HomeRegião segunda-feira, 19 de março de 2018 08:05

Ministro conheceu fundo investidor em Nova York

Na ocasião, propôs um PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) aceito pelos norte-americanos. A documentação começa a ser construída pelas duas partes.

O ministro dos Transportes, Maurício Quintela reuniu-se na quinta-feira da semana passada, 08, em Nova York, com dirigentes representantes do I.C.C.N.N. (Fundo de Investimento Privado Internacional Servisse e Associados). Na ocasião, propôs um PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) aceito pelos norte-americanos. A documentação começa a ser construída pelas duas partes.

O presidente da Fundação Pró-Ponte, Airton Bertol, que acompanha de perto as articulações de Elbio de Aquino, diretor da EPP (Empresa de Planejamento e Projetos), representante do fundo em seu interesse de aplicar 80 milhões de dólares na construção da Ponte Internacional Porto Mauá - Alba Posse, informou que a intensão foi protocolada em 10 de outubro junto ao governo brasileiro. “O ministério requisitou pequenas adequações e sinalizou positivamente. É algo concreto”, sintetizou.

Algumas lideranças locais chegaram a questionar a disposição de um fundo internacional em investir tamanha quantia de recursos numa região como a nossa, distante das rotas dos grandes centros. “Lá o investidor paga para deixar o dinheiro parado no banco, de modo que acumular sem uso é perder dinheiro, ao contrário do que acontece no Brasil. Outro aspecto que deve ser observado é que existe uma briga comercial muito grande entre os Estados Unidos e a China. Eles têm recursos, precisam investir e precisam conquistar novos mercados. Temos o que eles querem”, respondeu Elbio de Aquino.

Leocir Weiss, prefeito de Porto Mauá, argumenta: “Aqui não é mais no meio do mato. Aqui é um centro, perto de duas grandes montadoras, de Foz do Iguaçu, perto do Paraguai, perto de Posadas, caminho para o Chile. O novo momento exige essa ponte internacional. É para além da união entre Brasil e Argentina, é um corredor que se desenha com o Pacífico, no caso, a China e a Ásia”. Nesse ponto, Airton Bertol bate forte em vantagens da região vista como celeiro de grãos, de forte potencial turístico e rica em água e recursos naturais.

Weiss cita também vantagens práticas, como a instalação do CUF - Centro Unificado de Fronteira - para inspeção das cargas em apenas um dos lados da Aduana. “Seremos mais ágeis a partir desse trâmite comum. É a primeira Aduana a atuar de forma integrada via balsa no Rio Grande do Sul. No ano passado mais de 2.5 mil caminhões atravessaram o Uruguai através de Porto Mauá. Neste ano serão mais de 4 mil”, detalhou.

Elbio de Aquino sustenta que o fundo internacional fará o investimento na ponte em Porto Mauá se os governos do Brasil e da Argentina autorizarem. “Não é apenas um investimento de 80 milhões de dólares. Isso é apenas na ponte e entorno. Diria que é o começo, um valor quase insignificante perto do que eles querem aplicar. Há muito mais para outras obras, como a construção de uma ferrovia, uma rodovia costaneira ao Rio Uruguai e investimentos em outras obras que possam ser exploradas para gerar renda. No caso da ponte, por exemplo, haveria um contrato de exploração por 30 anos, mas seria mais barato ao usuário fazer a travessia pagando pedágio que utilizando o sistema atual de balsa”, observou.

Vanice de Matos, ex-prefeita de Porto Vera Cruz e atual presidente do Corede Fronteira Noroeste se mostra otimista com a perspectiva. “Nossa luta é pela ponte em Porto Mauá. Esse momento, essa possibilidade de investimento internacional, é tudo muito novo para nós. O Corede está se cercando de todas as informações para contribuir, para ser parceiro e indutor do desenvolvimento”.

Elbio de Aquino lembrou que no último dia 02 de fevereiro, na Argentina, “o vice-presidente do I.C.C.A.N.N. deixou claro que o dinheiro existe e está disponível nos Estados Unidos para esta ponte, e outras obras, mas também argumentou que carece de ações dos governos do Brasil e da Argentina para dar andamento ao projeto”.

Observado à luz dessa possibilidade estrangeira, outras se acendem. Cleofas Moser, secretário de Desenvolvimento Econômico de Porto Mauá, vai além: “Estamos falando de investimentos a curto e longo prazo. Há investidores estrangeiros interessados em criar conosco uma ZPE - Zona de Processamento de Exportações que isenta empresas das tarifas de importação e exportação. A nossa ZPE seria voltada à tecnologia. Nosso trunfo é a proximidade com a localização no triângulo internacional. Para empresas da China e da Ásia, se conseguirmos criar um corredor com o Chile, encurtaremos muito o custo de logística”, projeta.

A ZPE citada por Moser depende da ligação internacional. Elbio de Aquino também registrou que, na última semana, representantes de uma grande rede de hotéis estiveram na região e prospectaram um investimento para Porto Mauá. Novamente, a questão passa pela ponte.

 

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