HomeNOROESTE ENTREVISTA sexta-feira, 16 de junho de 2017 08:54

Em busca de aprendizado no outro lado do mundo

Gabrieli Mylena Mendes participou de Intercâmbio em Taiwan.

Gabrieli Mylena Mendes, 16 anos, filha de Cléia Mendes e Claudio Bogler, viajou no dia 18 de agosto de 2016, para Taiwan,Republica da China, em busca de conhecimento, pelo Programa de Intercâmbio de Jovens do Rotary Internacional. Gabi, como é chamada pelos amigos integra o Rotary Clube Santa Rosa Júnior, presidido por Rogério dos Santos Ferreira. A jovem permaneceu em Taiwan nove meses, e retornou a Santa Rosa na última semana.

Gabi chegou no dia 20 de agosto, conviveu com três famílias. Estudante de escola pública, Polivalente DE Santa Rosa, a jovem teve a oportunidade de adquirir experiências, tanto na língua estrangeira, quanto no aprendizado. Hoje, após este período a jovem traz na bagagem aprendizado e vivencia, mesmo com 16 anos apenas.

NOROESTE: Qual foi sua primeira impressão em chegar em Taiwan?

GABI: Primeiro achei que as pessoas seriam fechadas, retraídas, mas mudei meu ponto de vista assim que cheguei. Eles são acolhedores, preocupados com o bem estar. Fiquei surpreendida. Eles são carinhosos, atenciosos e sempre prontos a ajudar. Lembro das vezes que batia a saudade e as pessoas que conviviam comigo faziam pratos brasileiros para eu me sentir mais confortável.

NOROESTE: Qual o perfil taiwaneses?

GABI: Primeiro que aprendi que são todos de confiança. Uma vez estava com duas amigas no metrô e estávamos indo para uma praia, mas não sabíamos como chegar até lá. Uma senhora que estava no nosso lado, se ofereceu e nos levou até o local. Isso aconteceu inúmeras vezes em diversas situações. Eles são acolhedores e nos ajudam em tudo.

NOROESTE: Quais são as coisas que mais te surpreenderam?

GABI: Primeiro é um lugar muito seguro. Lembro que ter visto dois policiais em todo o período que estive lá. Lá não se tem o hábito de usar calçados dentro de casa, aí todos os deixam na porta de suas residências, e quando voltam lá está. Não lembro de ter presenciado assalto ou qualquer ocorrência de violência. Um amigo intercâmbista perdeu seu celular e dois meses depois ligaram para ele comunicando que haviam achado. A Polícia o procurou dizendo que as pessoas haviam entregues. Nas lojas as pessoas se auto atendem, pagam, etc, e funciona muito bem. Eles não buscam proveito em cima das coisas dos outro, sabem respeitar.

NOROESTE: Do que você mais sentiu falta?

GABI: Primeiro da minha família, mas tinha contato diário com eles, embora não seja a mesma coisa. Da comida, muito, pois lá eles não comem de garfo e faca, tive que aprender a usar “hashi”, foi um pouco dificil no início, mas aprendi, lá tudo se comia com hashi. Senti falta dos amigos, das junções de aniversários e família, pois lá é algo que não acontece. No aniversário de filha da família onde eu estava, no seu aniversário foi comemorado apenas com um bolo e os que residiam na casa. Sem convidar outros parentes. Aqui nós juntamos todos.

NOROESTE: A língua foi um grande problema?

GABI: No início foi difícil, pois eles falam chinês,(mandarin) e apenas uma filha sabia um pouco de inglês. Lembro que nos comunicávamos através de sinais e mímicas. Depois de três meses passei a entender um pouco da língua e a comunicação com as pessoas foi mais fácil. Falo e entendo o inglês fluentemente, o que facilitou bastante. Mas as pessoas, como já disse, são acolhedoras e procuravam entender.

NOROESTE: Qual a diferença das escolas?

GABI: As escolas públicas e particularem têm a mesma qualidade de ensino. Em Taiwan, freqüentei uma escola pública e me surpreendi principalmente com a proposta curricular. Lá eles priorizam o conhecimento de filosófica, direito, direito do consumidor, economia, a matemática e as matérias básicas são abordadas nos primeiros anos, e no ensino médio é mais currículo para a vida, voltada a formação das pessoas. Outra diferença é de que na China todas as escolas adotam o turno integral. Chegava de manhã e ficava até a noite.

NOROESTE: Na culinária, qual a maior diferença?

GABI: Olha, para começar, eles comem com hashi. O prato principal é peixe e a forma de eles cozinhar é muito diferente, pois não usam muito sal e óleo de cozinha. A comida é bem natural. O arroz, por exemplo eles apenas cozinham e não o fritam, e sem sal. Eles têm muito molho, para temperar principalmente a carne. Os molhos são usados em praticamente todos os pratos. Senti muita falta da carne e da batata. É raro eles consumir e encontrar no mercado, pois não faz falta da cultura. Outra coisa que eu senti falta foi dos doces, o que inexiste lá. Senti muita falta, a sobremesa é feijão doce, algo raro.

NOROESTE: Dos lugares e das cidades que passou, o que mais te chamou a atenção?

GABI: Os templos budistas, que fazem parte da religião predominante. Para eles é muito importante e valorosos. São lugares fantásticos, e que levaram mais de 10 anos para serem construídos.

NOROESTE: Sobre a arquitetura de Taiwan?

GABI: Tive a oportunidade de conhecer o Taipei-101, a terceira maior construção do mundo, que dentro possuem lojas famosas, com marcas conhecidas em todo o mundo. Me encantei com o Chiang Kai-shek Memorial Hall Taipei, que é um memorial de um ativista que decidiu deixar a China e fundar Taiwan. A cada três acontece uma cerimônia emocionante, que relembra a luta e respeito ao homenageado. Parques são inúmeros, principalmente na capital do país, mas lá são muitas restrições. É proibido fumar e mascar chicle, inclusive com penalidade de multa. Os seguranças controlam muito, e se alguém sujar, ou desrespeitar os visitantes, são multados.

NOROESTE: Algo que te impressionou?

GABI: Em Taiwan tem muito terremoto, as construções são adaptadas com túnel e saídas de emergência. Convivi com três terremotos. O primeiro aconteceu durante a noite, eu estava dormindo e ouvi meu abajur cair no chão, e minha irmã me orientou a ficar deitada na cama. Os outros dois são foram mais tranqüilos. Também passei por um tufão, com chuvas fortes com ventos. Não podemos sair de casa, foi impressionante. Dependendo dos prejuízos nos ficávamos dois ou três dias sem ir para a escola.

Eles sabem quando vai acontecer as intempéries e recebemos um alerta de emergência. Mas o impressionante é que após os prejuízos ocorrerem, em menos de dois dias a cidade está refeita. Tipo o exemplo do asfalto próximo a minha casa. Rachou e em menos de dois dias estava refeito. Algo muito ágil, comparado ao Brasil.

NOROESTE: Sonha em continuar o intercambio?

GABI: Eu convivi muito com uma menina mexicana, a Fernanda Valdez, ela era intercambista e minha colega na escola. Pude conhecer um pouco mais sobre o país e principalmente tive a oportunidade de aprender o espanhol. A Fernanda não gostava de falar em inglês, e adotamos o espanhol, hoje falo fluente, graças a ela. Depois disso, meu sonho agora é tentar um intercâmbio no México e conviver novamente com os amigos que fiz de lá.

NOROESTE:Como foi voltar?

GABI: Estava com muita saudade da família. Os rever foi uma grande alegria, pois fui recebida no aeroporto por quase toda minha família em Porto Alegre, foi uma grande emoção. Não posso deixar de agradecer o Rotary de Santa Rosa que foi fundamental para a realização do meu sonho com sucesso. Tive todo o apoio necessário.

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