HomeNoroeste Entrevista segunda-feira, 23 de outubro de 2017 07:34

O desafio de quem produz

O Jornal Noroeste conversa nesta semana com Eduino Wilkomm, que fala dos desafios e projetos futuros da cooperativa.

Eduino Wilkomm tem 58 anos e destes, oito são dedicados exclusivamente para a Cooperativa Tritícola Santa Rosa Ltda. Casado com Ilori, tem dois filhos, Marlon e Geison. Nasceu em Santa Rosa, se criou em Lajeado Capim, interior do município. Hoje produtor e associado, conta que estudou até o ensino fundamental, o que não o impediu de desenvolver-se. Não cursou faculdade, mas afirma que aprendeu muito nos oito anos e meio à frente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Ele considera esta experiência como um terceiro grau. Isso o capacitou para encarar novos desafios, trazendo inclusive a oportunidade de assumir a presidência da Cotrirosa.

O Jornal Noroeste conversa nesta semana com Eduino, que fala dos desafios e projetos futuros da cooperativa.

NOROESTE: Qual a sua história a frente da Cotrirosa?

Eduino: Minha relação com a cooperativa começou em 1986 como associado. Em 1997 passei a integrar o Conselho de Administração, ficando lá por 12 anos como conselheiro. Nos últimos oito anos e meio também estive na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Rosa.

Assumi como presidente da cooperativa em 2009 e fui reeleito em março deste ano. Neste período, juntamente com os demais integrantes da diretoria e equipe de gestores, sempre procuramos realizar nossas ações com foco na melhoria da qualidade de vida das famílias associadas, que são a razão da existência da Cotrirosa.

Quando assumi como conselheiro e depois como presidente, a Cotrirosa era uma das maiores cooperativas da região, e estava em constante crescimento. Enfrentamos os desafios e adotamos algumas estratégias para dar continuidade aos avanços e mantê-la fortalecida.

 

NOROESTE: Lembra de algum momento difícil que tenha marcado a vida da cooperativa?

Eduino: Em toda história da Cotrirosa, tiveram momentos bons e de dificuldades. Mas com muita determinação e engajamento de todos os envolvidos e, principalmente com o apoio dos produtores, foi possível superar os momentos difíceis.

Dos oito anos em que estou à frente da Cotrirosa, sete foram positivos. Mas no atual a dificuldade está nos baixos preços dos produtos agrícolas em relação aos anos anteriores, fazendo com que os produtores não comercializem seus produtos e, consequentemente, os estoques estão elevados, deixando de girar recursos na cooperativa e em toda região.

 

NOROESTE: Quais os principais avanços da Cotrirosa?

Eduino: No meu ponto de vista, a acertada da Cotrirosa foi a diversificação dos negócios, principalmente na área de supermercados que hoje é a segundo maior faturamento, está em constante crescimento e com projetos de expansão. Investimos bastante na área de recebimento e armazenagem de grãos, com instalação de equipamentos automáticos (tombadores), além de novos secadores e máquinas, agilizando com isso o atendimento dos associados e demais produtores que entregam sua produção na Cotrirosa. A industrialização e beneficiamento de produtos também foi um importante avanço, inclusive com aquisição de mais um moinho de trigo. Hoje, a cooperativa comercializa 52 produtos nas marcas Cotrirosa e Nutrirosa.

Dentro das atividades do planejamento estratégico, a gestão profissionalizada foi uma das prioridades, inclusive com a aquisição do novo software para melhor controle e segurança nas operações.

 

NOROESTE: Como é o dia a dia da Cotrirosa hoje?

Eduino: Nosso trabalho está voltado ao planejamento estratégico, por termos uma complexidade de atividades que demandam muito profissionalismo com ações direcionadas na geração de resultados econômicos e ações sociais que beneficiam os associa-dos e a comunidade em que a cooperativa está inserida.

São aproximadamente 6.500 associados e 1.100 funcionários em 25 unidades. Atuamos com vários negócios como o recebimento, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, moinhos, cerealista, postos de combustíveis, lojas agropecuárias, supermercados, beneficiamento de sementes, além de todo o trabalho social. É uma complexidade que precisamos estar acompanhando dia a dia para que possamos ter o controle e o resultado de cada negócio. Todas as segundas-feiras temos reuniões internas para que possamos avaliar nossa atuação e direcionar nossas estratégias.

 

NOROESTE: Do que a cooperativa não abre mão?

Eduino: Não abrimos mão de ter o produtor associado como nosso parceiro nos negócios e de continuar prestando toda a assistência necessária, visando melhores resultados nas propriedades rurais e na cooperativa. Nosso objetivo é dar continuidade ao trabalho associativo iniciado pelos 77 associados fundadores que agora está no rumo do seu cinquentenário.

 

NOROESTE: Como está o recebimento de grãos?

Eduino: A atividade principal da Cotrirosa é o recebimento e comercialização de grãos como soja, trigo e milho. Temos uma capacidade de armazenagem de 5,5 milhões de sacas. O recebimento vem aumentando a cada ano devido ao crescimento da produtividade e a credibilidade da cooperativa.

Estamos com os armazéns lotados, sendo que para abrir espaço para novas safras, tivemos que buscar outras opções de armazenagem, aguardando o produtor efetivar a venda.

 

NOROESTE: O não faturamento dos grãos pode diminuir o resultado da cooperativa neste ano?

Eduino: Sim, vai refletir diretamente no balanço, porque podemos encerrar o ano com muito produto estocado e a área de grãos é responsável pelo nosso maior volume maior de faturamento.

 

NOROESTE: A Cotrirosa pensa em instalar novos supermercados?

Eduino: Atualmente temos 21 e é uma área em constante crescimento na Cotrirosa, inclusive acima da média do Estado, conforme última pesquisa da Agas. Por isso definimos em nosso planejamento estratégico a melhoria das estruturas existentes e a instalação de novas lojas na região de nossa área de atuação, ainda neste ano.

 

NOROESTE: Qual o desafio neste momento?

Eduino: A Cotrirosa, sempre preocupada com o bem estar dos associados e clientes, busca cada vez mais o melhor atendimento e satisfação. Assim, através do planejamento estratégico, analisamos o momento propício para executar os projetos e com muita responsabilidade, porque precisamos prestar contas aos associados, levando sempre em consideração a boa credibilidade que conquistamos ao longo da história. Precisamos dar atenção tanto para a cooperativa quanto ao associado. Os dois precisam andar alinhados e é isso que garante o sucesso e as conquistas.

 

NOROESTE: Quais são os projetos futuros?

Eduino: Estamos focados em nossa missão de promover o desenvolvimento, fortalecendo os nossos negócios, com responsabilidade econômica e social. Por isso nossos projetos, embasados no planejamento estratégico, estão focados na ampliação da capacidade de armazenagem, com a instalação de novos silos na região o que demandará um investimento de aproximadamente R$ 10 milhões. Ampliação da área de supermercados, além da reestruturação e crescimento das lojas agropecuárias. Atualmente a cooperativa possui 20 pontos de vendas.

 

NOROESTE: O que a Cotrirosa oferece para o associado?

Eduino:Para as famílias associadas a cooperativa oferece cursos, palestras técnicas com repasse de novas tecnologias, viagens de estudo, dias de campo, grupos de estudos sobre a atividade leiteira com aulas teóricas e práticas. Para tanto, possui uma equipe de profissionais como agrônomos, veterinários e técnicos em agropecuária que prestam assistência e orientações aos associados individualmente e em grupos.

Oferecemos também um atendimento diferenciado, como os mais diversos tipos de troca-troca de grãos por insumos, como por exemplo, troca de trigo por farinha, soja e trigo por fertilizantes e químicos. Outro benefício é a opção de contratos futuros de soja e milho.

Vantagem importante é também a participação dos associados nos resultados do balanço, proporcional a movimentação de cada um nos diversos negócios, fazendo com que a Cotrirosa cumpra com a sua missão de promover o bem-estar econômico e social das famílias associadas.

 

NOROESTE: Qual a relação entre a cooperativa e a comunidade?

Eduino: Hoje atuamos em 16 municípios e temos participação direta com ações voluntárias. Além de gerarmos emprego, renda e oportunidade para milhares de famílias, buscamos estar sempre junto aos projetos sociais, contribuindo com as comunidades, apoiando eventos, participando de feiras municipais que mostram as potencialidades da nossa região. Vamos continuar fazendo isso. Nosso compromisso não é só com o associado, mas sim com todos. Nosso olhar é para além do resultado econômico. Em todos os projetos levamos em conta a contribuição social que teremos em nossas ações.

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