HomeArtigos sábado, 11 de julho de 2015 10:19

Quilombos & Quilombolas

Professora e historiadora Teresa Christensen.

Quando falamos de escravidão, um dos últimos lugares lembrados é a Região Noroeste do Rio Grande do Sul, uma vez que somos conhecidos como um espaço ocupado por imigrantes europeus, seus descendentes e com pouca miscigenação. Aqui foram criadas colônias para as mais diversas etnias e colônias específicas para descendentes de alemães católicos, descendentes de alemães evangélicos, italianos, poloneses, russos, suecos, holandeses, e outros povos europeus.

A preservação das nossas tradições, hábitos e festas, como também as características físicas da nossa população costumam ser considerados herança exclusiva do imigrante europeu ou dos colonizadores português e espanhol. Pouco se fala de herança negra e indígena.

Por muitas razões presença de escravos negros na Região Noroeste permaneceu ignorada. O que a História Oficial registra é a completa ausência de escravos no noroeste do Estado. No entanto, eles estavam presentes desde que os portugueses ocuparam as Missões Jesuíticas em 1801.

Sobre “Quilombos”, muito pouco ou quase nada se fala ou se ouviu falar. Então, aproveito a oportunidade para colocar uma definição: “ Quilombo é a comunidade formada pela fuga de negros, índios e brancos pobres do regime de trabalho forçado, alienado e desumano da escravidão. Os negros se rebelavam e fugiam de seus senhores e do meio de vida exploratório em que viviam e formavam comunidades em locais dentro das matas e sertões, o mais longe possível das cidades, vila ou fazendas.

” A palavra Quilombo é de origem Bantu (povos africanos que viviam na região hoje conhecida como Angola )Originalmente a palavra era utilizada para designar lugar de pouso ou paragens, No Brasil ficou conhecida como definição de local de refúgio de negros escravizados.

O que a maioria população do nosso município ignora e pode ser até motivo de espanto é que temos um Quilombo há apenas 15 quilômetros da cidade de Santa Rosa. Trata-se da Comunidade Quilombola Correa, localizada no Distrito de São Paulo das Tunas, no interior do Município de Giruá. Os mais velhos relatam que os seus pais vieram de Cruz Alta, local para onde os escravos eram trazidos e distribuídos para outras localidades. Recordam também que ao chegarem em Giruá foram trabalhar na retirada de madeira das matas nativas para serem utilizadas na construção da ferrovia, isto por volta do final da década de 20.

Residem atualmente na Comunidade Quilombola Correa 08 famílias que somam 18 pessoas todas descendentes da família de Alzemiro Batista Correa e Eloina Luiza Correa. Considerando os parentes diretamente ligados as famílias da Comunidade, a população chega a 25 pessoas, alguns residindo no município de Santa Rosa. As famílias compartilham uma área de 6,0 hectares de terra e cultivam diversos alimentos e criam animais para a sua sobrevivência.

.Assim, como podemos registrar, os Quilombos não pertencem somente ao nosso passado escravista, tampouco se configuram no presente momento como comunidades isoladas, no tempo e no espaço, sem qualquer participação na nossa estrutura social. Ao contrário. A Comunidade Quilombola se mantém viva e atuante, lutando pelo direito de propriedade da sua terra, consagrado pela Constituição Federal de 1988. Os seus integrantes buscam se inserir nos espaços sociais e culturais do Distrito de São Paulo das Tunas, como também das comunidades próximas.

È sempre bom conhecer um pouco da história do nosso município e região e observar que nem tudo são flores...

 

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