HomeNoroeste Entrevista sexta-feira, 21 de julho de 2017 14:50

A Luta pela SAÚDE comunitária

Jornal conversou com o médico Milton Dummel, presidente da Abosco.

Milton Dummel, médico formado em 1986, em Santa Maria, natural de três de Maio, atua desde 1989 no Hospital Dom Bosco. Casado com Carla, tem cinco filhos, dois do primeiro casamento e três do atual. Desde que chegou a Santa Rosa divide seu tempo entre a família, amigos, a medicina e a difícil missão de dirigir uma importante instituição hospitalar, que presta diariamente centenas de atendimento à comunidade.

Hoje, fechando 11 anos à frente da direção da Abosco, mantenedora do hospital, convive com o desafio de manter o atendimento para a população e garantir emprego para mais de 130 famílias. Milton conta que foi o primeiro presidente provisório. “Criamos a entidade através de uma assembleia com 30 sócios. Elegemos o primeiro presidente, Régis Silveira, depois o padre Edgar de Matos, quando assumi a vice-presidente, me preparando então até assumir a presidente”.

NOROESTE: Como foi assumir o Hospital Dom Bosco?

Milton: Pegamos uma massa falida. Em 2002, assumimos o hospital quebrado financeiramente, quando a Sociedade Hospitalar Dom Bosco pediu a auto-falência através de uma liminar, assumimos então a instituição.

Começamos o trabalho com grandes dificuldades, dívidas e problemas estruturais sérios. Readequamos as ações, construímos a unidade dos consultórios e ampliamos os espaços de atendimento. Pisos, por exemplo, foram todos trocados e adequados. A emergência foi ampliada, além dos corredores e novas salas para atendimento. O setor de imagem, por exemplo foi construído.

Na época, o bloco cirúrgico estava fora do padrão e os adequamos, modernizando o local. As obras foram feitas por uma cooperativa de presidiários de Santa Rosa, resultando na economia de 40% dos recursos.

NOROESTE: Quais os principais problemas enfrentados hoje?

Milton: Nosso principal problema hoje é na Central de Material Esterilizado (CME) que tem 20 dias para sanar e reabrir o espaço. Para isso a Abosco, mantenedora, firmou um contrato com o hospital de Campina das Missões para que o mesmo realize a esterilização dos materiais. Para isso enviamos para o município onde é feito o trabalho. Temos a dificuldade agora da Vigilância Sanitária aprovar a medida, que está lenta e enquanto não sai a aprovação nosso hospital não pode realizar cirurgias.

Uma empresa contratada fará um projeto arquitetônico para a construção de uma nova CME, que será construída, enquanto isso será utilizado o serviço terceirizado. Inicialmente deve ser investido cerca de R$ 100 mil.

NOROESTE: Quanto tempo o hospital trabalha no negativo?

Milton: Através de um Conselho Consultivo, que deve formar o novo Conselho de Administração, nós contratamos uma assessoria. Luis Klein fez um levantamento das contas do hospital, e apontou um déficit mensal de cerca de R$ 100 mil, sem considerar a Unidade Tratamento Intensivo (UTI). Não é de hoje pois vem e isso impede nosso crescimento. Quando deixamos de pagar os médicos por exemplo, diminuem os atendimentos.

NOROESTE: Como é a relação entre hospital e Fundação Municipal da Saúde?

Milton: A Fundação tem feito ações pontuais, como por exemplo, a injeção de R$ 350 mil, para sanar a folha e dividas. Mensalmente recebemos R$ 13,5 mil de incentivo. Nós precisamos num prazo de dois anos de uma ajuda financeira de R$ 100 mil, para criar um quadro positivo e a única forma é o município nos repassar este valor. No passado, nos Governos Orlando e depois Vicini, o Hospital Vida & Saúde recebeu cerca de R$ 8 milhões de incentivo municipal, enquanto no mesmo período o Dom Bosco recebeu menos de R$ 350 mil.

Hoje não consigo fazer emendas parlamentares, pois estamos devendo. A Fundação diz que nos ajuda na medida do possível, mas não foram aplicados o mesmo peso e as mesmas medidas para os dois hospitais. O Vida & Saúde cresceu através da ajuda municipal, mas isso é mérito deles, pois não cabe a nós competir, mas sim ampliar outras referências.

NOROESTE: Existe a possibilidade de fechar o Dom Bosco?

Milton: Sim, infelizmente existe. Estamos muito preocupados. Principlamente por conta do fechamento da Central de Material Esterilizado (CME) pois hoje se um paciente entrar no hospital em situação critica, não podemos encaminhá-lo para o Bloco Cirúrgico para uma intervenção necessária. Há dificuldade da Vigilância em aprovar a parceria entre nós e Campina das Missões, alegando que o hospital de lá não pode prestar o serviço. Isso inviabiliza não só o Dom Bosco mas também as clinicas que precisam do serviço. Existe um critério pessoal dos técnicos que está impedindo que se retorne os atendimentos.

NOROESTE: A Hemodinâmica segue em pauta?

Milton: Sim, claro, e com avanços. O Instituto de Cardiologia do Estado adquiriu o equipamento necessário que custa cerca de R$ 2 milhões e assim que eles receberem, encaminharão o atual para revisão e o que era utilizado será encaminhado para Santa Rosa.

Não temos o recurso garantido para construir o espaço e a CME, que contempla ainda uma lavanderia nova. Não existe verbas parlamentares neste momento.

NOROESTE: Salários estão atrasando, como isso reflete na relação com os colaboradores?

Milton: Nossa relação entre direção e colaboradores está boa, na maioria dos casos. Na ótica deles é fundamental a preservação dos empregos, e eles estão nos ajudando muito nesta hora. O positivo disso tudo é o censo comum, pois eles estão nos ajudando a buscar soluções. Formaram grupos e estão atentando para os apontamentos, buscando soluções.

NOROESTE: E a comunidade como tem apoiado o hospital?

Milton: A comunidade nunca virou as costas para o hospital. São realizadas campanhas por entidades e grupos organizados e nosso hospital recebe doações frequentes. Na manhã­­ desta quinta-feira, 20, antes de eu conceder a entrevista esteve em minha sala um senhor entregando apontamentos e sugestões para buscar melhorar a situação do hospital. Recebi-o na minha sala e fiquei muito contente com sua participação. São inúmeras pessoas envolvidas. Estamos organizando uma campanha, e cada vez mais precisaremos o apoio da nossa queria sociedade.

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