HomeEventos sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018 08:35

Mãe de bebê que morreu em creche desabafa

Processo segue na Justiça, Prefeitura abriu sindicância e monitoras seguem trabalhando em outro setor.

Completou oito meses na última segunda-feira, 29, da morte do menino Rafael Perin, de 11 meses, que foi encontrado já sem vida no berçário da Escola Municipal de Educação Infantil Paulo Freire, em maio de 2017.

Segundo familiares da criança, os mesmos foram informados que Rafael havia passado mal e teria sido encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento-UPA, onde o óbito foi confirmado.

A direção da escola municipal não se manifestou sobre morte do menino. Já a Assessoria de Comunicação confirmou que assim que constatado o problema, imediatamente profissionais do Posto de Saúde da Vila Progresso foram acionados, e depois disso o Corpo de Bombeiros encaminhou o menino para a UPA.

O delegado Tiago Tescke, titular da 2ª Delegacia de Polícia, situada no Bairro Cruzeiro teve de intervir no caso. A Polícia teve informações que a criança estava em óbito na escola e por isso sentiu a necessidade de encaminhar o corpo para o Instituto Médico Legal. O delegado Tiago foi até o velório que já tinha iniciado, conversou com familiares e o corpo foi levado ao IML. Segundo o laudo inicial, a criança morreu por obstrução das vias aéreas causadas por um liquido.

A morte de Rafael foi mais uma vez lembrada pela mãe do menino, Aline Gregory Perin, que exige justiça. Em sua rede social Aline desabafou em e contesta a atitude tomada pelo Governo Municipal sobre o caso.

Aline Perin pede justiça

“E se não bastasse tamanha dor, precisamos conviver com o descaso, saber que nada aconteceu, que nenhuma atitude foi tomada pelos órgãos municipais, simplesmente nosso Rafa morreu. Onde está o senhor prefeito? O que fez? O mesmo que faziam no dia em que nosso Rafa se foi. Nada! Acho engraçado que em outras cidades, monitoras que deram tapas em crianças, falaram absurdos foram afastadas, (aplausos para este prefeito), e aqui em Santa Rosa um bebê morre aos cuidados das monitoras e não acontece nada. A vida para todos continua a mesma, segue normalmente, mas para nossa família nunca mais será igual”, questionou a mãe.

Aline ainda destacou: “Eu sei que as monitoras que estavam, ou diziam estarem com o Rafa não fizeram por querer, jamais, e nunca iriam querer que isso tivesse acontecido, sempre tive uma ótima convivência, bom relacionamento, nunca duvidei do amor, carinho, delas com as crianças, meus dois filhos frequentaram a mesma creche, as mesmas profes. Sempre foram queridas, amadas, mas no caso do Rafinha falharam. Onde? Como? Não sei, muitas vezes me pergunto, como isso foi acontecer? Por quê? E sempre acabo sem respostas. Eu sei que elas estão sofrendo com isso, pois além da perda, sofrem a dor da culpa. Sim porque tem culpa.

“Não sou ninguém para julgá-las, o julgamento Deus o fará. Mas não consigo aceitar que nenhuma atitude quanto a prefeitura foi tomada. Em qualquer empresa, em qualquer emprego que o funcionário faça algo de errado é punido, independente do que seja, amigo do chefe, irmão do gerente, mulher do motorista, mas aqui uma morte não basta. Aí escuto: faltam provas. Provas? Um bebê morreu e faltam provas? O Rafael nunca teve nada, sempre sadio. Já foi comprovado pelo Ministério Público a negligência, e daí, que prova maior precisa? Eu sei que nada do que aconteça vai trazer o Rafa de volta, mas precisamos de atitudes, de melhorias. Se isso não for motivo para ter mais cobranças, responsabilidades, profissionalismo, qualificação. Melhorias em termos de estruturas, melhorias para que os profissionais possam exercer a profissão que escolheram da melhor maneira e acima de tudo com amor. Melhorias para que nossas crianças tenham lugares adequados, com ótimas estruturas, ótimos atendimentos. Se esse não for o motivo”.

Polícia Civil

O delegado Tiago Tescke, titular da 2ª Delegacia de Polícia lotada no Bairro Cruzeiro, indiciou no dia 13 de julho de 2017, duas monitoras da Escola de Educação Infantil Paulo Freire, pela morte de Rafael Perin.

O delegado constatou, após as investigações, que ocorreu homicídio culposo, onde não há intenção de matar, por entender que as monitoras têm a obrigação de zelar pela saúde e segurança dos bebês que estão sendo cuidados. Tiago diz que ambas as citadas no processo, negligenciaram ao não notar que a criança estava se afogando. Afirma que elas declararam não terem saído da sala e não viram o bebê se afogar. “Ainda solicitei para a perícia se a criança apresentaria alguma reação no instante do afogamento e fui informado que sim, que ela se debate, apresentando sinais, o que não foi visto pelas cuidadoras”, informou.

Tescke teve de intervir no caso, pois a criança foi levada ao hospital e após ser constatada a morte foi liberada aos familiares, inclusive com atestado de óbito. Tiago explica que teve informações que a criança estava em óbito na escola e por isso sentiu a necessidade de encaminhar o corpo para o Instituto Médico Legal (IML). O delegado precisou se dirigir ao velório para conversar e convencer os pais sobre a necessidade de o corpo submeter-se a uma necropsia. “Os pais entenderam e foram compreensíveis”, lembrou.

 

MP pediu condenação das monitoras

A promotora de justiça Cristiane Mello de Bona encaminhou à Justiça na no dia 21 de julho a denúncia contra as duas monitoras.

O Jornal Noroeste teve acesso a denúncia, onde a promotora pede a condenação das profissionais que estavam trabalhando naquele dia. Segundo ela existem provas de materialidade. Está destacado na denúncia que: “A criança recebeu a mamadeira por volta das 14h, e ficou no carrinho de bebê, e foram verificar seu estado apenas às 15h45min”.

Justiça aceitou denúncia

 

A denúncia por homicídio culposo foi aceita. O processo tramita na 2ª Vara Criminal do Foro de Santa Rosa. As duas monitoras foram citadas. O processo está na fase da defesa, onde os advogados das partes trabalham para defender suas clientes.

Caberá a juíza Dra. Vanessa Lima Medeiros Trevisol, julgar o caso. Vanessa é juíza substituta da 2ª Vara Criminal.

Sindicância apura o fato

A secretária de Desenvolvimento da Educação e Juventude, Lires Zimmermann afirmou que segue um processo administrativo de sindicância, que apura o fato e a responsabilidade das duas monitoras. Segundo Lires, o processo ocorre em sigilo, mas está em fase de relatório.

Questionado o motivo pelas quais as duas monitoras permanecerem na creche, a secretária informou de que após o fato, foi realizada uma reunião, a qual consta em ata, onde os outros pais pediram a permanência das profissionais, pois estavam no meio do ano e as crianças já estavam acostumadas com ela. “Agora no início das atividades do ano, a secretaria fará um remanejo e elas não atuaram mais na escola até o final do processo”, garantiu Lires.

Contraponto: Como nossa reportagem não teve acesso aos nomes das monitoras envolvidas, não conseguimos contatar as mesmas para as ouvir sobre o assunto.

 

 

 

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