HomeNoroeste Entrevista sexta-feira, 7 de julho de 2017 10:51

O desafio do desenvolvimento

“...Entre as principais pautas está a ampliação do aeroporto de Santa Rosa, a garantia da ponte internacional, a hidrelétrica Garabi-Panambi, melhorias em rodovias da região”.

Artur Lorentz graduou-se em engenharia civil pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e em Administração de empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É pós-graduado em marketing, pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e em psicologia, pela Centro de Ensino Unificado de Brasília (UniCEUB). Na área acadêmica, trabalhou como professor universitário por 12 anos na FEMA (Fundação Educacional Machado de Assis), no curso de Marketing.

Na política, foi vice-prefeito de Santa Rosa, presidente da Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (SULGÁS), secretário da Ciência e Tecnologia do Estado e suplemente a deputado estadual, tendo recebido 32,5 mil votos.

Casado e pai de dois filhos, atualmente divide seu tempo entre a construtora da família, Lorentz Construções, e a presidência da Agência de Desenvolvimento (AD) de Santa Rosa, que é uma paixão no voluntariado.

NOROESTE: O que é a Agência de Desenvolvimento?

ARTUR: Criada em 2001, a Agência de Desenvolvimento de Santa Rosa é uma organização não-governamental que vem trabalhando na execução de projetos e ações que proporcionem construir o futuro da região a partir de suas potencialidades e da identificação de oportunidades que possibilitem um desenvolvimento sustentável. Através da participação de outras entidades, patronais e sindicais, se impulsionam ações nos setores tradicionais da economia regional como as indústrias metalmecânicas, de alimentos e agroindustriais, entre outros setores. Aliado a estes projetos, a AD vem trabalhando na captação de potenciais investidores externos, identificando e apresentando todas as oportunidades que a região disponibiliza.

NOROESTE: Quais os propósitos da entidade?

ARTUR: Apoiar institucionalmente as empresas instaladas na região, auxiliando-as na resolução de problemas estratégicos, Fomentar e divulgar as oportunidades de investimentos na região. Nos últimos anos a AD vem intensificando sua atuação na região através da articulação e execução de projetos e ações que possibilitem a construção de um futuro promissor a partir de suas potencialidades. Para isso a entidade criou eixos e dividiu funções, apontando as potencialidades e as necessidades.

NOROESTE: Como a AD é dividida?

ARTUR: A entidade é formada apenas por voluntários, estes divididos em eixos específicos como Infraestrutura e Logística; Saúde; Indústria, Comércio e Serviço; Educação, Inovação e Empre-endedorismo, Gestão pública, Agronegócio. Cada uma tem suas pautas as quais são defendidas por toda a entidade.

NOROESTE: A Região Noroeste sofre com a logística, o que a AD busca para sanar os problemas?

ARTUR:Temos o voluntário Mogar Sincak, que está à frente da Comissão de Infraestrutura e Logística, que junto com os demais voluntários busca exatamente a identificação das necessidades e ações de conscientização e melhorias para o setor.

Entre as principais pautas está a ampliação do aeroporto de Santa Rosa, a garantia da ponte internacional, a hidrelétrica Garabi-Panambi, melhorias em rodovias da região.

NOROESTE: O início dos voos em Santo Ângelo atrapalha o projeto de ampliação do Aeroporto de Santa Rosa?

ARTUR: Não. Entendemos que as pautas deles, são deles. As nossas temos que defender, pois somos produtivos economicamente e vamos continuar insistindo até conseguir vencer esta etapa. Temos lideranças mais unidas, e o aeroporto é necessidade, precisamos de voos diários, e com horários melhores. Santa Rosa está na lista de prioridades do Governo Federal e isso precisa continuar sendo pensado, pois irá alavancar a economia regional.

NOROESTE: Como está à disputa pela Ponte Internacional?

ARTUR: Deixamos de brigar pela ponte e agora traçamos uma nova estratégica. Estamos apostando neste momento em uma Parceria Público Privada para viabilizar o investimento na região. Já conversamos com o Governo Argentino, que também possui política de PPP e agora estamos atrás de investidores. Levaremos a proposta ao Governo Federal, a ideia é que o Governo aporte recursos e o restante é garantido através de dinheiro privado, onde a empresa poderá explorar a ponte para ter o retorno financeiro.

NOROESTE: Quais são as principais pautas para a saúde?

ARTUR: É visível que somos um pólo regional a saúde. O advento do Vida & Saúde, com sua recuperação financeira, veio a somar e garantir resultados extraordinário, com a Fundação Municipal da Saúde. Hoje recebemos pacientes do toda a região e contamos com especialidades conquistadas com muito esforço voluntário e ele pode ampliar. Precisamos apostar em novas especializações, ofertando mais serviços em diferentes áreas da medicina. Temos que criar condições para que pacientes não precisem viajar em busca de tratamento.

NOROESTE: Temos problemas no Hospital Dom Bosco, como Agência pode trabalhar para fortalecer a instituição e evitar o fechamento?

ARTUR: A Agência não pode interferir no hospital, mas podemos trabalhar juntos para buscar soluções. Acredito que se tenha a necessidade de reformular a gestão do Hospital Dom Bosco. A Agência está disputa a ser a mesa de negociações entre todos os envolvidos, com intuito de criar um grupo para repensar e aplicar melhorias na busca da saúde financeira. Já estamos participando, temos o Anderson Mantei, presidindo o eixo de Saúde da AD, que acompanha de perto as ações.

NOROESTE: Temos uma indústria forte e diversificada, como ampliar ações?

ARTUR: Sim, o setor é muito bom, fruto de uma política diversificada de ações, e neste setor buscamos articular com entidades a sustentação de negócios. Estamos trabalhando juntos, como por exemplo a Comissão Municipal de de Emprego e Renda. Queremos atrair novos negócios, mas o mais importante é de apostar e apoiar os que já existem. Para isso levantamos demandas especificas e buscamos mais proximidade com o Governo Municipal em busca de políticas de incentivo.

Outra demanda é possibilitar novação na economia tradicional, trazendo ao grupo a possibilidade de inovar e também fortalecer uma nova tecnologia.

NOROESTE: A comunidade se surpreende com ações do Movimento Conecta, de onde surgiu a ideia?

ARTUR: Temos o Felipe Diesel à frente do eixo de Educação, Inovação e Empreendedorismo, que trabalha a educação e os avanços da tecnologia de forma casada. O grupo talvez seja um dos mais ativos na entidade, que promove ações diárias de discussão sobre temas que influenciam as mudanças positivas. No ano passado criamos o evento Conecta, que me surpreendeu por sua participação e aceitação. Hoje se leva a tecnologia, aliando-a ao aprendizado, com projetos dentro e fora das escolas.

Apostamos também no esporte. O exemplo disso é o apoio ao Sojão de Basquete, uma novidade para nossa região. Queremos apostar no grupo que incentiva a prática de exercício e traz uma nova oportunidade aos jovens.

NOROESTE: Como trabalhar o incentivo à agricultura?

ARTUR: A agricultura e pecuária é a base econômica da nossa região. Buscamos através de ações fortalecer o setor, através de apoio e incentivo as cooperativas e a manutenção das atividades da Alibem em Santa Rosa. Precisamos ampliar as ações e apostar muito mais no segmento, garantindo as empresas cooperativadas ou privadas um suporte para desenvolver suas atividades, gerando renda para toda a comunidade.

NOROESTE: Qual a relação entre AD e a Gestão Pública?

ARTUR: Defendemos uma interação mais forte da sociedade com a gestão pública. Não podemos só cobrar, ma também participar dos projetos e das decisões, indicando prioridades. Hoje temos uma boa relação com o governo, mas precisamos ampliar discussões como a modernização administrativa.

Já fomos chamados para as palestras e debate sobre assuntos polêmicos, mas acredito que esta relação pode ser melhorada. Entre os apontamentos atuais, sugerimos a venda de imóveis ou terrenos que não estão sendo usados, e o valor arrecada depositar em uma conta do Fundo de Desenvolvimento. Um conselho pode decidir a aplicação deste recurso, em pautas de incentivo a instalação e ampliação de empresas.

A ideia é de ampliar a AD, desenvolver um trabalho no estilo associação, que ajuda a discutir todos os assuntos e investimentos públicos, evitando que se cometa erros. Já apoiamos ações como à criação do Observatório Social, e queremos retomar o projeto que define ações para os 100 anos de Santa Rosa, rediscutindo e colocando em prática um plano estratégico, que definirá ações que resultarão no desenvolvimento.

Na educação, pensar e direcionar alguns cursos novos, voltados a inovação e tecnologia.

NOROESTE: Para atingir o desenvolvimento de Santa Rosa a AD pensa na região?

ARTUR: Sem sombra de dúvida, embora sejamos uma entidade de Santa Rosa trabalhamos pautas regionais, como a ponte, a usina hidrelétrica, pois as ações não podem ser realizadas só em Santa Rosa. Todos os municípios precisam estar economicamente bem. Participamos de ações regionais, apoiamos pautas coletivas e de determinados municípios, acreditando em um trabalho integrado. Acho fundamental a discussão com outros municípios, levantando projetos conjuntos, e fortalecendo as ações.

 

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