HomeSaúde sexta-feira, 2 de junho de 2017 15:09

Agravada crise do Hospital Dom Bosco

A direção nega as irregularidades, mas admite passar por dificuldades financeiras.

Trabalhadores reclamam da falta de remédios, produtos de limpeza e até de comida para os pacientes. A direção nega as irregularidades, mas admite passar por dificuldades financeiras.

Um funcionário que pediu para não se identificar denunciou: “está faltando até alimentos na cozinha para os próprios pacientes e os acompanhantes. Eles reclamam da comida que está sendo pouca. Além de ser pouca, ainda não tem variedade, não tem lanche da tarde”.

Por meio de reportagen da RBS TV Santa Rosa, os funcionários denunciaram a falta de produtos de limpeza, o que fez com que a higienização ocorresse apenas com água. “A gente precisa daqueles produtos químicos fortes para limpar, fazer limpeza no chão, até nas próprias camas. Está sendo lavado com água pura quando não tem”, disse uma denunciante. Conforme relatos, as camas não têm forro e são improvisadas capas de edredom ou uma travessa para cobrir sujeira de sangue de pacientes que passaram por cirurgias. A falta de forro no teto fez também com que as goteiras tomassem conta do local.

Os funcionários também reclamam de atrasos salariais: receberam R$ 600,00 da folha de abril. Desde 2014, o hospital é alvo de três ações trabalhistas coletivas.

“Nós pedimos para o município a intervenção. Encaminhamos para o Ministério Público o pedido de intervenção com auditoria, porque temos que achar uma solução, uma saída para longo prazo”, acrescenta Lino Puhl, presidente do Sindisaúde.

Milton Dummel, presidente do Hospital Dom Bosco, admite o problema e relata que tem que optar pela compra de medicamentos, alimentos, impostos ou pagar o sindicato. “Eventualmente ocorrem atrasos, e ocorreram realmente atrasos para o Sindicato (imposto sindical)”, disse Dummel, alegando que não havia dinheiro em caixa para arcar com o compromisso.

Lino aponta que a UTI construí-da ao custo de R$ 2,5 milhões, inaugurada em dezembro de 2016, está parada há um mês, apesar de uma portaria do Ministério da Saúde ter liberado R$ 160 mil para custear o atendimento. O hospital, por sua vez, diz que o fechamento ocorreu por falta de recursos.

O Sindicato denuncia que o hospital não teria motivos para passar por dificuldades financeiras, uma vez que, só no ano passado, recebeu repasses de R$ 5 milhões do Sistema Único de Saú-de (SUS), do governo federal e da prefeitura. De acordo com a Fundação Municipal de Saúde, não ocorreram atrasos nos repasses.

O Hospital Dom Bosco, por sua vez, justifica que os recursos não são suficientes e alega um déficit mensal de R$ 100 mil, situação que se arrasta desde 2014 por causa de cortes de incentivos hospitalares.

As denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público por meio de um pedido coletivo assinado por mais de 100 funcionários. Este é o terceiro pedido de investigação feito em menos de um ano.

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