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2019, o meu Natal

Publicado em 27/12/2019 08h00 - Atualizado há 5 meses - de leitura

Quando criança, aguardava com incontrolável ansiedade a chegada do Papai Noel. No entanto, como candidato a algum presente, tinha de conquistar a simpatia do bom velhinho, o que se dava pelo cumprimento de algumas regras (limites) durante o ano na escola, nos afazeres domésticos, no trato com os irmãos, no respeito a pais e professores etc. Enfim, a lista não era fraca, mas nada que não pudesse ser cumprida. Em
não sendo cumprida, desagradava o barbudo vestido com as cores da Coca-Cola. Ninguém via o Papai Noel, mas ele existia. O imaginário de inocente tem força de realidade. Na véspera de Natal, eu, banho tomado, ia cedo para a cama, preparado para, ainda de madrugada, levantar e dar uma espiada nos presentes deixados pelo Papai Noel no presépio improvisado na minha casa, antes mesmo que os pais se levantassem. Em geral, resumia-se a um brinquedinho, coisa de R$ 1,99 de hoje, condizente com a situação financeira da casa. Mas eram coisas que eu não tinha lá no interior de Santo Ângelo. Logo, tudo era ótimo, bem-vindo, motivo para sair gritando pela vizinhança exibindo o presente e, mais que isso, o orgulho de ter feito jus ao prêmio.

No entanto, uma das minhas inocentes curiosidades era saber como o Papai Noel conseguia entrar na nossa casa fechada. Foi o que certa vez perguntei à minha mãe. Ela, certamente preparada para perguntas dessa natureza - até porque era óbvia -, me respondeu que o bom velhinho entrava pela fechadura da porta. Achei muito estranho aquele baita homem, desengonçado, carregado de sacolas, entrar por um orifício pelo qual passava, no máximo, um fio de linha. Mas palavra de mãe não se contestava. Minha mãe, entretanto, percebendo uma certa descrença com sua resposta, me disse que, naquela noite, ao ouvir os passos do Papai Noel se aproximando da nossa casa, teria levantado e recebido os presentes na porta da casa. Achei mais plausível. No meu mundo de criança, em verdade, tudo quanto queria era que a ficção nunca acabasse.

Ah, como era bom aquele tempo! O Papai Noel, com suas magias e segredos, existia. Invisível aos nossos olhos, acompanhava as crianças os 365 dias do ano. Era bondoso, generoso, mas também, para ser justo, exigente e intolerante. Sabia tudo, de todos. Essas regrinhas (obediência, estudo, respeito aos pais e professores, boas ações, honestidade etc), criadas não importa por quem, mas com certeza por algum pedagogo, eram direitos e deveres delineados, coisa como na linha que S. Paulo ensinou - “Quem não trabalha, não come” - traduzida em: criança tem direitos mas também tem deveres. Logo, quem não cumprisse obrigações, não poderia postular direitos ao Papai Noel.

Dito isso, prossigo com a história mais recente do Papai Noel, para mim transformada de ficção em realidade. Foi na segundafeira última que tive o meu mais emocionante fim de ano de todos. Em consequência, também o melhor Natal. Estou falando do título de cidadão santa-rosense que recebi da Câmara de Vereadores de Santa Rosa no dia 23, distinção concedida a mim pela unanimidade dos vereadores. Foi um momento ímpar na minha vida. Um momento em que a emoção sufocou minha razão. Ter minha digital em Santa Rosa, é a realização de um sonho de toda pessoa nascida fora daqui, mas por esta terra adotado. A indagação que fiz na cerimônia oficial, se valeu a pena, respondo com Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”.

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