HomeEducação & Cultura quinta-feira, 13 de julho de 2017 17:34

A dura realidade das instituições de ensino

Informações foram colhidas em debate na Rádio Noroeste com presença de Carlos Albea (Fema), Mauro Nüske (Setrem), Renata Rotta (IF Farroupilha) e Ariosto Sparenberger (Unijuí).

População regional diminui ano a ano, a economia em crise, repasses governamentais em queda e concorrência com as universidades EaD são apontados como vilões no atual cenário que levou à drástica redução no número de matrículas nos cursos técnicos e superiores na microrregião. As informações foram colhidas em debate na Rádio Noroeste com presença de Carlos Albea (Fema), Mauro Nüske (Setrem), Renata Rotta (IF Farroupilha) e Ariosto Sparenberger (Unijuí).

“As matérias da Globo sobre o cenário nacional amenizaram. O quadro é pior”, sustentou Carlos Albea, diretor da FEMA ao se referir à manchete do site Globo.com “A pior crise dos últimos 40 anos”. O gestor da Fundação Educacional lembrou que no último ano 72% dos concluintes do Ensino Médio não ingressaram em cursos superiores. “Infelizmente falta planejamento nacional voltado à Educação. Talvez por isso o brasileiro deixe a qualificação para o final da fila de prioridades. A nossa cultura dá mais valor a conquistar um carro que a pagar uma faculdade”, argumentou.

A diretora geral do IF Farroupilha, a professora Renata Rotta, reforçou que a instituição - embora pública - também sofre os impactos da situação nacional. “Já em 2013 não houve reajuste nos repasses. De lá para cá perdemos ano a ano, porém aumentamos a oferta de cursos e as vagas, ou seja, gastamos mais. Neste ano de 2017 o valor repassado totaliza 16% a menos. Estamos sobrevivendo porque a gestão interna é boa e fez cedo alguns cortes que proporcionaram certo equilíbrio”, explicou.

O professor Mauro Nüske, pesquisador institucional da Setrem, trouxe números que mostram o papel do Governo Federal neste cenário ao suprimir recursos de programas como Pronatec e FIES. “Em 2013, no Brasil tínhamos 300 mil vagas no FIES. No ano seguinte eram 700 mil vagas. Agora, havia 150 mil vagas e apenas 75 mil inscritos”. Ou seja, 10% no comparativo com apenas três anos no passado. Outra queixa é que, além da crise que afeta o bolso do estudante, quem não foi afetado por ela é barrado no balcão da burocracia.

Além desse quadro outros temas entraram na roda de prosa, como a sobreposição de cursos superiores, como o Direito, ofertado pela Unijuí, Setrem e Fema, valendo o mesmo à Administração. E nesse contexto a queixa foi forte contra o IF Farroupilha também. A diretora geral, porém, ressaltou que muitos alunos concluintes dos cursos técnicos optam por faculdades que dão sequência a estes estudos, em áreas de especialização ofertadas pelas demais.

A região está bem suprida de faculdades e universidades. Além das mencionadas, a FAHOR, de Horizontina, oferta cursos superiores e pós-graduações. “Hoje ninguém precisa sair do Noroeste para fazer faculdade, pois temos ofertas e qualidade. Porém, parte da crise decorre porque a população regional diminui ano a ano. O Corede compilou dados recentes que mostram isso, pois hoje os municípios da Fronteira Noroeste têm menos de 210 mil habitantes, e como a taxa de natalidade baixou, cada vez menos jovens chegam ao Ensino Médio”, sustenta o pró-reitor da Unijuí Santa Rosa, Ariosto Sparenberger.

Em suma, o momento é de apreensão. Passado o vestibular de inverno, que teve baixa procura, sobram vagas nos cursos superiores e técnicos. Alguns cursos já desapareceram ou estão com os dias contados. Porém, outros serão instalados. Ademais, os diretores salientaram que a boa gestão permitirá às instituições darem a volta por cima. “Sabemos que no Brasil o Planejamento Estratégico de longo prazo não funciona porque os governos não permitem. Então nos vemos forçados a mudar tudo em curto tempo e ajustar o que for necessário para manter a qualidade de ensino e a credibilidade que construímos”, finalizou Carlos Albea.

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