HomePolítica quinta-feira, 7 de dezembro de 2017 08:58

Ação contra Classmann será julgada no dia 12

O procurador Luiz Carlos Weber manifestou-se pelo provimento parcial dos recursos, apenas para que seja ajustado o marco inicial da contagem da sanção de inelegibilidade

O Tribunal Regional Eleitoral remarcou para a próxima terça-feira, 12 de dezembro, as 17h, o julgamento do recurso da Ação de Investigação Eleitoral, contra Fernando Classmann (foto) -PTB e três assessores de campanha.

A representação foi apresentada pelo Ministério Público que acusou os citados por abuso do poder econômico e captação ilícita de sufrágio, que resultou na cassação e inelegibilidade de Fernando Classmann. Ele atualmente ocupa vaga de suplente na Câmara de Vereadores de Santa Rosa. Sean Jarczewski, Irineo Classmann e Carla Cristina de Oliveria Gomes, também foram considerados culpados pelo juiz Adalberto Hommerding, da 42ª Zona Eleitoral. A suspeita seria a compra de votos, e as provas baseadas em interceptações telefônicas, autorizadas pela Justiça.

O Ministério Público Eleitoral, através do promotor Janor Duarte, ajuizou Ação de Investigação Judicial Eleitoral cumulada com representação por captação ilícita contra Fernando Oscar Classmann, Sean Jarczewski, Ireneo Isidoro Classmann e Carla Cristina de Oliveira Gomes.

Em parecer o procurador regional eleitoral, Luiz Carlos Weber, destacou: “tenho que os fatos, analisados em conjunto, possuem gravidade suficiente a caracterizar a prática de abuso de poder, eis que violaram a normalidade e a legitimidade do pleito proporcional de Santa Rosa”, afirmou.

O procurador manifestou-se pelo provimento parcial dos recursos, apenas para que seja ajustado o marco inicial da contagem da sanção de inelegibilidade, decorrente da aplicação do art. 22, XIV, da LC 64/90, passando do trânsito em julgado da sentença para a data do pleito.

Ainda no parecer Luiz Carlos Weber cita duas interceptações telefônicas, fruto da ação. Em relação ao primeiro fato, o MP, narrou que Fernando Oscar Classmann, exercendo o cargo de vereador, e na condição de candidato à reeleição na eleição municipal de 2016, abusando de seu poder político e econômico, prometeu vantagem a um eleitor como meio de captação ilícita de votos. Assim, no dia 30 de setembro de 2016, às 16h49min, recebeu ligação de um cabo eleitoral, Ireneo Isidoro Classmann, ocasião em que prometeu serviço de patrola, com maquinário do município de Santa Rosa, para uma comunidade, em troca de apoio político.

Esse diálogo consta de áudio obtido por meio de relatório de interceptação telefônica, abaixo reproduzido: “Degravação da interceptação telefônica do número 55-xxxxx para o número 55-xxxx, no dia 30/09/2016, às 16h49min13seg:

Ireneo: Alô!

Fernando: Ô padrinho!

Ireneo: Fernando vereador, é o tio Neo, tudo bem?

Fernando: Tudo.

Ireneo: Tô fazendo uma campanha pra ti aqui antes da ponte de Santa Rosa a direita aqui tá, e, mas o pessoal vai precisar de um favor teu semana que vem aí viu...

Fernando: Mas sem dúvida!

Ireneo: É um serviço com a patrola aqui, tá?

Fernando: Tchê, mas isso nós conseguimos.

Ireneo: Isso, antes da ponte, aqui a direita, tem moradores aqui, antes da entrada da Água Santa, sabe onde é que é?

Fernando: Eu conheço, sim, Bela União.

Ireneo: Vão votar em você, mas eles querem, diz que procuraram todo mundo aí ninguém resolveu nada, tá?

Fernando: Não, pode deixar, pode confirmar com eles que eles vão ver o resultado.

Ireneo: Viu, se tu não fizer, eu vou ter que fazer, vim fazer aqui, porque nós somos Classmann, né, tu entende, não me deixe esse povo mal aí, tá bom?

Fernando: Não, pode deixar.

Ireneo: Tá, um abraço, vai sair bastante voto aí.

Fernando: Outro, obrigado, muito obrigado, aí. Manda um abraço pra eles aí”.

No segundo fato narrado na inicial, o representado Fernando Oscar Classmann recebe uma ligação da cabo eleitoral Carla Cristina Oliveira Gomes, ocasião em que esta, juntamente com o representado Sean Jarczewski, entregam vantagens para eleitores determinados, com o fim de lhe obter o voto. Novamente, o áudio abaixo descrito foi obtido por meio de escuta telefônica, com a devida autorização judicial: “Degravação da ligação do número 55-xxxx para 55-xxxxx, em 01/10/2016, às 16h47min03seg:

Carla: Alô, tenho uma ótima notícia pra te dá, boa demais!

Fernando: Fala, querida!

Carla: Adivinha, eu e o Sean agora acabamo de fechar trinta e um voto pra ti, trinta e um, não é treze.

Fernando: Mas que coisa boa.

Carla: Aham.

Fernando: Vocês são fera!

Carla: O Sean tava aqui em casa agora, e daí nós fomos lá na mulher e já, aham, a família dela chegou de Bento, vieram só pra votar, aqui.

Fernando: Que bom.

Carla: E tem trinta pessoa, trinta e uma pessoa veio, entre tio, sobrinho, tudo, sabe, aham, e daí ela pegou e veio aqui ontem, e daí eu disse, não beleza, daí eu liguei pro Moreira, o Moreira tinha dito que não, ela só pediu ajuda em seis quilo de galeto, porque ela não tinha pra dar comida pra tudo a gente.

Fernando: Mas isso não importa.

Carla: E agora o Sean foi lá e deu, o Sean foi lá e remato.”

Defesa: Em nota ao Jornal Noroeste o vereador Fernando Classmann informou ser inocente e sua defesa não medirá esforços para provar isso. “Acredito na Defesa e nas instituições, e acredito na minha absolvição pois não cometi crime eleitoral”, afirmou.

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