomia, comparando o controle de pragas com uso da vespa, inseticida e com transgênico, apontou que a melhor relação custo-benefício ocorre com o uso da vespa. “Outros trabalhos também foram realizados, como uma pesquisa estudando 54 genótipos de milho em que foi utilizada a tecnologia das vespas. A média do experimento fechou com produção acima de 200 sacas de milho por hectare. Dentre os 54 genótipos, havia milho transgênicos, convencional e de polinização aberta”, relata Caraffa. Os resultados obtidos fazem com que a área de milho convencional cultivada com uso do agente biológico seja todos os anos ampliada na Escola Fazenda da SETREM.

 

Implantação de biofábrica

Os resultados ambientais e econômicos positivos apontados nas pesquisas desencadearam um novo projeto para facilitar o acesso dos produtores rurais a esta tecnologia. A criação do Laboratório de Agentes de Controle Biológico SETREM (LACOBIOS). “Atualmente, é preciso adquirir a vespa de outros fornecedores, mas o transporte em longas distâncias não é recomendado, pois pode reduzir a qualidade do material. Então, estamos buscando a implantação deste laboratório de criação de insetos para baratear o custo da aquisição e melhorar a qualidade desses insetos, fazendo com que o produtor tenha esta tecnologia e barata e limpa à sua disposição, próxima a ele”, conclui Cinei.

Faça seu comentário