HomeNOROESTE ENTREVISTA segunda-feira, 12 de junho de 2017 08:31

Jovens empreendedores colhem frutos de uma boa gestão

Conheça o trabalho dos jovens Guilherme e Mateus Walker.

Idealizada há 25 anos por Elton Walker, a Central Peças vive um novo momento desde o início de 2016, quando o empresário passou aos poucos a incentivar e aproveitar a mão de obra que tinha dentro de sua casa. Foi quando os jovens Guilherme, 25 anos e Mateus, 21 anos, passaram a participar diretamente da gestão da empresa, abrindo a primeira porta para a sucessão familiar, uma experiência que já colhe resultados positivos para a “Família Central Peças”, como Guilherme e Mateus fazem questão de manter no dia-a-dia.

A decisão foi fácil para os dois. Ambos haviam se criado dentro da estrutura e conheciam seu funcionamento. Guilherme graduou-se em Engenharia Civil, pela Universidade de Passo Fundo e residia em Porto Alegre, quando começou a intensificar seu relacionamento como gestor da empresa. Mateus estava em Santa Rosa, onde cursa Administração de Empresas, na Unijuí, e daqui acompanhava os primeiros passos e as primeiras experiências.

Os jovens contam que desde cedo, seu pai Elton, mostrava de onde vinham os ganhos, e sempre os orientou a dar valor às conquistas. “Ele nos ensinou o que é gestão”. Os empreendedores contam que tiveram a oportunidade de incluir planejamento e hoje os resultados são satisfatórios. Há cerca de um mês a Central Peças inaugurou a sua primeira filial, em Ijuí, administrada por Mateus, com 10 colaboradores. A matriz, situada em Santa Rosa conta com 40.

NOROESTE: Quando o empreendedorismo entrou em suas vidas?

Guilherme: Eu não ganhava mesada, e vivia na empresa. Ainda adolescente, notei que a oficina gerava muita sucata. Foi aí que eu, junto com um amigo, que era filho do mecânico da Central, resolvemos juntar o material e comercializar no ferro velho. Vendíamos e dividíamos ao meio o valor, tendo assim minha própria mesada.

Mateus: Lembro que no turno inverso ao da escola eu vinha com meu pai à Central. Meu primeiro trabalho foi de auxiliar do motoboy e depois auxiliar de entrega. Aos poucos conheci as peças e os clientes. Lembro também quando éramos crianças que a casa onde morávamos passou por reforma e ficamos um tempo no festeiro, que fica atrás da loja. Passamos todo o tempo possível aqui dentro. Ajudávamos a vender, trazer peças. Talvez tenha sido um dos estágios mais importantes para a nossa formação.

NOROESTE: Para que vocês assumiram a Central?

Guilherme e Mateus: o principal objetivo é junto com a experiência do nosso pai, “oxigenar”, sair um pouco do comodismo. Seria mais fácil nos instalar aqui e apenas continuar o trabalho. Nós entendemos que podemos mais. Nos estruturamos, tudo com o desejo de crescimento. Apenas manter não seria sustentável para o futuro.

NOROESTE: De quem partiu a decisão de auxiliar na empresa?

Guilherme e Mateus: A ideia veio de nós. Nosso pai nunca nos forçou a nada. Sempre nos apoiou nos sonhos. Mas ele ficou muito feliz quando o procuramos para participar daqui.

“Um ano antes comecei a acompanhar as planilhas de custos e vendas. Vi a oportunidade de melhorar e hoje nosso dia é feito por desafios. Queremos mais”, conta Guilherme.

Noroeste: Qual o objetivo de vocês?

Guilherme e Mateus: Nosso projeto é bem ambicioso. Abrir a primeira filial foi o primeiro resultado positivo. Isso sempre foi o sonho do nosso pai, mas faltava tempo para se empenhar no projeto. Pessoas, valores e energia. Abrimos a empresa sabendo que isso dependia de nós dois. Ele nos deu aval. Nós puxamos a frente e ele sempre acompanha tudo. Como montar, como agir. Gostamos do que nós fazemos. São dois perfis diferentes. Um cuida das contas e outro das compras, vendas. Apostamos em ajustes.

NOROESTE: Qual a relação hoje de vocês com o seu pai dentro do negócio?

Guilherme e Mateus: Ele continua nos administrando, nos mostra o caminho. Nós apresentamos os projetos e é ele que aprova e da o aval para que possamos seguir. “Moro em Ijuí e o primeiro contato do dia é com ele. Tenho uma reunião diária, colocando-o dentro de tudo que acontece, e junto decidimos os próximos passos”, diz Mateus.

O pai continua, mas tem apostado muito em nós. Temos feito investimento que dão lucros. Não fizemos nada sem o concentimento deles. Nós vamos puxando e quando obtemos resultados positivos nós ampliamos as metas. No ano passado, por exemplo estipulamos metas e as superamos. Fizemos um planejamento, conquistamos a confiança dos colaboradores, o que resultou no melhor resultado da história da Central.

NOROESTE: Como vocês encaram a crise econômica do país?

Guilherme e Mateus: Olhamos a crise como um período de oportunidades. Blindamos a empresa destas incertezas fazendo investimentos. Apostamos em treinamentos e contratamos mão de obra qualificada.

NOROESTE: Qual a importância dos 50 colaboradores neste processo?

Guilherme e Mateus: A liderança talvez seja o melhor caminho para os resultados positivos. São os colaboradores que fazem nossa empresa crescer. Hoje apostamos neles, queremos que eles tenham seus sonhos realizados, nos tratamos como uma família. São através dos questionamentos da equipe, suas experiências e seu contato final com o cliente, que obtemos os resultados desejados. O crescimento da equipe faz com que a Central cresça. Isso transmitimos dos novos aos mais antigos. Se o colaborador e sua família está bem, nós estamos.

NOROESTE: O que a Central tem que vai mudar?

Guilherme e Mateus: Ao longo dos 25 anos, nosso pai consolidou uma cultura de empresa/consumidor. A cultura de relacionamento que é tradição nos impressiona e é considerado o mais efetivo e consolidado. Mudamos apenas o design focando para isso. Nossa marca faz a relação “Você precisa? A Central resolve”, o que continuará pela nossa existência.

Está no nosso DNA o bom relacionamento. Buscar ajudar sempre o cliente, resolvendo seu problema. O cliente procurou o serviço, fazemos o possível e o impossível para ajudar. Se precisar indicamos outra empresa que possa oferece o serviço. Resolvemos na hora.

NOROESTE: Quais foram às mudanças adotadas?

Guilherme e Mateus: A transparência nas ações, pois hoje os colaboradores têm acesso aos resultados. É tudo claro e objetivo, desde tarefa e os grandes motivos de nos darmos bem na empresa. Cada um sabe onde é melhor. Investimentos por exemplo em uma consultoria que mostrou que nossa conta corrente é nosso estoque e a melhoria é continua, com um planejamento anual. Trouxemos para dentro da empresa com a contratação de profissionais com formação na área.

NOROESTE: Quais os avanços alcançados?

Guilherme e Mateus: Apostamos na distribuição. Hoje temos três vans que distribuem diariamente peças em 58 municípios da região, com resultado superior às expectativas. Ouvindo os clientes apostamos no telemarketing. Resolvemos um problema e conseguimos os resultados claros. Nosso balcão ficou mais bem organizado e notamos que as reclamações zeraram.

Noroeste: Quais são os próximos passos e os novos investimentos?

Guilherme e Mateus: Estamos trabalhando na estruturação da empresa e melhoria do estoque. Está em fase de construção um novo anexo da loja, onde vamos recolocar os escritórios e as vendas. Depois disso construiremos um novo salão de atendimento. Vamos ampliar também a área de estoque. Já temos uma filial e queremos mais. No prazo de cinco anos entraremos em outras cidades. Está no cronograma também a criação de um Centro de Distribuição, ou seja, um deposito para abastecer as filiais e ainda destinar para outras empresas que revendem nossas peças.

 

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