HomeNoroeste Entrevista segunda-feira, 26 de junho de 2017 07:30

A frente de um projeto para 20 anos

Conheça o Plano de Drenagem Pluvial e de Resíduos Sólidos.

Natural de Tuparendi, mas criado em Santa Rosa Marcos Scherer tem 39 anos,filho de costureira e de caminhoneiro, conta que após muito esforço estudou no Instituto Sinodal Da Paz, e mais tarde, em 2007, se formou em direito. Mas isso é fruto de muito trabalho, e conta que com 12 anos, sua mãe foi diagnosticada com câncer e ele passou a assumir responsabilidade no turno inverso da escola, como cuidar da casa, fazer seu almoço e lavar sua roupa. Scherer não esconde que foi um período difícil, mas afirma que talvez seja um dos tempos que mais adquiriu aprendizado.

Casado, dois filhos e uma enteada, dedicou-se aos estudados e a família. Possui pós-graduação em direito processual civil (processo Civil), e mestrado em Direito Humanos, pela Unijuí. Foi presidente do Comude-Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico, e atualmente é vice-presidente do Conselho de Meio Ambiente. Presidiu também o Comitê Bacia Hidrográfica do Rio Turvo e atual diretor jurídico da Acisap e assessor jurídico da Indumóveis Internacional e responde pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Santa Rosa. Marcos tem uma muito importante para o futuro da cidade que é de colocar em prática o Plano de Drenagem Pluvial e de Resíduos Sólidos, que trará avanços significativos para o município.

NOROESTE: Quando decidiu entrar na área pública?

MARCOS: Fui convidado pelo prefeito Alcides Vicini, em abril de 2016 para assumir como Secretário de Desenvolvimento Sustentável, na época o prefeito acompanhava o trabalho realizado por mim nas instituições. Inicialmente era para ficar provisório no lugar do secretário Fernando Borela, que se licenciou para concorrer, mas o convite para integrar a nova gestão veio, e decidi aceitar. Hoje a frente da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável, que agrega o meio ambiente e o desenvolvimento econômico.

NOROESTE: Qual a primeira demanda a frente da pasta?

MARCOS: Os servidores do Meio Ambiente eram vistos como pessoas que atravancavam o desenvolvimento. Logo na primeira conversa, eles destacaram a necessidade de mostrar para as pessoas que eram pró-ativos. Dei abertura para que os servidores pudessem tomar decisões, buscando inovações que pudessem melhorar a imagem da Secretaria. O exemplo disso é o licenciamento ambiental, ideia dos colaboradores da pasta, que trabalharam no projeto deste agosto do ano passado e em desde março o sistema está em funcionamento. Eles querem ver desenvolvimento, claro dentro das normas ambientais.

NOROESTE: É possível conciliar o Desenvolvimento e os cuidados ambientais?

MARCOS: Sim, tenho certeza disso, pois um depende do outro. O primeiro passo foi dado, pois as duas secretárias foram agrupadas e hoje trabalham juntas. No meu ponto de vista, o prefeito Alcides Vicini acertou muito nesta proposta, que já apresenta resultados satisfatórios.

Hoje o Meio Ambiente e o Desenvolvimento podem se auxiliar. Hoje o empreendedor está próximo da sustentabilidade.

NOROESTE: Qual o maior projeto da Secretaria?

MARCOS: São vários, mas o Plano de Drenagem Pluvial como solução para a cidade é o grande projeto. Talvez o mais caro, o maior e o mais importante para o desenvolvimento da infraestrutura e ofertará maior solução para a cidade. É um projeto para 30 anos.

NOROESTE: Na prática, o que consiste o Plano de Drenagem Pluvial?

MARCOS: É um levantamento da situação das águas pluviais da cidade, feito desde 2014, que mostra com a realidade de hoje e a perspectiva para os próximos anos. Os relatórios finais foram entregues neste ano. O plano busca colocar no papel tudo que tem de ruas, telhados, calçadas, com áreas urbanas ocupadas e o que será ocupado. O exemplo é o volume de água que será gerado com as novas construções e seu impacto na condução das águas. Quanto mais aumenta as construções mais água se canaliza para dentro dos córregos e quando não tem vazão, a água acaba acumulando e alagando areas. Para isso se projeta bacias de contenções, gabiões, retirada de famílias de zonas de risco, e isso pode ultrapassar R$ 180 milhões em investimento. Mapeamos as localidade e estudamos o cumulo de água e sabemos até aonde pode ser alagado.

NOROESTE: Qual o grande desafio para viabilizar deste projeto?

MARCOS: Olha, primeiro que é um valor muito expressivo e esse é o grande desafio e precisamos viabilziar. Estamos projetando ações de curto, médio e longo prazo. Inicialmente começamos com o desassoreamento dos rios pessegueiro e pessegueirinho e recomposição de gabiões que já existem mas estão prejudicados. Estamos contratando de forma emergencial uma empresa para refazer os murros de contenção nas laterais dos rios próximo o Bairro Timbaúva, onde a situação da contenção do rio traz prejuízos para a comunidade. Depois disso é fazer a desocupação dos moradores que residem nas áreas de risco e assim por diante.

As Bacias de contenção estão no plano final. São cerca de 15 bacias, e estamos terminando a contratação e empresas para desenvolver os projetos de construção, que prevê inclusive na área de alague.

NOROESTE: A Prefeitura trabalha com algum loteamento para abrigar estas famílias que tem suas casas alagas frequentemente?

MARCOS: Sim, já temos inclusive o número, temos espaços sendo negociados para instalar estas 170 famílias. Temos uma área definida no Alto da Avenida América, um lote de aproximadamente 200 terrenos, onde o prefeito destinará para estes projetos. As primeiras 90 famílias podem ser direcionadas para os terrenos e possibilitar o financiamento para a construção.

NOROESTE: O que as primeiras ações vêm a somar na vida das pessoas que sofrem com alagamentos?

MARCOS:Sim, já temos resultados. Devido ao desassoreamento feito no Lajeado Figueira, depois da intensidade da chuva das últimas semanas, não tivemos casas alagadas. A Vila Piekala, apesar de ter dado transtornos, o desassoreamento não resolveu completamente, mas diminuiu as áreas alagadas. Mas a solução continua sendo a retirada das pessoas.

NOROESTE: A prefeitura trabalha também um Projeto de Resíduos Sólidos?

MARCOS: Sim, é outro grande projeto. O plano de Resíduos Sólidos já está com recursos de R$ 500mil, para fazer a fase de estudos. Estamos trabalhando com termo de referência da licitação de projeto executivo, que estudará três unidade para receber o lixo domestico e fazer a triagem e reciclagem. O que for possível será reciclado através de Parcerias Público-Privadas. Hoje o município gasta cerca de R$4,8 milhões por ano, em recolhimento e destinação de lixo, e o projeto busca diminuir a necessidade de tanto investimento. O projeto ainda não e tem o valor orçado, mas as áreas já estão pré-definidas.

NOROESTE: Onde a participação da população entrará como fator fundamental no projeto?

MARCOS: A população será fundamental para os resultados positivos. Estamos pensando em concentrar pontos de recolhimento de lixo reciclável. Empresas serão incentivadas a entregar de forma voluntária seu lixo, e uma política de conscientização fará isso.

NOROESTE:Qual a relação dos dois planos debatidos?

MARCOS: Um ajuda no resultado do outro. Os resíduos sólidos mal destinados acabam sendo levados para os rios, onde eles se acumulam e a água acaba represando, provocando alagamentos. Por isso eles são pensados ao mesmo tempo. Claro, é uma grande tarefa para o Governo Municipal, mas aos poucos estaremos desenvolvendo ações conscientizando a população e os colocando a parte de todo o trabalho e seu principal objetivo.

 

 

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