HomeArtigos segunda-feira, 20 de outubro de 2014 08:45

O significado do trabalho para o trabalhador

Artigo do acadêmico Marcelo Hegele.

O local de trabalho (instituição, organização) para as pessoas pode ser apreendido como uma extensão de sua vida particular. Chiavenato defende que a organização é um sistema de atividades conscientemente coordenadas entre duas ou mais pessoas, sendo que a cooperação entre elas é essencial para a existência da organização.
Quando um colaborador (trabalhador) é admitido na empresa, além de administrar sua vida particular, ele passa a incorporar uma nova visão de mundo, onde as metas da empresa também passam a ser suas, e por isso devem ser alcançadas. No entanto, para que o trabalho tenha realmente sentido e traga satisfação, é necessário que a pessoa sinta-se útil no desempenho de sua função. Para que isso ocorra, é fundamental que ele busque qualificar-se constantemente, pois, o resultado desse movimento refletirá no seu crescimento pessoal e profissional. Não podemos deixar de considerar que a vida pessoal e o trabalho não são passíveis de separação. Por isso, não concordamos com as afirmações: “não levo trabalho para casa” e “não misturo vida pessoal com vida profissional”.
Conforme Chiavenato (2004), o comportamento é orientado para objetivos. Em todo o comportamento existe sempre um impulso, um desejo, uma necessidade, o que servem para designar os motivos do comportamento. Mas, mesmo que o molde para o sujeito sentir-se motivado, seja idêntico para todos, os resultados podem ser diferentes, pois depende da percepção, do estimulo, e das necessidades do individuo.
Dejours (1998), referindo-se a necessidade, afirma que “existe uma continuidade nas necessidades do homem que se estende do nascimento até a morte. (...) e quando uma necessidade é satisfeita, não sente a carência ou necessidade e não se envolvem comportamentos para supri-las, esta pessoa não existe como sujeito. Por esse motivo, é necessário que também a organização enfrente a desafio das necessidades e exigências tanto suas quanto dos trabalhadores. Pois, podemos considerar as organizações como uma mola propulsora da sociedade.
Pensando na relação trabalhador-empresa vamos abordar a posição do psicólogo organizacional, sendo como gestor de Rh ou como consultor. Hoje a demanda de perfis certos para os cargos é uma realidade “que veio e ficou”. Mas, os empresários, hoje, na maioria dos casos não conseguem mais trabalhar no sistema antigo e ainda usual de indicações, seja de amigos ou conhecidos. A psicologia organizacional é uma área da psicologia que vem preencher esta demanda. Os empresários, hoje com as grandes exigências do mundo do trabalho e dos negócios, se veem impossibilitados para executar tudo o que lhes é demandado. É nesse momento que o psicólogo organizacional pode entrar como um profissional estratégico para auxiliar a gerir as pessoas no sentido de propiciar melhores qualidades de trabalho, tanto para o colaborador, quanto para a organização.
Atualmente buscaram-se psicológicos que estão dispostos a atuar na gestão de pessoas, pois se espera que estes profissionais possam entender sobre gerir equipes, selecionar pessoas, pensar estrategicamente o negócio e principalmente na capacidade de solucionar problemas e criar ferramentas que auxiliem na gestão para alcançar “metas” e o bom funcionamento da organização. No entanto, na psicologia organizacional é imperativo que além de entender sobre Gestão de pessoas, o profissional seja habilitado a fazer a interpretação dos processos de funcionamento psíquico, que ele possa compreender o humano, pois os trabalhadores não são máquinas com botão liga-desliga. Infelizmente muitos psicólogos organizacionais acabam se tornando mais administradores objetivos, do que profissionais que podem fazer a interpretação do ser humano e de sua complexidade.
Então surge aqui o diferencial do profissional da Psicologia Organizacional. Pois, onde existe grupo de pessoas, existem diferenças que geram conflitos e isso é o que faz com que o profissional entre em ação, agindo no sentido de revelar aquilo que muitas vezes está escondido (conflitos internos), e a partir disso buscar possíveis soluções para os problemas.
Estamos vivendo em um mundo totalmente acelerado, ninguém para mais para refletir, mas mesmo assim como diz a letra de uma música do J Quest “Vivemos esperando o dia em que seremos melhores para sempre”. Mas, será que sem refletir seremos melhores para sempre? Não refletir é mais trabalhoso, pois deixa as pessoas sem lugar e sem função. Precisamos saber quem somos, qual o lugar que ocupamos e para quem ocupamos um lugar e uma função. Uma vez que o não reconhecimento de si enquanto sujeito, pessoa, indivíduo e trabalhador pode causar a falta de identidade e a não aceitação de si mesmo, o que poderá abrir uma porta de entrada para as patologias. Existe muito trabalho para o profissional psicológico nas empresas e estes precisam de muita preparação para conseguir dar conta do seu trabalho com ética e profissionalismo.
Marcelo Hegele
Acadêmico de Psicologia
Psicologia Organizacional
UNIJUÍ - Câmpus Santa Rosa

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