HomeNoroeste Entrevista sábado, 18 de novembro de 2017 11:53

Rádio Noroeste, Por que de AM à FM?

O entrevistado é Sérgio Ambros Mallmann, diretor da Empresa Jornalística.

Sérgio Ambros Mallmann, 76 anos, diretor da Empresa Jornalística Noroeste (EJN, fundada em 1971), trabalha com duas emissoras de rádio, um jornal e mais recentemente dois portais de internet. Cada setor sofreu suas transformações em suas respectivas épocas e a dinamicidade do mundo de hoje prevê novas mudanças a cada momento.

O meio rádio, especificamente a Noroeste AM, é o que vem concentrando os maiores esforços dos últimos dois anos, entre debates do setor, planejamento e execução. Trata-se da migração de todas as emissoras AM (onde média) do Brasil de baixa potência, para FM (frequência modulada) seguindo uma legislação federal.

As emissoras têm prazo até 2020 para concluir o processo de implantação, sob pena de perda da concessão por parte do Governo Federal. A Rádio Noroeste já opera em caráter experimental na frequência 96.7 desde setembro. Vai transmitir em definitivo a partir de janeiro de 2018, período em que a rádio é ouvida simultaneamente também em AM (frequência 890 Mhz).

Nesta entrevista, Sérgio Mallmann explica para os leitores, e ao mesmo tempo ouvintes, o que motivou o governo a determinar a troca de frequência do rádio brasileiro.

NOROESTE: Principal motivo justificado pelo governo à mudança?

SÉRGIO: A melhora da qualidade sonora do serviço apresentado para os ouvintes. É incomparável a qualidade de som de uma FM com relação a uma AM. Tenho orgulho, como dirigente de classe, de informar que o Rio Grande do Sul foi o pioneiro no projeto de migração sob a liderança da AGERT (Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão).

NOROESTE: Em mudanças há perdas e ganhos. O que a Noroeste ganha e eventualmente perde com a alteração de frequência?

SÉRGIO: Reitero que o grande ganho está na qualidade do som. Porém, perderemos na distância do alcance do sinal. A AM vai mais longe do que a FM.

NOROESTE: O ouvinte que perderá o sinal da Noroeste terá uma compensação?

SÉRGIO: Sim. Ele vai continuar acompanhando toda a programação com a qual está identificado, através de aplicativos móveis em qualquer parte do mundo. Nossas duas emissoras têm seus aplicativos gratuitos. É só baixar nos seus celulares.

NOROESTE: A Noroeste FM, vai operar em definitivo com uma nova programação?

SÉRGIO: Não, por considerarmos que a programação que desenvolvemos hoje tem ótima aceitação, sempre destacando que a informação é o nosso mote.

NOROESTE: Vivemos a era da informação, com mudanças, adaptações, apostas e o surgimento de novas opções de mídia. O rádio teme esse mercado partilhado?

SÉRGIO: Respondo como dirigente do Sindirádio (Sindicato de Rádio e Televisão do RS) que comemorou os resultados de uma recente pesquisa que aponta o meio rádio como o que detém a maior parcela de tempo do ouvinte: cinco horas diárias nas capitais brasileiras. A pesquisa foi feita pelo Ibope. Então, o rádio está à frente de qualquer outro meio na audiência.

NOROESTE: Mas, a pesquisa se refere às capitais. E em regiões como a nossa?

SÉRGIO: Não é uma dedução, mas sim uma conclusão. Se numa cidade com 1,5 milhões de habitantes uma pessoa fica em média cinco horas por dia ouvindo rádio, apesar de todas as alternativas que giram no seu entorno, imagine numa cidade como Santa Rosa, onde as opções são menores. Nossa conclusão é que a companhia do ouvinte é superior às cinco horas diárias das grandes capitais.

NOROESTE: Por que o rádio, além de sobreviver a uma enxurrada de concorrência, ainda consegue estar à frente de dezenas de alternativas de informação e entretenimento?

SÉRGIO: A palavra é uma só: credibilidade. Todos nós, como seres humanos, estamos propensos a errar. Porém, aqui na Noroeste, por exemplo, a orientação é de primeiro checar a informação para só depois divulgá-la. Em outros meios a informação ou vem incompleta ou equivocada. Nada na imprensa é mais desgastante do que você reconstruir uma informação errada pela ânsia do furo jornalístico.

NOROESTE: Há outros elementos que consolidam a credibilidaade do rádio?

SÉRGIO: A assiduidade do profissional. Ele busca a informação todo o dia, está acostumado a checá-la. E mais: tem fontes à mão para encurtar caminho. Uma informação, mesmo que seja atualizada e detalhada na sequência, é preciso que forneça dados que permitem o leitor ou ouvinte saber o que exatamente está acontecendo. Não basta ter um celular, jogar a foto e uma informação incompleta.

NOROESTE: Qual é o maior orgulho da EJN no ofício de fazer imprensa?

SÉRGIO: Garantirmos o princípio do contraditório. A informação precisa ter todas as versões possíveis, para que o ouvinte faça seu julgamento ou conclusão.

NOROESTE: A comunidade, os ouvintes têm clareza da importância de tal característica dos veículos da EJN?

SÉRGIO: Não tenho dúvida que o ouvinte nos acompanha no dia a dia justamente por saber que garantimos o direito de resposta às partes.

NOROESTE: Mas, existe ainda a adesão natural dos veículos às causas comunitárias.

SÉRGIO: Isso eu caracterizo como mote da nossa empresa: dar visibilidade a projetos sustentados pelo voluntariado ou empreendimentos privados e públicos com força de transformar cenários.

NOROESTE: A EJN também atua como suporte às questões assistenciais.

SÉRGIO: E com muita força e entusiasmo! Anualmente apresentamos à AGERT nosso Balanço Social, que é a soma de todo o espaço de rádio que se torna gratuito para um movimento assistencial e comunitário, quando poderia se constituir numa receita. Em 2016, por exemplo, nosso relatório apurou R$ 570 mil de espaços que a EJN destinou em forma de apoio.

NOROESTE: A migração exigiu altos investimentos?

SÉRGIO: Ainda não concluímos o processo, porque há equipamentos parcelados, outros por serem instalados. Mas, posso garantir que estamos diante de um grande investimento financeiro para uma emissora do nosso porte operando numa região com as peculiaridades que conhecemos. Porém, sem nenhum arrependimento. Estamos acompanhando a evolução do meio rádio.

NOROESTE: A Noroeste tem representantes na AGERT e no Sindirádio, com participação ativa nos debates de avaliação. O que as discussões sinalizam para o rádio no futuro?

SÉRGIO: Nossas entidades representativas, e nós compactuamos com tal pensamento, é de que o futuro para o rádio é promissor. Vale uma ressalva: tudo o que surgiu e vai surgir de novidade, como redes sociais, aplicativos e afins, o rádio se utiliza para tirar ganho dessas tecnologias plenamente adaptáveis.

NOROESTE: O rádio continua sendo ao mesmo tempo competente como veículo e simples para ser opera-cionalizado?

SÉRGIO: O rádio sempre foi o mais leve dos veículos a chegar ao fato. Agora, com os aplicativos móveis, ficamos ainda mais rápidos. Por exemplo, uma autoridade desembarca no aeroporto, a cobertura é simultânea. Um acidente, da mesma forma. Cremos que sempre será mais difícil para grandes veículos alcançar essa velocidade de operação.

NOROESTE: Te assusta a velocidade da transformação tecnológica?

SÉRGIO: Pelo contrário, me estimula. A tecnologia, por exemplo, permite que todos façam uso dela, como citei anteriormente. O importante é que estejamos sempre atentos e dispostos às mudanças e, principalmente, a mudar.

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