HomeNOROESTE ENTREVISTA sexta-feira, 12 de maio de 2017 15:42

ETA que nunca termina

Entrevista com Jauro Nascimento, gerente da Corsan.

No dia 29 de junho de 2010 foi assinada a ordem de início das obras da nova Estação de Tratamento de Água (ETA) do Bairro Cruzeiro. Em agosto, depois de instalados os canteiros de obras, iniciaram as primeiras escavações. A previsão para a entrega do projeto era para o início de 2012. Passados cinco anos, a estação ainda não entrou em operação.

A nova ETA foi projetada a partir do novo contrato de concessão firmado entre a Prefeitura e a Corsan, durante o Governo Orlando, permitindo que fossem bombeadas água do Rio Santa Rosa e tornasse a cidade autosuficiente em qualquer situação de abastecimento, porque a captação do Rio Santo Cristo será mantida.

Aliás, Santa Rosa vive uma situação raríssima entre os municípios brasileiros. Enquanto uns são abastecidos através de poços artesianos (a grande maioria), outros captam, água de um apenas um rio e em vários casos com suas limitações. Aqui, dois rios cortam o município e ambos próximos da zona urbana: Santo Cristo e Santa Rosa.

A nova ETA tornou-se necessária, porque consumidores de água potável do Bairro Cruzeiro, por alguns considerada a quarta maior cidade da região, vive com problemas frequentes de abastecimento. Quando por qualquer motivo técnico falta água no centro, Cruzeiro, pela posição geográfica, posicionando-se na ponta da rede, é a última zona a ser reabastecida.

Jauro Nascimento, gestor do Escritório da Corsan em Santa Rosa, auxiliado pelo engenheiro civil André Luis Guerra, gestor do Departamento de Obras Missões, concede esta entrevista exclusiva para clarear vários pontos.

NOROESTE - Por que tanta demora para uma Estação que deveria estar funcionando desde 2012?

JAURO - Vários problemas ocorreram, mas para simplificar a resposta, elencamos, talvez não pela ordem, os principais: a Caixa Econômica Federal suspendeu pagamentos em 2011 por divergências na interpretação dos projetos. Só aí, a obra paralisou um ano. Depois vieram problemas com o embargo da obra de parte do Ministério do Trabalho, porque a empresa Sul Cava não estava cumprindo normas de segurança. Mais meio ano a obra parou. Em três ocasiões problemas de enchentes no Rio Santa Rosa danificaram as obras de construção da barragem, tendo que ser refeitos boa parte dos serviços. Pelo menos nove meses a obra teve que ser refeita na barragem.

NOROESTE - Em 2012 a obra estava orçada em quanto?

JAURO - A Sul Cava venceu a licitação para uma obra orçada em R$ 13 milhões.

NOROESTE - Com os problemas imprevistos citados, surgiu a necessidade de novos aditivos?

JAURO - As revisões do projeto, que sempre apontam a troca de equipamentos, atualização de tecnologia, criaram pelo menos 12 novos aditivos contratuais, elevando o valor final para R$ 18 milhões.

NOROESTE - O que falta hoje para dar a nova ETA por concluída?

JAURO - Conclusão de um reservatório no pátio da Estação, instalações eletromecânicas, compra e instalação de válvulas de controle e acabamentos das obras civis (pintura, equipamentos de segurança e pavimentação das vias internas).

NOROESTE - Vocês arriscam uma data para a entrega das obras?

JAURO - É difícil prever uma data, porque a questão eletromecânica depende de fornecedores terceirizados. Mas, se tudo correr bem, até o final do ano ou lá por janeiro ou fevereiro de 2018, precisamos concluir o projeto.

NOROESTE - A partir daí, que locais da cidade serão abastecidos pela nova ETA?

JAURO - Bem, primeiro nós teremos uma fase de testes que poderá ter um prazo rápido, meio ou até longo, dependendo dos eventuais problemas que poderão surgir em toda a estrutura. A nova ETA vai abastecer o Bairro Cruzeiro e o Bairro Central.

NOROESTE - São duas ETAs para duas regiões da cidade ou haverá sincronia entre ambas, para socorrer situações de desabastecimento?

JAURO - Num primeiro momento a ETA atual fornecerá água para o centro e os demais bairros em direção ao Rio Santo Cristo, onde fica a captação de água. E a nova estação, conforme já foi dito, levará água aos lares dos bairros Cruzeiro e Central. Porém, quando uma das duas zonas conviver com problemas de abastecimento de qualquer ordem, a ETA que estiver operando normalmente vai socorrer a parte afetada.

NOROESTE - A ação de socorro está prevista no projeto?

JAURO - Sim, mas ainda não foi executado o sistema de bombeamento alternativo.

NOROESTE - Quantos consumidores a Corsan tem registrados em seu cadastro?

JAURO - São cerca de 32 mil unidades consumidoras residenciais, comerciais e industriais, além de setor do público.

NOROESTE - Em média, que quantidade de água Santa Rosa consome atualmente?

JAURO - Cerca de 17 milhões de litros por dia, concentrando-se o maior consumo na sexta e na segunda-feira.

NOROESTE - Qual a capacidade de geração de água potável da ETA atual?

JAURO - Estamos praticamente no limite da produção máxima necessária.

NOROESTE - Santa Rosa consumir 17 milhões de litros de água/dia está dentro de algum parâmetro continental ou internacional?

JAURO - Desconheço algum estudo internacional, até por que cada país vive uma situação diferenciada. O que pode chamar a atenção e levar o santa-rosense a uma meditação sobre o tema, é que cada um morador da cidade gasta em média 230 litros de água por dia. É um consumo que podemos classificar de elevado.

NOROESTE - Qual será a capacidade de produção potável da nova ETA de Cruzeiro?

JAURO - No início poderá atingir uma produção de 10 milhões de litros por dia, mas, se necessário, a capacidade pode dobrar com novos investimentos.

NOROESTE - Isso significa que viveremos uma situação de plena tranquilidade durante um futuro longo?

JAURO - Pelo menos os números e os projetos apontam para isso.

NOROESTE - Encaminhando o final da entrevista, saindo da água e abordando o sistema de esgotamento sanitário. Quantos km de rede de esgoto a cidade possui?

JAURO - Estamos chegando a 50 km de rede de esgoto, o que corresponde a 30% da malha de água aos consumidores.

NOROESTE - Que índice a Corsan vem obtendo de adesão do morador ao esgoto?

JAURO - É uma adesão ainda baixa, de em torno de 15%. Para combater isso, em breve será implantada a cobrança pela disponibilidade da rede. Ou seja, tem água e gastou X, como tem rede de esgoto disponível, mais Y (70%) será acrescido na conta final. Vale a ressalva de que faremos uma campanha para atrair as pessoas à proposta. Quem não aderir, a Corsan cobrará o dobro do esgoto devido. A cobrança tem apoio do Ministério Público e autorização da AGERGS - Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos.

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