HomeGeral sexta-feira, 19 de maio de 2017 08:20

Reforma da Previdência sob olhar das entidades

Noroeste Debates recebeu voluntários para falar sobre o assunto.


Uma das entidades que lidera o tom discordante em todo o País é a Ordem dos Advogados do Brasil. Aqui no município a OAB é presidida por Gilberto Kieling, outro que tem se mostrado ferrenho opositor das medidas. “É simples. Estamos em um governo de transição, de modo que nada definitivo na Constituição deveria ser aprovado por Temer, o Parlamento e o Senado até 2018”, contextualiza o advogado, reiterando que a mesma linha de raciocínio se aplica às reformas trabalhistas.
Em debate na Rádio Noroeste o presidente do Sindilojas para a região de Santa Rosa, Leonides Freddi, se diz favorável à reforma da Previdência, porém, discorda de muitos pontos em questão. E explica: “O Brasil precisa discutir alterações que levem ao equilíbrio e à sustentabilidade do INSS, mas, logicamente não pode penalizar os trabalhadores de menor renda ou aumentar os impostos contra as empresas que já não suportam mais qualquer tributação”.
Clóvis Molinari, representante da diretoria da Acisap no debate, disse que a entidade não emitiu posicionamento, mas que em geral o movimento empresarial é favorável à Reforma da Previdência, porém, também atestou que os números divulgados são bastante obscuros e que há muito terrorismo dos dois lados: governo e movimentos contrários.
Kieling disse que, infelizmente, há um sentimento que a reforma vai passar nas votações do Congresso e Senado. E os advogados Jones Treter e Fábio Anklam, da banca Diel e Treter, confessam que a procura de informações no escritório aumentou muito nas últimas semanas. “Quem está com idade ou tempo de serviço está correndo para ver se consegue o benefício agora”, argumenta Jones. Ele, enquanto profissional, se diz contrário ao projeto que tramita. “Primeiro porque vai afetar justamente os mais pobres. E, segundo, porque estamos em uma crise financeira no país, decorrendo daí o déficit previdenciário. Menos gente contribuindo, menos recursos em caixa”, disse.
Freddi apresentou dados que devem ser levados em consideração na abordagem do tema. Segundo ele, o Sindilojas fez eventos para debater o assunto. “Há três décadas tínhamos 18,4 trabalhadores contribuindo para cada aposentado. Em 2017 somos 8,4 trabalhadores na ativa para cada aposentado. Nessa projeção chegaremos a 2060 com 2,5 ativos para cada inativo. Fatalmente quebraremos o sistema se algo não for feito para estabelecer um equilíbrio”, destacou. Kieling argumentou que há setores excluídos da reforma e que geram o verdadeiro déficit.
Os debatedores também citaram dois aspectos que pouco têm aparecido nas discussões porque são contrários ao governo: a DRU - Desvinculação de Receita da União que permite ao governo utilizar até 30% do dinheiro que deveria destinar à Previdência; e a desoneração da folha de pagamento que gerou um rombo de R$ 500 bilhões em cinco anos.

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