HomeNoroeste Entrevista sexta-feira, 15 de setembro de 2017 14:42

Desafios da gestão da cultura e do esporte

Rafael Rufino fala sobre estar a frente da Secretaria Municipal.

Rafael Rufino, filho do ex-vereador Nerci e de Ida, é natural de Santa Rosa, especificamente do Bairro Sulina, onde tem uma grande ligação comunitária, sentimento repassado pela família ao longo dos anos. Hoje vive em comunhão estável com Alexsandra Cristina Kafer, que espera um filho seu.

Com 30 anos, graduado em direito pela Unijuí e pós-graduando em direito previdenciário, conta que entrou no serviço público municipal em abril de 2016 quando foi chamado para assumir vaga de agente administrativo na Fumssar. Antes disso, entre 2011 a 2015, foi Coordenador Regional da FGTAS/SINE, lotado a época em Santo Ângelo e assessorou o deputado Aloísio Classmann. Rafael assumiu neste ano a Secretaria de Desenvolvimento da Cultura e do Esporte, e tem pela frente a missão de promover ações mesmo com cortes diretos em sua pasta.

NOROESTE: Como a gestão da cultura entrou na sua vida?

RAFAEL: Na verdade sempre gostei da cultura tradicionalista e do esporte nem se fala. Acho que um vem de encontro com o outro. Na gestão da cultura comecei quando assumi a presidência da Escola de Samba Unidos da Sulina. Foi algo novo, e passei a ver de outra forma o trabalho da produção cultural, ainda pouco incentivada pela iniciativa privada. Naquela época sentimos na pele a dificuldade de garantir aporte financeiro, oriundos da iniciativa privada, ficando dependentes do recurso público. Foi uma experiência muito positiva, que hoje me auxilia no trabalho que estamos desenvolvendo.

Quanto mais investirmos em cultura e esporte os resultados bons virão a médio e longo prazo. A cultura nos abre a mente e nos da uma posição de senso mais critico, pensando mais e deixando apenas só de trabalhar, mas abrir a mente para novos caminhos.

NOROESTE: Como foi e está sendo o desafio de fazer gestão?

RAFAEL: Incluir gestão é extremamente importante, principalmente neste momento complicado que os municípios passam com a redução de recursos públicos federais e estaduais, que afetam diretamente o nosso caixa. Algumas pesquisas estimam que 70% da arrecadação vai para Brasília, ficando mínima parte para os municípios. Na hora de investimento direto, sobra aos municípios essa responsabilidade.

A União e o Estado, por exemplo, praticamente só investem na cultura, via ações de renúncia de receita, pela lei Rouanet e LIC. O grande desafio que vejo no momento, é ser criativo, dialogar, e aí entra a importância do Conselho Municipal que muito nos auxilia a quebrar barreiras, dentre elas, apresentar bons projetos nas leis de incentivo para que possamos aprimorar as atuais ações desenvolvidas, além de fomentar novas.

Como desafio, quero lutar para buscar mais investimentos em cultura e esporte, pois os resultados virão a médio e longo prazo, seja no bem estar, economia, saúde, etc.

Fazer gestão é alavancar prioridades, motivar equipe e trabalhar junto em busca de objetivos. Claro, sem deixar de aplicar os recursos de forma correta e trabalhando com muita ética e transparência.

NOROESTE: Como fazer cultura e esportes com a redução de repasses?

RAFAEL: Primeiro passo é demonstrar para a comunidade a importância deste trabalho e seus reflexos. Os investimentos são necessários, embora tenhamos recessão de recursos, mas precisamos demonstrar nossas forças. Acredito que não há uma cidade que atenda todas as demandas culturais e esportivas com financiamento direto. Cabe aos agentes culturais e esportivos compreender isso e nos ajudar a buscar alternativas. Mesmo com a redução orçamentária, o prefeito Vicini manteve a Secretaria, unindo-a com o Esporte e está nos atendendo para que as ações sejam realizadas e isso nos alegra, pois demonstra a sua preocupação com a área. Cabe a nós como gestores fazer com que as ações sejam garantidas. Realizamos uma Feira do Livro com ampliação nos investimentos, além do Festival de Teatro, fora outros eventos importantes que não demandam um volume expressivo de recursos. Nós cancelamos o Carnaval, mas garantimos o Fundo Municipal de Cultura que incentiva a produção cultural, atendendo diversos segmentos. Melhoramos alguns eventos esportivos, dentre eles, aberto de futsal, futebol de campo, e também obras no estádio Carlos Denardim.

NOROESTE: A Secretaria aposta em parcerias para realizar ações?

RAFAEL: A grande parte dos eventos são com recursos livres. Temos parcerias com restaurantes, algumas empresas, além das entidades. Não no quesito ingresso financeiro propriamente dito, mas sim na disponibilização de serviços por eles prestados, que muito nos ajuda. Talvez o grande parceiro nosso seja o SESC que traz atrações frenquentes para Santa Rosa, além de todo o sistema S que está sempre presente nas ações culturais e esportivas. Estamos agora intensificando conversas com produtores culturais para atrairmos projetos com apoio de leis de incentivo à cultura, como relatado na pergunta sobre os desafios. Para isso estamos qualificando a nossa equipe na área e vamos intensificar também o contato das empresas para que elas possam ser parceiras neste processo. Deixo claro que não se trata de uma maneira de omissão ou desejo de não querer investir recursos próprios, mas sim uma possibilidade de melhorarmos nossos projetos e buscar novas ações. Tenho como meta procurar parcerias para investimento na infraestrutura cultural e esportiva, dentre elas, reforma em bibliotecas, museus e Centro Cívico, quadras esportivas, campos de futebol, etc. Já viabilizamos uma com o proprietário do Cine Globo, que resultou na captação de R$ 220 mil para realização das reformas no Centro Cívico. Assim seguiremos atrás, seja via leis de incentivo ou programas federais, os quais já cadastramos propostas que somam em torno de R$ 1 milhão, junto ao Ministério do Esporte e Justiça.

NOROESTE: A falta de apoio de empresas para viabilizar projetos com incentivos pode ser mudada?

RAFAEL: Sim, estamos trabalhando para isso. O exemplo para ser seguido é o da SER Santa Rosa que aprovou um projeto via Lei Pró Esporte e garantiu um aporte financeiro expressivo com a iniciativa privada. Talvez o fato de no passado faltarem projetos deste nível, fez com que os empresários não apoiassem. Temos bons produtos que são a cultura e o esporte, e no momento que conseguirmos demonstrar a importância e os reflexos positivos para a sociedade, tenho a certeza que nossos empresários serão parceiros. Um dos projetos trata de reforma em bibliotecas, museus e espaços de cultura. É uma forma de melhorar os nossos eventos.

NOROESTE: Como você avalia sua equipe?

RAFAEL: Estamos com um time completo e comprometido. Temos dois promotores de eventos, gerência de eventos, de infraestrutura, além de diretores de cultura e esporte. E todo o quadro veste a camiseta para manter e realizar nossas ações. Estamos hoje com a segunda maior estrutura física para manutenção de espaços públicos, estando atrás apenas da Educação, e talvez ainda precisamos de um reforço na área de infraestrutura.

NOROESTE: Quais oficinas ofertadas pela Secretaria?

RAFAEL: Só em oficinas estamos investindo cerca de R$ 100 mil e agindo diferente, promovendo a descentralização e ampliação ao acesso de nossas ações. Na dança, além de manter as atividades na região central e na praça CEU das Artes de Cruzeiro, estamos levando oficinas para os bairros Sulina e Planalto, inovando ainda na disponibilização de turmas para adultos. Na literatura temos um novo projeto que visa a produção literária e formação de novos escritores, sendo que os alunos participantes lançarão um livro conjunto com suas produções. Ainda destacamos as oficinas de teatro, onde colhemos boas apresentações dos nossos grupos, apresentações essas que proporcionaremos para as comunidades do interior do nosso município. Importa falar das oficinas de música, que ensinam gaita, teclado, técnicas vocais e violão, envolvendo um grande número de crianças e jovens.

É um trabalho que colhe frutos positivos e incentiva esta gurizada focando na formação de novos admiradores da cultura. O próximo passo é fazer com que comunidades do interior também tenham acesso aos projetos, levando para os locais estas iniciativas.

Estamos licitando também o transporte para quando tivermos disponibilidade financeira apoiar a ida de grupos que representam as oficinas para participarem de eventos e festivais fora do município.

NOROESTE: Como a produção cultural é fomentada?

RAFAEL: É uma soma de ações. As oficinas citadas anteriormente auxiliam os eventos que têm papel importante. Somadas às ações de descentralização que estamos realizando, apoio a entidades para realização de espetáculos, disponibilização de estrutura, como exemplo nosso Centro Cívico que recebe diversas atrações, são um bom caminho levando peças teatrais. Ainda, o papel do Fundo Municipal de Cultura é a forma legal para que novos projetos sejam criados e fomentados. Cito como exemplo a Orquestra de Violões que teve sua origem via o FMC e hoje se autossustenta, se apresentando em diversos municípios de nosso Estado. Estamos incentivando a Banda Municipal, a orquestra jovem, Coral Ecumênico 24 de Julho, dentre outras.

NOROESTE: E a obra do Centro Cultural por que não avança?

RAFAEL: Estamos no processo de adaptação do projeto básico que está cadastrado no Ministério da Cultura. Tivemos algumas divergências, mas que a equipe técnica está corrigindo para daí então, o Ministério reavaliar e proceder a liberação do recurso. Instalamos esquadrias recentemente, o que soma em torno de R$ 50 mil de recursos próprios investidos.

NOROESTE: E a reforma do Centro Cívico?

RAFAEL: A primeira licitação resultou fracassada, pois a empresa estava inabilitada e não apresentou documentação necessária. Fizemos a segunda licitação e tivemos problemas com falta de documentos da licitante. Agora a vencedora tem prazo de entregar a documentação necessária e se for aprovada esperamos iniciar a obra ainda no dia 25 de setembro. Tivemos inclusive que cancelar o Festival Santa Rosa em Dança, pois não teria local adequado para realizar. Agora se não sair a obra neste período não teremos como realizar, pois não temos tempo hábil para organizar e realizar as devidas contratações.

NOROESTE: A experiência na gestão pública te faz sonhar mais alto?

RAFAEL: Sim, não escondo que gosto de fazer política, a boa política, que aprendi com meu pai e aprendo constantemente com o Prefeito Vicini. Neste momento foco no aprendizado. Quero cursar algo em gestão pública buscando adquirir novos conhecimentos e experiências. A bagagem do meu pai como vereador e a nossa vivência na comunidade, me instiga em destinar meu conhecimento, disposição e tempo na defesa dos interesses da nossa gente, batalhando por uma Santa Rosa cada vez melhor. O futuro dirá quais os passos devo seguir.

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