HomeArtigos sexta-feira, 28 de abril de 2017 06:53

Reforma ou Desmonte?

Opinião do bancário e presidente do Sindicato dos Bancários, Paulo Schmidt.

A propaganda do governo é muito bonita quando quer convencer a população de que precisa realizar reformas nas áreas previdenciárias e trabalhistas. Mas não passa de propaganda, como as que vendem determinado produto e só mostram a embalagem, sem falar nos malefícios do conteúdo. Por isso, não podemos aceitar, calados, as Reformas que estão sendo propostas, pois, na realidade, não passam de “desmontes” da própria Previdência Pública e da Legislação Trabalhista. E não foi por outro objetivo que Temer foi alçado à condição de governo, num espetaculoso golpe.
Antes de qualquer iniciativa dessas reformas que estão sendo propostas, deveríamos fazer a Reforma das Reformas, que é a Reforma Política e por ela, a Reforma da Ética nas relações políticas, econômicas e sociais. E, porque não fazermos também a Reforma Tributária, para que aqueles que nada pagam de impostos ou os que muito sonegam, neste país, deixem de ser privilegiados ou isentados de suas obrigações? Estima-se, por baixo, que a sonegação fiscal no Brasil é da ordem de R$ 600 bilhões ao ano. Também se calcula que a sonegação das contribuições previdenciárias empresarial, soma-se a fabulosa quantia de R$ 436 bilhões, o que por si só tornaria a previdência superavitária por longa data.
Nesse sentido, percebe-se que a Reforma da previdência não nenhum caráter ou tentativa de salvar o sistema ou as aposentadorias futuras, mas tão somente, contemplar o desejo dos bancos, que percebem nas aposentadorias, uma fatia fabulosa para seu mercado financeiro. Se a Reforma for aprovada como se pretende, as aposentadorias ficarão cada vez mais distantes e impossíveis, em razão da própria idade mínima exigida e do tempo de contribuição necessário. E o objetivo do governo nesse instante é este: reprimir as futuras aposentadorias, incentivar a previdência privada gestada pelos bancos, fazer superávit com os recursos previdenciários para utilizá-los para outras coisas que não o pagamento de benefícios, por exemplo, os juros para os bancos.
A Reforma da Previdência nesse aspecto tem um caráter desumano, pois não leva em consideração que se trata de uma fonte primária de distribuição de renda, onde os que mais precisam desse benefício para sobreviver, são os pobres, eis que 68% das aposentadorias são pagas na razão de apenas 1 salário mínimo. E, enquanto o governo mexe para retirar direito dos mais necessitados, mantém os privilégios de alguns setores que se constituem como verdadeiras castas sociais.
Por isso, lutar contra a reforma da previdência é uma questão de justiça social e merece todo o apoio da sociedade. Porque não se trata de uma reforma, mas mero desmonte da previdência pública para satisfação de interesses mesquinhos e financeiros de um reduzido grupo econômico e financeiro.
Paulo Schmidt
Bancário, presidente do Sindicato dos Bancários

 

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