HomeArtigos segunda-feira, 27 de julho de 2015 08:00

O colapso do SUS

Por: Osmar Terra.

Infelizmente, estamos vivendo a agonia do Sistema Único de Saúde (SUS). A crise é generalizada, não só no Rio Grande do Sul. O maior responsável por essa situação é o governo federal que, ano a ano, diminui sua participação no bolo da saúde. Há 15 anos, a União participava com 65% de todos os recursos para a saúde pública. Estados e municípios 35%. Hoje, praticamente, inverteu. Como se não bastasse, o governo cortou R$ 12 bilhões dos recursos previstos no Orçamento deste ano, para cumprir o “ajuste fiscal”. É um golpe mortal, que produz um efeito cascata, sobrecarregando, mais ainda, Estados e municípios e levando à paralisia progressiva dos serviços. A tesoura dos cortes protagonizados pelo governo é macabra. Ela aumenta a agonia da população que cada vez mais é barrada nas emergências superlotadas e amarga meses e, por vezes, anos de espera para cirurgias simples. Muitos não resistem à demora!

Hoje, nosso governo gasta metade do per capita em saúde da Argentina! Quatro vezes menos que o Reino Unido e cinco vezes menos que o Canadá. O atual e os governos que o antecederam jamais trataram a Saúde como prioridade. O ministro da Saúde Arthur Chioro fala que apenas a “longo prazo” teremos uma verdadeira transformação no atendimento. Mas com esse tratamento, o SUS não resistirá a curto prazo. É necessário não só manter, mas ampliar - e muito! - as estruturas de atendimento e, no mínimo, dobrar o orçamento. Além disso, é crucial a estruturação de uma carreira nacional para todos os profissionais do SUS que trabalham na Atenção Básica.

Mais, o envelhecimento dos brasileiros também exige uma rede cada vez maior e mais sofisticada para assistência de doenças crônicas e suas complicações. O aumento vertiginoso de veículos no país inflou as estatísticas de pessoas acidentadas ou sequeladas. A epidemia das drogas e a violência urbana dizimam parcela importante da nossa juventude. Tudo sem uma resposta minimamente adequada do governo.

O SUS, o maior e mais generoso programa social que o Brasil já criou, está relegado a um segundo plano, e cada vez mais desacreditado pela população. Ele pode estar vivendo seus últimos momentos! Se o governo mantiver seus propósitos e cortes, o ano de 2015 poderá ser o último da existência do SUS!

SMAR TERRA (PMDB), deputado federal e presidente da

Frente Parlamentar da Saúde e Defesa do SUS.

* Crônica foi publicada na edição do Correio do Povo do dia 17 de julho

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