HomeNoroeste Entrevista sexta-feira, 1 de dezembro de 2017 14:31

Trabalho dedicado à segurança de todos

Ubirajara Daniel Diehl Júnior é o convidado do Jornal Noroeste desta semana para falar sobre o trabalho em prol da segurança pública.

“Bira”, carinhosamente chamado pelos amigos, Ubirajara Daniel Diehl Júnior é natural de Soledade, RS. Casado com Bianca Tams Diehl e pai de Renata e de Pedro Henrique. Graduado em Direito pela Universidade de Passo Fundo, cursou a Escola Superior da Magistratura do Paraná e a Escola Superior do Ministério Público do Paraná. Chegou a atuar como advogado.

Ingressou na Polícia Civil do RS, já no cargo de Delegado de Polícia, em Crissiumal, no ano de 1999. Há mais de 13 anos trabalha em Santa Rosa. É especialista em Ciências Penais, com Formação para o Magistério Superior, pela Universidade Anhanguera/Uniderp. Atuou como professor de Metodologia da Pesquisa e Estágio, na Academia de Polícia Civil do RS (ACA-DEPOL); também atuou como Professor de Direito Penal I, II e III, no Curso de Direito da FEMA. Gremista, é considerado pelos amigos um ótimo jogador de futebol.

Ubirajara é delegado regional e coordena cinco delegados e uma delegada. Ao todo estão sob sua responsabilidade 90 policiais, em 20 delegacias, em 19 municípios. Ele é o convidado do Jornal Noroeste desta semana para falar sobre o trabalho em prol da segurança pública.

Noroeste: De onde veio o desejo de atuar como policial?

Ubirajara: Na verdade durante minha formação jurídica nunca pensei em ser policial. Na escola do Ministério Público um colega policial federal me convidou para fazer o concurso para delegado da Polícia Federal. Aí fui conhecer melhor o que um delegado fazia, diante disso prestei concurso para a Polícia Civil do RS e após aprovado verifiquei que era a melhor carreira jurídica que eu poderia ter escolhido, pois me identifiquei muito no cargo de delegado de polícia.

Noroeste: Quais os desafios da sua profissão?

Ubirajara: São enormes, gigantes, porque além de comandar muitas pessoas diferentes, no trabalho de gestão, existem muitas dificuldades materiais para se poder realizar um trabalho de excelência. Para que isso aconteça a dedicação tem de ultrapassar os limites do normal, que na prática significa “matar um leão a cada dia”, para apresentar à sociedade um trabalho de segurança pública realmente efetivo e que colabore no atingimento da paz social. Além disso, existem muitos interesses em prejudicar e atrapalhar o trabalho que desenvolvemos.

Noroeste: Até aonde é responsabilidade de cada um a segurança pública?

Ubirajara: A população, via de regra, não tem noção de que a criminalidade ocorre no seio da própria sociedade. Por vezes parte da sociedade colaborar para a ocorrência de crimes, como por exemplo, na questão do tráfico de drogas, que só ocorre por que parte da sociedade consome drogas ilícitas. Acredito que há uma conscientização maior hoje em dia neste aspecto, todavia a compreensão da segurança pública não é ainda alcançada por muitos. No caso de Santa Rosa que temos conseguido manter um índice de criminalidade reduzido existem os que se iludem pela tranquilidade que hoje temos, achando que as ações policiais são quase desnecessárias, para nós é um sinal de que o trabalho está sendo bem feito, entretanto é importante a participação ativa da sociedade no caminho de cada vez mais melhorarmos a segurança pública, sob pena de retrocedermos no bem estar hoje existente.

Noroeste: Vivemos com sensação de segurança?

Ubirajara: Sim, tanto a sociedade tem sensação de segurança que muitas vezes menospreza os cuidados mínimos que se tem que ter para aumentar a sua própria segurança, como por exemplo, na questão dos crimes patrimoniais, deixando o carro aberto com a chave na ignição, ou deixando pertences no interior do veículo e ele aberto. Lembrando que a própria constituição federal assevera que a segurança pública é dever do Estado e responsabilidade de todos.

Noroeste: A Polícia local trabalha, foca em que?

Ubirajara: Estando há 13 anos em Santa Rosa, entendendo quais são os anseios da comunidade, nós priorizamos as investigações de crimes contra a vida “temos 100% dos casos elucidados”, crimes com violência à pessoa, crimes patrimoniais e tráfico de drogas. Tendo assim a consciência de que nosso povo não tolera que o bem estar que existe aqui saia da rotina, na questão segurança pública, assim é quando surgem ciclos de crimes patrimoniais em que a sociedade só se acalma quando, dependendo do caso, os autores são presos. No caso da DEAM-Delegacia Especializada no Atendimento a Mulher a prioridade são os casos de violência contra a mulher.

Noroeste: Quais são os crimes mais registrados em nossas delegacias?

Ubirajara: Depende do momento. São cíclicos. Existe muito registro de ocorrência por ameaça, perturbação da tranquilidade, crimes contra a honra, furtos, estelionatos, etc. Existem também investigações permanentes de combate ao tráfico de drogas e aquelas de homicídios que são casos pontuais.

Noroeste: Santa Rosa possui quadrilhas e chefes do tráfico?

Ubirajara: Santa Rosa como qualquer cidade de seu porte possui traficantes, contudo com o trabalho que é desenvolvido pela polícia os traficantes acabam sendo presos e respondem criminalmente pelos seus atos. Não temos conhecimento de que existam traficantes com poderio de grandes facções criminosas, se um dia tomarmos conhecimento disso, com certeza faremos de tudo para debelar. Muitas famílias se envolvem na traficância fazendo com que quando algum ou alguns de seus membros são presos, os outros dão segmento ao tráfico, ou seja, assumam o lugar daqueles.

Noroeste: Novas drogas caem no gosto de jovens e os leva para o tráfico em nossa região?

Ubirajara: Infelizmente muitos jovens da classe média, ou aqueles que querem conviver com a classe média acabam traficando principalmente ecstasy. Neste contexto a Polícia Civil passou a trabalhar num projeto denominado “Papo de Responsa”, em que policiais civis vão até os estabelecimentos de ensino conversar com adolescentes sobre vários assuntos, inclusive sobre drogas, no intuito de efetuar uma prevenção para que eles não se percam neste caminho sem volta. Daí que dizemos que o “papo” é dos policiais e a “responsa” fica com os jovens.

Noroeste: No ano passado a polícia prendeu mais de 300 pessoas por crimes. Como está o trabalho neste ano?

Ubirajara: Até hoje já temos mais de 350 prisões efetuadas pela Polícia Civil, provavelmente deveremos chegar a aproximadamente a 400 presos em 2017. Ocorreram 11 homicídios na região, todos elucidados pela Polícia Civil. Em Santa Rosa foram registrados três homicídios, em todos eles a Polícia Civil identificou a autoria. Tivemos 13 operações policiais neste ano. Apreendemos 52 armas de fogo, lembrando que a nossa região atinge 19 municípios e possui 20 órgãos policiais. Todas as metas estabelecidas para o ano estão sendo atingidas pela Polícia Civil.

Noroeste: Estar na Região de fronteira exige um esforço a mais no combate a criminalidade.

Ubirajara: Atuar na região da fronteira faz com que nossa atenção seja redobrada em algumas peculiaridades, entre elas a questão da entrada e passagem de drogas vinda de outros países vizinhos, bem como a fuga de criminosos para outros países, que muitas vezes dificulta as investigações.

Comparando com outras regiões podemos dizer que a nossa é privilegiada no quesito segurança pública. Temos uma sociedade predominantemente ordeira, trabalhadora e honesta, e isso facilita o trabalho policial. Além disso, existe uma rede de várias entidades e instituições que trabalham irmanadas para que a paz reine por aqui. Em qualquer lugar do mundo existe crime, aqui não poderia ser diferente, mas temos a certeza de que vivemos num verdadeiro paraíso e para que isso não se altere, juntamente com a sociedade pretendemos continuar sempre com foco e determinação para que aqui continue sendo um excelente lugar para se viver.

Noroeste: Qual a relação que a Polícia tem como a comunidade?

Ubirajara: Considero excelente, principalmente no recebimento de informações que auxiliam na elucidação de crimes. Sinto muito orgulho de liderar a Polícia Civil de Santa Rosa. Posso dizer que eu e a minha família amamos essa terra. E dessa forma o que eu mais quero, juntamente com toda a equipe da Polícia Civil, é fazer o melhor trabalho possível para retribuir todo o carinho que recebemos.

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