HomeSaúde sexta-feira, 16 de março de 2018 08:16

Região vive iminência de epidemia de dengue

Levando em conta que o Ministério da Saúde admite a convivência com até 1% de infestação, o cenário na microrregião Fronteira Noroeste pode ser classificado como alarmante.

O alerta foi emitido nesta semana por Valdemar Fonseca, titular da 14ª Coordenadoria Regional de Saúde, após ter recebido e avaliado o último LIRAa (Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes). Levando em conta que o Ministério da Saúde admite a convivência com até 1% de infestação, o cenário na microrregião Fronteira Noroeste pode ser classificado como alarmante.

O ranking do Levantamento anunciado no início desta semana apresenta, pela ordem, Horizontina (16,4%), Tuparendi (14,3%), São Paulo das Missões (9,7%), Giruá (9,3%) e Santo Cristo (8,2%) com os índices mais expressivos. Com índices baixos de infestação, méritos para Porto Vera Cruz (zero), Alegria (0,6%), Nova Candelária (1%) e Senador Salgado Filho (1,2%).

Santa Rosa apresentou índice de infestação de 5,4%, quase cinco vezes maior do que é admitido pelo Ministério da Saúde. Também trata-se de um índice preocupante na avaliação da Vigilância Sanitária. Para piorar a situação, os focos de infestação estão distribuídos em vários pontos da cidade. “Se um índice maior estivesse concentrado numa única vila ou bairro, a Vigilância desenvolveria ações concentradas no local, obtendo maior sucesso”, explica Valdemar.

Em 2016 foram 103 casos suspeitos e 41 confirmados. Em 2017, 34 casos suspeitos e nenhum confirmado. Já em 2018, até agora são nove suspeitas e nenhuma confirmação em Santa Rosa.

Valdemar Fonseca isenta autoridades sanitárias e prefeitos de qualquer culpa diante do cenário ameaçador instalado na região. “Nós sabemos sobre o trabalho que os agentes de saúde desenvolvem e toca a eles levar orientação à população”, justificou. O grande vilão da história é a comunidade como um todo. “As pessoas precisam trazer para si a responsabilidade de, a cada chuva, inspecionar seus pátios ou sacadas de apartamentos”, orienta.

Fonseca não vacila em afirmar que a região convive com a forte possibilidade de eclosão de uma epidemia de dengue a qualquer momento. “Se tivermos um caso de dengue na região, ele se potencializará no respectivo município e pode transformar-se num quadro epidemiológico mi-crorregional como consequência natural”, alerta.

Existe a possibilidade de virar o jogo? “Sim, contanto que cada família faça um mutirão em sua casa ou apartamento, cada associação promova um mutirão na sua vila e que o mutirão se amplie para o bairro, até atingir a cidade inteira”, responde Fonseca. “O problema é que os índices atuais são elevados demais e existem cidades com focos distribuídos em várias áreas, como é o caso de Santa Rosa. Isso reduz a força de intervenção das autoridades sanitárias nas ações de combate aos focos identificados. Por isso, a tarefa deve ser conjunta, sempre com a indispensável participação do cidadão”, concluiu.

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