HomeNoroeste Entrevista segunda-feira, 14 de agosto de 2017 07:20

A política com novo formato

O Jornal Noroeste conversou com o ex-prefeito de Pelotas e pré-candidato a governador Eduardo Leite.

Filho caçula da professora de ciências políticas Eliane e do advogado José Luiz Marasco Cavalheiro Leite, Eduardo Leite nasceu em 10 de março de 1985, em Pelotas.
Anos mais tarde graduou-se em Direito pela Universidade Federal de Pelotas e anteriormente havia iniciado sua carreira política no movimento estudantil secundarista, sendo presidente do grêmio estudantil do Colégio São José. Ele conta pelo que próprio gosto passou a assumir funções representativas. Ainda com dezenove anos, concorreu a vereador, obtendo 2.937 votos e ficando na primeira suplência. Após esta eleição, integrou a Secretaria Municipal de Cidadania e foi chefe de gabinete.
Em 2008 concorreu novamente ao cargo de vereador nas eleições municipais, sendo desta vez eleito com 4.095 votos. Como vereador apresentou projetos de destaque, como o da transparência nos gastos públicos, o Código de Ética da Câmara e o da publicação e redução das diárias do legislativo municipal. Além disso, foi líder da bancada do PSDB e presidente da Câmara Municipal em 2011. Leite foi eleito prefeito de Pelotas em 2013 e, em 2016 mesmo com as pesquisas apontando sua aprovação, não buscou a reeleição, ajudando a eleger sua vice, Paula Mascarenhas, como prefeita.
De volta ao Brasil depois de seis meses estudando na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, o ex-prefeito divide sua agenda com palestras e encontros do PSDB, partido que defende sua pré-candidatura a governador do Estado. Eduardo esteve em Santa Rosa no sábado, 05, quando deu uma entrevista exclusiva ao NOROESTE, fazendo uma avaliação da época em que foi prefeito da terceira maior cidade do Estado e ainda traçando o seu projeto de futuro.


NOROESTE: Quais foram os desafios a frente da gestão municipal?
Eduardo: Eu em sentia bastante qualificado, pois já havia assumido secretárias e chefias, coordenando políticas em gestão municipal. Quando fui eleito, tive que passar a tomar as decisões. As pessoas acreditam que temos que tomar decisões diferentes. Imagina, tinha 27 anos e precisava apresentar uma postura dura, apesar da pouca idade.
Tínhamos projetos em mente. O problema principal for compor um governo com objetivos e com metas para cada secretaria. Em determinados setores mais administrativos, optamos em fazer política com pessoas capacitadas. As áreas prioritárias como saúde, educação, planejamento urbano, além de secretarias como finanças, buscamos pessoas com experiência, incluindo ainda servidores de carreira. No início foi difícil compor o governo, pois os políticos velhos estavam acostumados com troca de favores, e isso deixou de existir. Criamos metas, objetivos e meu grupo de gestão era incentivado e cobrado de forma constante.

NOROESTE: Como lidar com a queda da arrecadação e equilibrar as contas publicas?
Eduardo: Assumimos um governo com sérios problemas financeiros. Pelotas era administrada pela situação, mas mesmo assim algumas ações responsáveis não haviam sido feitas. Entramos pagando as contas deixadas. O principal fator, o que foi adotado, é criar uma projeção realista e assumir as despesas no volume que corresponde à arrecadação. Não podíamos gastar mais que recebíamos. Precisamos fazer cortes. Em 2015 cortamos em diversas áreas do município. Tiramos o aporte do Carnaval, por exemplo e investimos em Saúde. Só este recurso garantiu o funcionamento da Unidade de Pronto Atendimento - UPA. Revimos contratos existentes, atentamos para o princípio da economicidade e aos poucos o dinheiro que era gasto indevidamente começou a apresentar resultados positivos.

Noroeste: Por que não buscou a reeleição?
Eduardo: Em geral quem busca a reeleição, sabe que precisa de apoio e o Governo acaba sendo transformado em um balcão de negócios. Acredito que precisamos oxigenar sempre uma estrutura pública e para não precárizar os resultados, decidi por não concorrer novamente. O segundo mandato seria pior, pois precisaria de apoio de pessoas que talvez não teriam um bom serviço para ofertar para a comunidade. Aí decidi que não concorreria. Indiquei a minha vice, que foi eleita. Ela pode formar uma nova gestão, com pessoas também capacitadas e possuia crédito para continuar com o planejamento e com as ações eficazes. Enquanto isso, estou me aprimorando e estudando cada dia mais.

Noroeste: É possível fazer política com gestão e projetos?
Eduardo: Sim, foi o que eu busquei. No meu ponto de vista a política não pode ser de nomes. Na minha cidade concorri com pessoas que estavam na política a 20 ou 30 anos, e sempre com o mesmo formato. O que importa é o que o grupo tem a ofertar, e com que planejamento e recurso irá executar as promessas.

Noroeste: Seu nome é cogitado para concorrer a governador. O que você diz sobre isso?
Eduardo: Olha! Isso não está descartado, mas não há uma pré-candidatura. Acho que não é o momento de discutir um nome para a eleição, mas sim discutir um projeto. Honestamente eu vejo uma possibilidade positiva, mas antes precisamos fortalecer o projeto que o partido busca representar. Se nesta discussão encontrarmos afinidade e identidade, uma saída para o Estado, uma nova forma de utilização dos recursos públicos com eficácia e se depois deste processo o meu nome for o escolhido, honrarei isso. Mas primeiro defendo um projeto de gestão, pois as pessoas precisam saber qual a nossa real intenção, para que as cobranças aconteçam no momento certo. Precisamos saber o que apresentar, e saber mostrar como faremos esta mudança.

Noroeste: Você se sente preparado para assumir o Estado?
Eduardo: Me sinto preparado. Governei a terceira maior cidade gaúcha. Estou cursando mestrado em gestão de políticas públicas, estudei em Nova York, mas insisto que o governador precisa fazer e não ser.
Precisa de um projeto mais pró-ativo. Eu respeito o atual governador Sartori, é um homem de bem, mas não é o que eu quero para o Rio Grande do Sul. Precisamos de mais, de um projeto transformador, injetando entusiasmo e melhorando o Estado. Quero trabalhar para isso, mas se neste processo meu partido identificar outro nome, estarei junto, pois não é o momento de vaidade, mas sim de solução.

Noroeste: Seu partido já esteve à frente do Governo do Estado e atentou para as contas públicas, mas a população não o reelegeu. No seu ponto de vista, qual foi o motivo para essa desaprovação?
Eduardo: Olha, o erro não foi por falta de atenção financeira. Foi um governo responsável e com as contas em dia. O problema foi de gestão política, comunicação e posicionamento da governadora. Comparado aos últimos governos, graças ao equilíbrio das contas, conseguimos reduzir custos para produzir investimentos. O governo teve problemas, criticas e polemicas, embora correto, mas foi desgastado.

Noroeste: A situação financeira do Estado te assusta?
Eduardo: Não me assusta, pois alguém terá que nos liderar. Eu quero que o Rio Grande tenha uma opção mais moderna, arrojada, que se recoloque a condição de competitividade, priorizando o recurso de forma mais apropriada. O Estado precisa estar no tamanho mais adequado para poder priorizar o correto. É uma situação sensível. O que defendo é que se faça uma campanha honesta, mostrando a realidade e o que precisa ser feito, deixando de lado os velhos chavões da política. Precisamos mostrar o que podemos fazer, e só, sem ilusão, franco e transparente.

Noroeste: A corrupção no Brasil é destaque em todo o mundo. O candidato a presidente de seu partido foi citado em delações com recebimento de propina. O partido está preparado para enfrentar as urnas?
Eduardo: Aécio foi afastado da presidência do partido, o que demonstra que o PSDB não é conivente. A corrupção infelizmente está não só na política, mas no cotidiano. A questão é como você lida com ela! Não somos coniventes e não defendemos partidários corruptos. O importante é como você lida com isso. O PT por exemplo continua defendendo o Lula, com todos os indícios. Fez “vaquinha” para soltar companheiros, o que para mim é uma postura condenável.
No PSDB temos situações e envolvidos, mas não os defendemos e não os toleramos. Aécio não retornou e não retornará à direção do partido.

NOROESTE: Uma pessoa jovem como você tem mais chance de ser aprovada pela população?
Eduardo: Pode ajudar as pessoas falarem de você, mas a pessoa precisa fazer sentido. A idade não é relevante, o que precisa é agir com atitude nova. Precisamos de idéias arrojadas, e isso indefere da idade.

Noroeste: Para encerrar, você é pré-candidato a algum cargo?
Eduardo: (...risos...) Olha! Possivelmente concorrerei a algum cargo, o qual ainda não está definido. Só garanto que não concorrerei a senador ou a presidente, pois não tenho idade mínima para isso.

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