HomeSaúde sexta-feira, 16 de março de 2018 08:07

Casos de sífilis acionam sinal vermelho

Os quadros são avaliados pelas enfermeiras Estela Rossato, coordenadora da Vigilância Epidemiológica Da 14ª Coordenadoria Regional de Saúde (CSU) e Kátia Reis, responsável pela Vigilância Epidemiológica da Fundação Municipal de Saúde.

Os casos de sífilis estão se reproduzindo em Santa Rosa e na região numa velocidade bem maior do que os de AIDS. Os quadros local e regional são avaliados pelas enfermeiras Estela Rossato, coordenadora da Vigilância Epidemiológica Da 14ª Coordenadoria Regional de Saúde (CSU) e Kátia Reis, responsável pela Vigilância Epidemiológica da Fundação Municipal de Saúde.
No Rio Grande do Sul em 2017 foram registrados oficialmente mais de 13 mil casos de sífilis adquirida (que exclui a gestante). Na região de abrangência da 14ª CRS foram 125 casos. Em Santa Rosa a Fundação registrou 30 casos junto à população, mais 20 casos em gestantes. A grande preocupação das autoridades sanitárias está no fato de muitas pessoas serem portadoras de sífilis, mas nem imaginam que convivem com a doença. E mais: o alerta vermelho foi ligado porque os casos oficiais estão duplicando nos últimos anos. É intangível, hoje, o número de pessoas acometidas de sífilis e na região. Se alguém especular mais de mil casos ou dois mil casos, não pode ser descartado.
“A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível que pode acometer homens e mulheres de quaisquer idades. Ela também é transmitida da mãe para o bebê recém nascido, a chamada transmissão vertical”, explica Kátia Reis. Resumindo, ela vem através da prática do sexo sem proteção.
“A sífilis é uma doença de evolução muito lenta. O que prejudica seu diagnóstico é que ela é assintomática na grande maioria das pessoas. Primeiro aparece apenas uma lesão, que é chamada de cancro duro, mas que não é dolorida. Então para a mulher, fisiologicamente avaliada, é mais difícil enxergar a lesão porque ela se abriga no interior da vagina. Para o homem é mais rápido e simples detectá-la”, acrescenta Estela Rossato. Diz que é uma lesão que não arde ou dói e as pessoas vão deixando de lado. Porém, com o passar do tempo, daí, sim, vão aparecer outros sintomas que são as lesões de pele (palma da mão e planta dos pés) e quedas de cabelo. “Se a pessoa não trata, a doença vai evoluir, e podem se manifestar muitos anos depois lesões neurológicas, ósseas e até cardíacas”, ampliou.
Mulheres que têm por hábito fazer consultas ginecológicas ou que fazem o pré-natal seguindo todas as regras são favorecidas nos diagnósticos. Mas, o mais prático e rápido, e para qualquer sexo, é um exame rápido e gratuito feito a qualquer hora na rede pública de saúde. É uma doença tratável com a penicilina, um medicamento antigo.
Um alerta e um elemento complicador: “diferente de outras doenças transmissíveis, a sífilis não produz imunidade à pessoa que adoeceu. Então, posso ter sífilis hoje, eu trato, daqui a um mês tenho contato de novo com um portador e ela volta. Por isso seu crescimento, porque a doença é curável, mas você pode adoecer duas, três, cinco, 10 vezes”, declara Rossato.

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