HomeNOROESTE ENTREVISTA sábado, 6 de maio de 2017 11:23

Uma revolução a caminho

Felipe traz mais detalhes, nesta entrevista, de uma revolução que é por ele citada como recém a ponta do iceberg.

Santa Rosa vive uma experiência inédita no Brasil, explorando todo o conteúdo de ferramentas do Google disponíveis à educação. No país, hoje, uma escola ou outra já explora tal serviço. O nosso ineditismo está no fato de todas as escolas das redes públicas municipal, estadual, particular e federal terem manifestado interesse prático de atuar no programa. Em nenhuma parte do país, tamanha densidade na busca de conhecimentos avançados está ocorrendo.

As janelas se abriram em outubro do ano passado, quando a Agência de Desenvolvimento (AD) de Santa Rosa montou e promoveu o 1º Conecta, em parceria com a UNIJUÍ, IFFar e FEMA. Artur Lorentz, presidente da AD, avaliou depois que jamais imaginara tamanho sucesso do evento. Uma de suas primeiras medidas no comando da entidade foi a de se cercar de empreendedores jovens, entre eles Felipe Diesel, que está à frente do Conecta Educação.

Na prática, o Google cria e aperfeiçoa suas ferramentas e terceiriza suas aplicações para empresas que atuam no setor. Uma delas é a TopSer, localizada em Palhoça (SC) e comandada pela professora Maidi Dalri. Felipe traz mais detalhes, nesta entrevista, de uma revolução que é por ele citada como recém a ponta do iceberg.

NOROESTE - O Conecta Educação era para ser uma simples palestra, aprofundando alternativas para o setor. Como é que isso virou uma revolução?

FELIPE - Creio que fui muito feliz em ter convidado a Maidi como palestrante. Ela foi muito além da palestra, lançando desafios a professores e estudantes presentes. Mostrou o quanto é grande o campo de ação e de crescimento nesta área.

NOROESTE - Primeiros avanços?

FELIPE - Hoje já contamos com duas turmas de capacitação reunindo 110 professores oriundos de todas as escolas. Eles recebem treinamentos mensais presenciais (na UNIJUÍ) e acompanhamento on-line para a utilização das ferramentas e mudanças das metodologias em sala de aula. A capacitação é coordenada pela professora Maidi Dalri. Os 110 professores desempenharão no futuro, na sua respectiva escola, a figura do multiplicador. Seria muito caro e talvez inviável capacitar todos num único período.

NOROESTE - Falando em custo, qual é o valor do estágio atual e quem banca?

FELIPE - O projeto tomou corpo no final do ano passado, período complicado para a busca de recursos financeiros. Excepcionalmente neste ano decidimos, pelo entusiasmo manifestado pelo público, lançá-lo através de patrocínio. Investiremos até dezembro cerca de R$ 50 mil diretamente com a TopSer. O setor de projetos da Prefeitura (Planejamento) tem se preocupado na continuidade do empreendimento para os próximos anos.

NOROESTE - Quando entrará o aluno na proposta inovadora?

FELIPE - Já temos professores tratando do tema em salas de aulas, utilizando os dispositivos dos alunos, que antes serviam apenas para o uso nas mídias sociais, em trabalhos, pesquisas e aprofundamento de conteúdo.

NOROESTE - E dizer que até ontem era proibido entrar na sala de aula com telefone celular...

FELIPE - A tecnologia venceu, porque eles nasceram com ela. É uma violência distanciá-los. Aí entra um aspecto extremamente interessante no projeto, que é justamente adaptar o professor, o aluno e a tecnologia, todos concentrados através de uma metodologia inovadora.

NOROESTE - Qual é o futuro do caderno e da caneta em Santa Rosa?

FELIPE - Não pensamos no projeto apenas como uma mudança de ferramentas, agora sai o caderno e entra o celular. Sobretudo, é uma ruptura na maneira como entendemos a sala de aula. Deixamos de lado metodo-logias passivas, onde o professor é a única fonte de informação para o aluno e introduzimos uma meto-dologia mais ativa, onde o aluno agora é autônomo e responsável pelo processo de aprendizado, usando ferramentas que o capacitam para tal. Podendo essas ser o papel e a caneta também.

NOROESTE - Como o projeto envolve crianças, como fica o indispensável acompanhamento dos pais, daqueles distantes da tecnologia?

FELIPE - Boa pergunta. Até os pais, que naturalmente foram surpreendidos pela revolução tecnológica, sairão ganhando com o nosso projeto. É que o Google possui ferramentas de comunicação entre alunos, professores e pais.

NOROESTE - O projeto é divido em determinado número de etapas ou terá assiduidade em todos os anos letivos, da maneira que as novas demandas de alunos vão surgindo?

FELIPE - Nós pensamos o projeto em quatro anos. Porém, o programa é vivo e priorizando a adaptação dos professores. Isso significa que o nosso será em cima dos professores, que estarão habilitados para receber as novas demandas de alunos.

NOROESTE - O projeto impõe despesas extras para o estudante, como a compra de um dispositivo específico?

FELIPE - Não, porque os aplicativos do Google são leves e podem ser utilizados em qualquer smartphone. Nada é perfeito e sempre buscaremos soluções para eventuais problemas.

NOROESTE - Trabalhos em grupos sempre foram proveitosos na avaliação pedagógica. Eles continuarão existindo?

FELIPE - Sim e cada vez mais, porque a tecnologia amplifica a criatividade do professor e beneficiando o próprio aluno. Com a tecnologia certa, tudo o que é imaginado pode ser feito.

NOROESTE - É visível que estamos dando apenas o primeiro passo com relação ao uso da tecnologia. Novos avanços virão quando?

FELIPE - Primeiro, vamos sentir e estimular o amadurecimento natural da proposta. O que pensamos para o futuro é uma escola muito mais adequada aos desafios que o avanço tecnológico impõe.

NOROESTE - O ensino ficará mais caro se comparado com a estrutura atual?

FELIPE - Não. Como as ferramentas não apresentam custos às escolas, inclusive despesas que elas já têm hoje com o sistema de gerenciamento de turmas, armazenamento de dados na nuvem e acesso a endereços eletrônicos, deixarão de existir.

NOROESTE - Em quantos anos teremos a primeira geração formada do Conecta Educação 2016?

FELIPE - Este ano focamos o Ensino Fundamental, o que significa que em oito anos estes alunos estarão falando uma nova linguagem e detendo novas habilidades para a vida.

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