HomeNOROESTE ENTREVISTA sexta-feira, 30 de junho de 2017 18:10

Comunidade São João abre urna guardada há 68 anos

Gilberto Krüger presidente da comunidade fala sobre a comemoração.

Um fato marcante e histórico à Comunidade Evangélica Luterana São João ocorreu em
outubro de 1948: o lançamento da Pedra Fundamental da nova igreja (hoje localizada na
esquina das ruas São Francisco e Santa Cruz). Os líderes da época decidiram reunir
documentos e uma série de registros daqueles tempos em uma urna de bronze lacrada. A urna permaneceu durante quase sete décadas fundida no alicerce do prédio. Foi aberta no último domingo, 25, como parte da programação dos 100 anos da comunidade. O centenário ocorrerá no dia 21 de outubro, mas um calendário de eventos já está sendo desenvolvido durante todo o ano.
A missão, também histórica, de retirar a urna coube ao presidente da comunidade, Gilberto Krüger. A abertura ocorreu após o culto da “Festa da Colheita” (culto de gratidão que anualmente é celebrado). Além de membros, o ato foi prestigiado pelo prefeito Alcides Vicini e pastores da Paróquia.
Gilberto, acompanhado das professoras Ingride Christ e Ana Maria Trommenschläger, que atualmente aprofundam uma pesquisa sobre a história da Comunidade São João, concedeu esta entrevista ao Jornal Noroeste.

NOROESTE: Que registros indicavam a localização e a data de abertura da urna?
GILBERTO: Temos a bênção de convivermos com um pequeno grupo de pessoas que testemunharam, mesmo que crianças na época, a colocação da urna. A decisão de abrir a urna foi nossa, pela importância que tem 2017 para os Luteranos e para a Comunidade São João.
NOROESTE: Que importância é esta?
GILBERTO: A nossa comunidade completa 100 anos no dia 21 de outubro. E no dia 31 de outubro, no mundo inteiro, os 500 anos da Reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero, será amplamente festejada.
NOROESTE: O centenário da Comunidade São João foi propositadamente projetado para coincidir com os 500 anos da Reforma?
GILBERTO: Não, foi uma coincidência. O comerciante Edmundo Pilz sentiu a necessidade de atendimento religioso para ele e familiares. Foi então lhe indicado o Pastor Albert Lehen-bauer, que atuava na Comunidade Luterana Trindade da Linha 15 de Novembro. Os primeiros cultos foram celebrados na casa de Edmundo Pilz. Da maneira que crescia a adesão de mais famílias, fundou-se, então, em 1917, a nossa Comunidade Evangélica São João.
NOROESTE: Voltando à urna. Sua abertura foi um ato marcante do presente, graças à iniciativa de um grupo de líderes de 1948. Quem eram os líderes da época?
GILBERTO: Nossos registros apontam Edmundo Scholze (presidente), Eugênio Haeberlin (vice-presidente), Heimberto Graffun-der (tesoureiro), Henrique Scholze (2º tesoureiro), Nelson Graebin (secretário) e Augusto Krebs (2º secretário). Nossas pesquisadoras conversaram na semana passada com Erica Schmidt, atualmente moradora de Três de Maio, que é filha do saudoso presidente Edmundo Scholze.
NOROESTE: Partiu dela alguma declaração marcante?
GILBERTO: Bem, hoje ela tem 81 anos, mas muito lúcida. Ela contou que ouvia pelas frestas das paredes as conversas da diretoria que se reunia na casa de seu pai. Muitas vezes ouviu o pastor chorar, em função das imensas dificuldades que a construção da igreja demandava aos membros.
NOROESTE: E como foram contornadas as dificuldades da obra?
GILBERTO: De várias maneiras, mas uma chama a atenção pelo aspecto afetivo e de desapego. Outra senhora, Lúcia Schlender, conta que na época cada filho ganhava uma roupa nova por ano (no Natal). Foi combinado entre o pai, a mãe e os filhos que num determinado ano o presente não seria dado e o valor revertido em favor da construção.
NOROESTE: O que continha o interior da urna?
GILBERTO: Uma edição do Mensageiro Luterano, uma publicação mensal da Igreja Luterana do Brasil; os Estatutos Sociais da comunidade escritos em alemão e português; uma lista de todos os membros da igreja em 1948; uma Bíblia; um Catecismo Menor, que ensina a lei e o evangelho às crianças; moedas; exemplares do Correio Povo e do jornal A Serra, entre outros documentos.
NOROESTE: O Jornal “A Serra” da urna fazia alguma referência à Comunidade?
GILBERTO: No pé da primeira página, tinha a seguinte manchete: “Lançamento da Pedra Fundamental”, seguido do seguinte texto: Terá lugar hoje, nesta cidade, o lançamento da Pedra Fundamental da Igreja Evangélica Luterana São João, às 9 horas, no local do antigo cemitério de Santa Rosa.
NOROESTE: O que fará a Comunidade com os documentos da urna?
GILBERTO: Todo o material será guardado em um museu da Comunidade e cópias serão reproduzidas para que os membros e até outras pessoas da cidade possam manusear.
NOROESTE: Você referiu que existe um pequeno grupo de pessoas que convivem com a Comunidade e que esteve junto no ato da colocação da urna. Quem são estas pessoas?
GILBERTO: Nós não sabemos exatamente quantos ainda estão entre nós, porque o mais novo terá no mínimo 68 anos. Porém, tivemos a felicidade de identificar 12 presenças históricas daquele momento. São eles: Lúcia Schlender, Edgar Musskopf, Ruth Kappel, Lucilda Vorpagel, Arnildo Vorpagel, Siegfried Krebs, Nelda Mallez, Jeni Garcia, Iris Winter, Tereza Krebs, Nelsi Krebs e Beatriz Riske.
NOROESTE: Vamos destacar o Centenário da Comunidade São João. Que pontos da programação, entre os maiores, já foram cumpridos?
GILBERTO: Podemos destacar uma campanha de doação de alimentos para o Lar do Idoso, cantata de Páscoa nos hospitais, pintura do templo e sua nova iluminação. Outras ações marcam o número 100, do Centenário da presença da São João na comunidade santa-rosense e regional. Aí citamos 100 doações de sangue e 100 plantios e cuidados de mudas de árvores no Distrito Multissetorial.
NOROESTE: Atividades futuras...
GILBERTO: Confecção e entrega de 100 peças de forro de cama para o Hospital Dom Bosco, distribuição de agasalhos para uma vila ainda não definida, Café com Fé para trabalhadores da construção civil e o mesmo café para os garis. Está em execução a revitalização da Rótula São João, com destaque para o símbolo da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB). Retomaremos cantatas, só que nas ruas da cidade, com o nosso Coral e Grupo de Sopro. Estamos com uma campanha de livros novos e usados que permanecerão em frente à igreja, à disposição de quem passar por lá. Nossa expectativa é que os livros sejam devolvidos depois de lidos. E temos outras ações pela frente. O encerramento da programação será no dia 22 de outubro, um domingo, no Parque de Exposições, com um grande evento que oportunamente será divulgado.
NOROESTE: Quantos membros congregam a Comunidade Evangélica Luterana São João?
GILBERTO: Hoje contamos com aproximadamente 1,5 mil membros residentes em Santa Rosa, no interior e alguns de outras cidades da região.
NOROESTE: Como se define a estrutura organizacional da Comunidade?
GILBERTO: A maior autoridade é a Assembleia que norteia as ações da diretoria que eu presido e da qual faz parte o Pastor Ivaldo Pinheiro. Seguem depois 13 Departamentos: Servas (senhoras), Leigos (homens), Juventude, Juventude Mirim, Escola Dominical (culto e estudos especiais para crianças), Casais, Comunicação, Música, Ação Social, Diaconia, Recepção, Idosos e Grupos Familiares.

 

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