HomeSaúde sexta-feira, 15 de dezembro de 2017 15:31

Hospital Dom Bosco virou polêmica

Conselho de Saúde, Fundação e diretoria do hospital confrontaram opiniões na semana que passou.

Integrantes do Conselho Municipal de Saúde vieram à imprensa na segunda-feira pela manhã, 11, para fazer acusações contra a Fundação Municipal de Saúde e seu presidente Anderson Mantei. No dia seguinte, no mesmo horário, Mantei respondeu às questões mais importantes, posicionando a entidade que preside com números. O confronto verbal entre as partes serviu para criar um clima polêmico em torno da situação do Hospital Dom Bosco. Até então, nenhuma declaração mais forte havia sido dada, com exceção dos trabalhadores que nesta semana completaram uma greve de mais de 30 dias.

 

A ACUSAÇÃO:

José Martins, presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS) declarou que o Hospital Dom Bosco está agonizando, vítima de um problema político. “Afirmo isso sem medo de fazer injustiça. O atual gestor da Fundação fez tudo, cumpriu um manual para fechar aquela casa de saúde”, assegurou. “Ele liberou um alvará que não permite que se corte uma unha no hospital”, acrescentou José. Anunciou a posição favorável do CMS para um empréstimo via FUNAFIR (um fundo federal de financiamento de hospitais sem fins lucrativos) de cerca de R$ 800 mil que deverão ser aplicados na atualização do pagamento da folha de pessoal.

Martins queixou-se que nunca foi convidado nem mesmo para uma visita à Fundação e acusou seu presidente de não comparecer às reuniões do CMS. Fez uma declaração irônica: “para os amigos, os benefícios da lei e para os outros o rigor da lei.”

Já o médico Carlos Alberto Benedetti, na condição de conselheiro do CMS, disse que o dinheiro do FUNAFIR é paliativo e não vai solucionar os problemas que afetam o hospital, e criticou: “nós temos três instituições que prestavam serviços públicos, mas hoje só tem uma e do jeito que eles (Fundação) querem que seja. Isso ocorre por vontade política do gestor. Sem pedir à população, tirou serviços de dois hospitais e transferiu tudo para o Vida & Saúde”, disse. E continuou: “no Dom Bosco a Fumssar fez com que tudo fosse parando aos poucos: parou o trabalho, parou a receita e não efetivou o serviço de urologia aprovado pelo CMS, que foi levado para o Vida & Saúde. O problema é totalmente político. É uma opção do gestor em não viabilizar o Dom Bosco,” concluiu.

 

A DEFESA:

“Eu presido a Fundação Municipal de Saúde há 11 meses. Numa reunião realizada na Câmara de Vereadores na segunda-feira da semana passada, o auditor Luiz Klein assegurou para todos os presentes que a ABOSCO já nasceu falida em 2002. E disse que hoje ela está falida. Quem acusa demonstra desconhecer totalmente o sistema público de saúde de Santa Rosa”, reagiu o presidente da Fundação Municipal de Saúde, Anderson Mantei. “O Dom Bosco é um hospital privado que tem total liberdade de gestão e presta serviços à saúde pública. Nós não podemos interferir na gestão privada”, incluiu. Depois, passou a citar números. Disse que em 2013 o Dom Bosco prestou serviços de um montante anual de R$ 1,2 milhão, mas recebeu R$ 3,3 milhões com os incentivos municipais, estaduais e federais. “Ou seja, o Poder Público foi muito parceiro da ABOSCO”, afirmou. “Em 2014 prestou R$ 1,1 milhão em serviços, mas o total recebido foi de R$ 4,9 milhões com os incentivos. Em 2015 a mesma coisa: gerou R$ 1,2 milhão em atividades e recebeu R$ 3,9 milhões. Vejam que não há uma diminuição de serviços, mas sim muitos incentivos. Em 2016, quando eu ainda não presidia a Fundação, o Dom Bosco prestou R$ 1,2 milhão em serviços e recebeu ao todo R$ 4,8 milhões. Portanto, não é verdade que o problema é político. Não é verdade que os serviços foram sendo esvaziados. Não é verdade que eu segui um manual para fechar o hospital. Pelo contrário: é mentira,” desabafou Mantei.

E continuou: “agora vamos, por mais incrível que pareça, para 2017 sob minha presidência. Até novembro deste ano, a ABOSCO prestou R$ 907 mil em serviços. Vejam que segue um mesmo histórico de faturamento. E foram pagos, com os incentivos até o mesmo final de novembro, quase R$ 5,2 milhões. Para cada um real de serviços prestados, o Dom Bosco recebeu cerca de cinco reais com os incentivos. Portanto, a Fundação é absolutamente parceira do Dom Bosco. Estes são os números oficiais e públicos. Quem declarar que a intenção é prejudicar o hospital é uma pessoa completamente enganada e desin-formada”, acrescentou. “Os serviços, ao longo dos últimos anos, não foram reduzidos e nem levados para nenhum outro prestador”, finalizou.

 

O ESCLARECIMENTO:

O presidente da ABOSCO, mantenedora do Hospital Dom Bosco, Milton Dummel, pediu espaço na Noroeste para esclarecer algumas questões, mas não na linha do contraponto. “Primeiro, foi dito aqui que o Hospital Dom Bosco é uma empresa privada. Não é! Na verdade ela é uma Pessoa Jurídica de Direito Privado sem Fins Lucrativos”, disse. Sobre os números a título de incentivos apresentados por Anderson Mantei, concordou plenamente. “Porém, nos últimos 14 anos não houve aumento nas tabelas do SUS. Os governos criaram os tais ‘incentivos’, o que é uma esperteza, porque o termo incentivo pode soar como uma sobra de caixa”, explicou.

Citou a ala psiquiátrica que apresenta altos custos, mas que só se viabiliza com um incentivo de R$ 96 mil do Estado e R$ 22 mil da União. “Então, quando você usa a palavra incentivo, não se trata de sobra de caixa. É dinheiro para custear aquele serviço”, diz Milton.

Sobre as acusações dos conselheiros de saúde contra a Fundação, preferiu dizer que não pretende entrar nessa briga. “É o momento de nós, do Dom Bosco, solidarizarmo-nos com todos e manter um bom relacionamento”, optou.

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