HomeArtigos sexta-feira, 19 de dezembro de 2014 15:30

Então é Natal!

Artigo da psicóloga Tereza Guberovich.

Conhecida música popular brasileira lança uma questão: “então é Natal. E o que você fez?” uma pergunta que todos se fazem em algum momento nesse período.
As pessoas mesmo torturadas pela questão lançada em alto e bom som, não conseguem dar a volta, e permanecem aflitas no propósito de perambular pelas lojas. Nesse contexto, em alguma medida mesmo no meio da multidão a pessoa se sente só. Com a passagem do ano e a perspectiva de transformação, com as emoções à flor da pele tudo se torna mais complicado. Alguns não conseguem ver onde estão os motivos para tanta alegria. Como o Natal é um evento que marca um período que deve ser de alegria e confraternização se torna um peso para quem não consegue entrar no “clima natalino”. Que contradição!
Todo final de ano é marcado por momentos de reflexão e ao se voltar para as vivências não há como escapar da angústia. Podem ser pequenas crises, mas sempre associadas a algo que causa desconforto. A passagem do tempo está diretamente associadaa sensação de que nunca se fez o suficiente. O que todo mundo diz nesse período: “Seja feliz” pode nos colocar numa condição de rever nossos atos. Como ser feliz? Se passei o ano lutando contra as mazelas da vida? A felicidade não é mais interna, a calma vivência de um momento de alegria. Há uma inversão de valores, somos felizes se conseguirmos adquirir o máximo de coisas materiais. Nos objetos está a verdadeira felicidade? A resposta é: Não! Pelo menos não deveria ser nos objetos que podemos ou não comprar.
Algumas crises que levam a instabilidade são consideradas normais e necessárias. Cada um vai construir expectativas de acordo com suas vivências, e nessa perspectiva de transformação comparece a forma como ela encara a vida e como lida com as frustrações e perdas ao longo do caminho percorrido. A história pessoal determina o nível de angústia ou desprendimento na passagem do tempo. Então, uma pessoa mais instável emocionalmente poderá sofrer mais nesse momento do ano que outras mais equilibradas. A movimentação das pessoas em torno das compras, uma verdadeira corrida às lojas também causa uma grande inquietação e irritabilidade. Nunca, mas nunca mesmo devemos criar expectativas irrealizáveis para promover o sofrimento às nossas vivencias futuras. Tudo que é possível de ser realizado acalma, e tem maiores chances de trazer tranquilidade para o dia a dia. De um lado chegamos a um momento de festa, alegria, comemorações, e de outro lado a angustia, inquietação e a depressão. Dificilmente temos condições de avaliar que o medo do novo é um processo imaginário.De acordo com as tradições cristãs, a montagem da árvore de Natal iniciou-se na Alemanha no ano de 1530. Martinho Lutero numa determinada noite se impressionou com os lindos pinheiros cobertos pela neve. Outra inspiração foram as estrelas do céu que iluminavam a árvore. Lutero então, reproduziu em sua casa aquele cenário que achou tão lindo, usou velas, galhos de pinheiros, algodão e outros enfeites. As estrelas do céu ajudaram a formar a imagem que Lutero reproduziu com galhos de árvore em sua residência. Além das estrelas, algodão e outros ornamentos, Lutero usou velas acesas para mostrar aos seus familiares àquela linda cena que havia visto na floresta. Juntou-se ao cenário os símbolos da paz, da alegria e da esperança. A árvore frondosa e cheia de enfeites simboliza a vida. Na tradição católica, a árvore de Natal deve ser montada a partir do dia 30 de novembro, no período do advento e desmontada no dia seis de janeiro.
Desta forma sua antecipação no comércio provoca ansiedade nas pessoas, a sensação é de pressão para realizar as coisas que ainda não deu para fazer durante o ano todo. Quando o primeiro enfeite de Natal é colocado na vitrine da loja, desperta também a primeira angústia relacionada ao pensamento, “mas já acabou o ano?” Ocorre a festa, momentos mais alegres ou mais tristes para alguns. No final das contas tudo corre razoavelmente bem para a maioria. Chega o ano novo onde as comemorações refletem o sentimento de alívio e esperança. Após esse período a sensação é de que as energias se renovam com o inicio de um novo ano, e a expectativa de realizações torna a vida mais fácil. Podemos transformar esse período num momento bom de ser vivido ao nos dermos conta de quem é bom para nós, de quem nos faz bem, de quem faz realmente diferença na nossa vida. Se não conseguiu realizar algo que é importante ou necessário para melhorar sua vida, procure repensar o projeto, ver o que faltou, onde que pode ser melhorado para que sua realização seja possível. Não deixe de avaliar as condições externas que também são responsáveis pela não realização de alguns projetos, ou seja, nem tudo está sob nosso controle. Vivemos tentamos domar o destino, domar os imprevistos, as inseguranças da vida, mas se puder, deixe para trás o que não faz bem, o que maltrata emocionalmente. Nesse sentido eu fico com Dourival Caymmi, outro cantor da MPB quando na sua música ele diz: “Pobre de quem acredita na glória e no dinheiro para ser feliz.”
Tereza Guberovich - Psicóloga

 

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