HomeNoroeste Entrevista sábado, 2 de setembro de 2017 09:43

A nossa FEMA

O Jornal Noroeste conversou com Césio Carlos Albêa.

Uma ideia pensada em 1949 representa hoje a construção incansável e a busca pelo desenvolvimento regional. A Fundação Educacional Machado de Assis, a nossa FEMA, está ligada diretamente com a história de Santa Rosa.O primeiro diretor, um dos fundadores da Instituição, professor Fioravante Pedrazani, chegou em 1º de março de 1948, e percebeu a necessidade de ter, na cidade, um colégio com aulas noturnas. E aí surgiu a FEMA, Fundação Educacional Machado de Assis, genuinamente santa-rosense.

De lá para cá, muitas conquistas foram alcançadas. Somam-se a essas, a abertura de novos cursos técnicos e superiores, a qualificação de centenas de alunos e a promoção da inclusão, da solidariedade e das diversas ações sociais em benefício da sociedade. Tudo isso reflete o comprometimento com a sua missão de ser um referencial de ensino qualificado, no desenvolvimento pessoal e na formação profissional a serviço da comunidade da região.

À frente da FEMA está o porto-lucenense, Césio Carlos Albêa, casado com Mônica Gasparetto. Ele possui uma história de vida ligada à instituição:iniciou em 1996, na área da informática e passou por vários desafios. Após doze anos de casa passou a exercer o cargo de diretor adjunto e, em 2011,assumiu o cargo de diretor geral. Carlos, um homem de origem humilde, não perde sua forma simples de conversar com alunos e professores, buscando manter, junto com sua equipe, a proposta de formar pessoas e de ser Centro de Educação Transformadora.

Nesta semana o Jornal Noroeste bate um papo com Albêa, que conta os desafios de fazer gestão educacional ao encontro do desenvolvimento da comunidade regional.

NOROESTE: Quem é a FEMA e qual seu papel na comunidade?

CARLOS: É uma instituição de ensino de Santa Rosa, que atende toda a região, com aulas desde a Educação Infantil até os Cursos de Pós-graduação. Atualmente, cumprimos realmente a nossa vocação que é a de formar pessoas com habilidades socioemocionais. Em 1949, a ideia era atender por iniciativa de líderes educacionais, empresariais, comunitários e autoridades do 1º RC MEC, à demanda de alunos que trabalhavam durante o dia e necessitavam de um curso ginasial à noite. De dia eles trabalhavam e a noite estudavam, como acontece hoje também em muitos casos. O projeto FEMA cresceu e trabalhamos com o desejo de ampliar ainda mais nossa atuação na comunidade. É para a comunidade que nascemos e por ela que continuamos. Atuamos incansavelmente, conversamos com entidades e empresários, levantamos a demanda local, regional e buscamos assim evoluir como ensino que direciona às escolhas da vida, ofertando a formação que a nossa região precisa.

NOROESTE: Quando foram pensados os Cursos Técnicos?

CARLOS: Isso veio de nossos fundadores, pois desejavam construir algo significativo para Santa Rosa. Em 1952 foi oficializada a Escola Técnica Machado de Assis, pioneira nesse tipo de ensino na região, tendo, em 1954, formado a primeira turma de Técnicos em Contabilidade. De lá pra cá muitos profissionais passaram por aqui. O Curso Técnico pode servir como primeiro degrau para um profissional conquistar uma vaga almejada no mercado de trabalho. Se o aluno não possui condições de custear uma faculdade, o primeiro vínculo de conhecimento é o técnico. Mesmo antes de formados, a grande maioria já trabalha na área. Isso os dá força financeira para mais tarde cursar o sonhado Curso Superior. Nosso Curso Técnico de Enfermagem, por exemplo, emprega cerca de 90% dos estudantes, o que para nós é muito satisfatório. Contamos agora com sete opções de técnicos e cinco superiores, com grande adesão e formando cidadãos éticos, comprometidos e qualificados.

NOROESTE: Você sabe mensurar a atuação de pessoas formadas pela Instituição?

CARLOS: Temos profissionais espalhados em diversas cidades do Brasil. Nossos números apontam uma média anual de 250 alunos formados, entre técnicos e graduados. Eles vão para o mercado de trabalho e conquistam o seu espaço. Caminhando pela cidade, ou até mesmo viajando, temos conversado com pessoas que receberam sua formação na casa. É gratificante acompanhar o relato e a história de sucesso de cada um. O mundo é feito de oportunidades e, cabe a nós, oferecer um Ensino de Excelência e, a cada um, aproveitar o melhor em sala de aula, para conquistar seus sonhos. Com as redes sociais, também é possível acompanhar algumas histórias. Muitos relatam a emoção de ter estudado na Instituição e levam para sempre o que viveram aqui.

NOROESTE: Qual a característica que o aluno encontra?

CARLOS: Nós trabalhamos com o propósito de entregar muito mais do que o aluno contrata: somos rigorosos e rígidos, mas também trabalhamos as habilidades socioemocionais. Para isso, preparamos, anualmente, todos os professores e a equipe diretiva, com formação interna contínua e diversas avaliações. Estamos ligados ao que acontece no mundo e temos o dever de entregar o que o aluno vem buscar. O nosso principal retorno é saber que contribuímos com a formação integral dos nossos queridos alunos.

NOROESTE: Como é a relação alunos/acadêmicos com a direção e professores?

CARLOS: Nos esforçamos ao máximo para tornar a FEMA uma segunda casa. Acreditamos que um ambiente diferenciado e acolhedor contribua com a formação. Quem sabe, simplicidade seja a palavra certa para nós. Sempre que possível, conversamos com os alunos nos corredores e os integramos ao processo de ensino. Nessa troca, ouvimos elogios, críticas e sugestões que nos orientam em determinadas ações.

NOROESTE: Como fica a representatividade dos alunos com as ações adotadas?

CARLOS: Trabalhamos com projetos de apoio à liderança e hábitos eficazes. Apresentamos um ambiente de gestão emocional e, graças a isso, não temos grandes problemas. Os alunos participam ativamente das ações proporcionadas pela instituição. Dentre elas, vale destacar os trotes solidários, as ações sociais, o apoio a entidades carentes, assim como tem representantes nos principais conselhos de tomadas de decisões, como Comissão Própria de Avaliação (CPA) e Conselho de Administração Superior (CAS).

NOROESTE: Na prática explique o projeto socioemocional adotado?

CARLOS: Ele defende o desenvolvimento integral dos estudantes, não apenas a aprendizagem de conteúdos. As habilidades socioemocionais devem ser estimuladas enquanto se trabalha os saberes curriculares com a turma. Elas estão citadas nos itens que compõem as competências gerais e também nas específicas. Nesse processo, tanto crianças como adultos aprendem a colocar em prática as melhores atitudes e habilidades para controlar emoções, alcançar objetivos, demonstrar empatia, manter relações sociais positivas e tomar decisões de maneira responsável. Isso é formar pessoas de maneira socioemocional.

NOROESTE: Como a FEMA vê a preparação para o ENEM?

CARLOS: Pensamos muito além da prova. Uma boa nota no ENEM é importante, mas precisamos muito mais. Estamos a 10 anos pensando diferente e os frutos começam a ser sentidos com muita alegria. A Instituição de Ensino precisa transformar, não só como uma ferramenta de certificado, mas trabalhando a espiritualidade, a afetuosidade e as habilidades socioemocionais. Isso está presente na nossa maneira de ensinar, consequente-mente, em nossos profissionais.

Noroeste: Qual a característica do aluno no mercado de trabalho?

CARLOS: Na prática, nossos formados tem a característica principal de empreendedores, com competências e habilidades comportamentais para ter sucesso. Isso vem lá do tempo de FioravantePedrazani. É uma característica admirável, comemorada e incentivada diariamente. Importante deixar um agradecimento especial às empresas, aos heróis que fazem a economia acontecer, por acreditarem em nossos estudantes e por permitirem a esses um estágio e possível trabalho no momento em que estão estudando. Uma troca de experiências, boa para todas as partes, onde todos ganham: instituição, empresa e aluno.

NOROESTE: Como a vocês vêm a Educação Infantil?

CARLOS: Nossa Feminha tem um projeto diferente e a ideia é de ampliação. A cada dia aumenta a demanda e as nossas crianças levam na formação os valores da instituição, os quais defendemos e nos orgulhamos em ver nas suas atitudes diárias.

Noroeste: Quais são os planos de ampliação da Instituição?

CARLOS: Pensamos em mais dois cursos técnicos e mais dois superiores, claro com a visão principal de atender a demanda regional. Para isso, estamos realizando pesquisas de mercado e a aplicação de formações ligadas diretamente ao mercado. O exemplo é o Curso Superior em Enfermagem que, neste momento, aguarda apenas sua publicação no Diário Oficial, o que deve acontecer em curto espaço de tempo. A Enfermagem é uma demanda de lideranças locais e, hoje, somos polo regional de saúde, sendo que esta formação contribuirá ainda mais na qualificação do serviço ofertado na cidade e região. É assim que trabalhamos: só abriremos cursos que irão contribuir com o desenvolvimento da nossa comunidade, nossa razão de existir.

Noroeste: A crise econômica do país prejudica ações do educandário?

CARLOS: Sim, sem dúvida. Os problemas econômicos atingem diretamente a educação e sem emprego ou com renda reduzida, as famílias deixam de estudar. No caso da FEMA, não foi diferente: alunos dos cursos superiores que cursavam cinco noites semanais, reduziram para três e com isso caiu a receita. No entanto, isso foi sentido em meados de 2014, quando por meio do nosso planejamento contábil, notamos que as coisas não estavam legal e que o Brasil iria enfrentar graves problemas.Nos readequamos e decidimos fazer o dever de casa, assim como ensinamos em sala de aula. Saímos do aluguel, sem deixar de garantir conforto e qualidade aos estudantes, fizemos adequações constantes e gastamos apenas o necessário, garantindo assim a saúde financeira da nossa Instituição de Ensino.

Noroeste: Os repasses federais diminuíram?

CARLOS: Sim, desde 2014 o governo reduziu as bolsas de estudos e os acessos a programa de financiamento estudantil. Isso prejudica as entidades e os alunos encontram problemas para cursar um ensino superior. Já na área de repasses, o governo está praticamente em dia com a FEMA.

Noroeste: O sonho do Campus FEMA continua?

CARLOS: Sem dúvida. Apenas estamos cautelosos devido ao cenário da nossa economia. Na hora certa, vamos agir e inovar. Com certeza, Santa Rosa e região sentirá orgulho desta querida Instituição, que tanto trabalha em benefício da comunidade. Contamos com uma equipe fantástica de professores, funcionários e gestores, que buscam a cada dia entregar o melhor aos seus alunos. Ainda temos muito a melhorar e a conquistar, mas, juntos, com humildade e sabedoria, queremos alçar voos ainda maiores, ao encontro das exigências atuais da sociedade, das famílias e do mercado de trabalho.

Muita gratidão ao Jornal Noroeste por dar essa oportunidade à FEMA. Não estou sozinho nesta jornada. Além de toda equipe (professores, coordenadores e administrativo), sou muito grato ao Conselho Diretor da Instituição, representado pelo professor Danilo Polacinski, Diretor-Presidente, aos diretores Antonio Ternes, Daniel Frosi e a vice-diretora Mônica Gasparetto, que dividem comigo essa tarefa e que confiam no trabalho que está sendo desenvolvido. A FEMA é um lugar que proporciona momentos felizes e experiências significativas para a vida. Tenho o maior orgulho disso! Afinal, o que se vive aqui fica para sempre!

 

 

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