HomeNoroeste Entrevista sábado, 23 de setembro de 2017 09:56

O trabalho em prol da JUSTIÇA

O Jornal Noroeste evidencia nesta edição o trabalho da juíza criminal Vanessa Lima Medeiros Trevisol.

O Jornal Noroeste evidencia nesta edição o trabalho da juíza criminal Vanessa Lima Medeiros Trevisol, nascida em Porto Alegre e criada em Passo Fundo, mas que hoje reside em Santa Rosa. Filha mais velha de Luiz Carlos e Teresinha, irmã da Patrícia e do Luis Paulo, é casada com o advogado Cesar Trevisol. Formada em Direito na Universidade de Passo Fundo, Vanessa divide seu tempo entre a família e a 1ª Vara Criminal de Santa Rosa, estando a frente de cerca de 2,2 mil processos, respondendo pela Vara de Execuções Criminais e pelo presídio.

Com uma seriedade visível na atuação a frente da Justiça Criminal e garantindo agilidade nos processos, ela não deixa de agir com o espírito santa-rosense. É voluntária das ações de desenvolvimento, tanto que associa nas preocupações da sociedade, principalmente quando a pauta é segurança pública e a defesa da justiça. Defensora de ações que fazem a diferença e garantam a sensação de segurança local, compartilha sua boa gestão, garantindo recursos importantes para investimentos em melhorias tanto na Polícia Civil como na Brigada Militar.

Vanessa, uma liderança, divide com sua equipe de trabalho as demandas da comunidade. Uma dedicação que rendeu ao grupo, pelo terceiro ano consecutivo, o prêmio de Melhor Unidade Jurisdicional do RS.

 

NOROESTE: Quando e como o direito entrou em sua vida?

Vanessa: O direito entrou na vida quando ainda estava no colégio. Sempre achei essa ciência muito interessante, dinâmica e com um vasto campo para desenvolvermos e aprimorarmos nossas capacidades e ideias. Desde o ingresso na faculdade já tinha o desejo de ser magistrada. Sabia que o caminho a ser percorrido era longo, regado a muito estudo, mas nunca pensei que seria impossível. Logo depois de formada, fui fazer Ajuris em Porto Alegre, que é a Escola preparatória para a magistratura gaúcha.

 

NOROESTE: O que gosta de fazer nas horas de folga?

Vanessa: Quando tenho tempo livre, gosto de ler, ficar junto à natureza, assistir a um bom filme, curtir meu marido, minha família e meus amigos, deixando o tempo simplesmente passar.

 

NOROESTE: Por quais cidades atuou como juíza e como foi à escolha por Santa Rosa? Pensa em continuar na cidade? Quais as características percebidas por você da comunidade santa-rosense?

Vanessa: Ingressei na Magistratura em 2001, assumindo a Comarca de Três de Maio. De lá pra cá, passei por Santo Augusto e Giruá. Escolhi trabalhar em Santa Rosa, junto à 1ª Vara Criminal, pois senti que já era tempo de mudar, de experimentar outra jurisdição, de me renovar. Seria um grande desafio profissional, já que teria o presídio e o Tribunal do Júri, além dos demais processos crimes. Antes mesmo de vir trabalhar em Santa Rosa, já tinha sido muito bem recebida e acolhida por essa comunidade que tenho muito respeito e admiração e que tem uma característica muito peculiar, senso de coletividade. Aqui, literalmente, a união faz a diferença. Povo engajado em diversos setores, destacando-se na educação, na produção agrícola, no polo metal-mecânico, na saúde, na cultura, dentre tantos outros.

 

NOROESTE: Como é o trabalho a frente da 1ª Vara Criminal? Quantos processos? E quais as responsabilidades?

Vanessa: A jurisdição frente à 1ª Vara Criminal é árdua, séria, exercida com muita responsabilidade e comprometimento, não só meu, mas de todos que trabalham comigo. Temos 2.200 processos, que compreendem processos criminais, processos de competência do Tribunal do Júri e processos de execução criminal. Além disso, fiscalizo o cumprimento da pena no Presídio Estadual de Santa Rosa, que atualmente está com 400 presos.

 

NOROESTE: Entre as responsabilidades da Vara de Execuções Criminais está o Presídio de Santa Rosa. Como a justiça avalia o comportamento dos presos? Quais projetos de ressocialização são fomentados e apoiados pela Justiça?

Vanessa: Os esforços envidados para a ressocialização dos apenados é imenso e tenho a sorte de estar rodeada de pessoas qualificadas e empenhadas nesse processo. Contamos com o apoio dos empresários e da sociedade em geral. Oferecemos cursos profissionalizantes em diversas áreas, oportunizamos estudo e leitura. O objetivo é que o preso retorne ao convívio social, na medida em que cumpra sua pena, qualificado. A estrutura prisional apresenta assistência psicológica, médica e odontológica. As instalações não são ideais, mas bem melhores que a maioria de outras casas prisionais. A superlotação prejudica o trabalho de ressocialização, mas oferecemos tudo aquilo que está ao nosso alcance para que isso aconteça.

NOROESTE: A senhora é responsável pela gerencia da Conta Única do Conselho da Comunidade. Aonde e como estes recursos são investidos?

Vanessa: A Conta Única do Poder Judiciário, existe há muito tempo. Entretanto, em 2013 o CNJ regulamentou a matéria mediante uma Resolução. Os recursos destinados a essa conta, oriundos das penas pecuniárias relativas aos delitos de menor gravidade, são gerenciados pelas Varas de Execuções Criminais. Mediante a apresentação de projetos, orçamentos e prestação de contas, elegem-se prioridades e se destinam valores a diversas instituições que pertencem à Comarca de Santa Rosa. Ainda, destinamos boa parte desses recursos às polícias civil e militar e ao presídio, o que possibilita aparelharmos a segurança pública na prevenção e repressão ao crime, bem como melhorarmos as condições para o cumprimento da pena. Saliento que também realizamos excelentes projetos não só na aérea criminal, mas junto a outras entidades sociais. No ano passado, os recursos destinados perfizeram a importância de R$ 217.268,39. Ressalto que o apoio do Conselho da Comunidade é essencial nesse processo, pois através dele, os recursos chegam ao destino final.

 

NOROESTE: Qual a relação entre Justiça com a Brigada Militar, MP e Polícia Civil?

Vanessa: A parceria entre o Poder Judiciário e as polícias é essencial. O nosso objetivo é o bem estar da comunidade e a redução da criminalidade. Para tanto, é preciso haver harmonia entre Judiciário, MP e as polícias. O engajamento é tão primordial quanto o respeito entre as instituições.

 

NOROESTE: A 1ª Vara Criminal recebe pela terceira vez reconhecimento de qualidade do trabalho. Qual o segredo e o que é aplicado no dia a dia para chegar a estes resultados? Qual a importância do envolvimento de sua equipe neste processo?

Vanessa: Pelo terceiro ano consecutivo vamos receber o “Prêmio Melhor Unidade Jurisdicional”, dentro do nosso cluster, ou seja, um grupo de Varas com características semelhantes a nossa, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e da Corregedoria Geral da Justiça, em virtude de termos alcançado os melhores índices de desempenho. É com muita honra que eu e a minha equipe receberemos essa condecoração. Trabalhamos com responsabilidade, afinco, agilidade e planos de gestão para melhorarmos e darmos efetividade à jurisdição. Não há segredo, penso que tudo que é feito com amor, sempre rende bons frutos. E isso é resultado do empenho de todos. Sou e estou muito orgulhosa de toda a minha equipe.

 

NOROESTE: Hoje o país vive um momento difícil, pois além da crise econômica existe uma crise moral. Qual o papel do judiciário nos municípios trabalhando na punição de crimes? No seu ponto de vista o que ainda precisa ser melhorado?

Vanessa: O Poder Judiciário sempre teve um papel de suma importância, junto à sociedade. Entregar a justiça, ser o instrumento de aplicação da lei, repercute em muitos aspectos. Sempre há o que ser melhorado. Em Santa Rosa, por exemplo, temos uma estrutura bastante aprimorada no combate à criminalidade, tanto que os índices são decrescentes. Trabalhamos muito para atingir essas cifras. Diante da realidade nacional, posso dizer que estamos muito bem, mas volto a enfatizar que isso é resultado do trabalho desenvolvido em conjunto com todos os envolvidos nessa área.

 

NOROESTE: Na última semana a senhora foi anunciada como juíza Eleitoral. Como a drª pensa olhar para estes processos democráticos e o que a população pode esperar da justiça local?

Vanessa: Exercerei a jurisdição eleitoral por 2 anos, dando continuidade ao trabalho realizado pelos meus antecessores. A democracia precisa ser exercida com responsabilidade e respeito à lei. É isso que vou fazer.

 

Mensagem para a comunidade:

Mesmo não sendo natural dessa terra, aqui escolhi viver. Aqui construí minha família, criei vínculos e raízes. Tenho orgulho de pertencer a essa comunidade fraterna, hospitaleira e trabalhadora. Respeito esse chão. O que mais posso dizer? Obrigada Santa Rosa!

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