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A face oculta do palavrão

Publicado em 05/06/2020 10h55 - Atualizado há um mês - de leitura

Eu não gosto de palavrão, mas vamos combinar: a censura às palavras de baixo calão proferidas por Jair Bolsonaro, na fatídica reunião de abril, a última com a presença de Sérgio Moro, foi além da conta. Para a mídia, oposições, OAB etc até parece que as chulas palavras empregadas na ocasião foram criadas pelo atual presidente. Pior é que, a mesma banda que repudia Bolsonaro, achava normal os impropérios proferidos pelo ex-presidente Lula, o “mais honesto”. Ora, grosserias fazem parte da nossa cultura ou, melhor, da nossa pobreza cultural quando do emprego do vernáculo. Diante da crucificação de Bolsonaro, fui atrás. Encontrei um estudo da Universidade de Maastricht (Holanda), na contramão dos padrões moralistas habituais, concluindo que palavrão é empregado no momento em que a pessoa está sendo mais honesta. É o estágio mais verdadeiro da pessoa indignada. Por isso, entender a relação entre xingamento e honestidade ajudaria na compreensão do ser humano. O estudo também informa que o pronome “eu” é empregado quando a pessoa está sendo mais ela mesma.

Pois eu achava que proferir palavrão era falta de postura. Já, falar na 1ª pessoa, era soberba. Mais estranho ainda, na relação do palavrão com o grau de integridade da pessoa, um estudo do Centro de Integridade Pública, em 48 estados dos EUA, apurou que os dados foram comparados com os individuais coletados pelo Facebook dos moradores de cada estado, e os pesquisadores buscaram a relação entre a frequência com que as pessoas proferiam palavrões e o índice de integridade de cada estado nos quais moravam. Os moradores de Connecticut e Nova Jersey, por exemplo, foram os mais bocas-sujas. No entanto, esses estados foram os que demonstraram os valores mais altos em integridade. “Queríamos respostas empíricas sobre a relação entre profanidade e honestidade”. Porém, “nas três etapas, tanto nos níveis individuais quanto coletivos, encontramos um uso maior de profanidades associado com honestidade.”

Mas palavrão não é apenas chamar alguém de “filho da p.”; é, ainda, comparar alguém, ainda que indiretamente, a Hitler. Pois foi o que fez o ministro Celso de Mello, que tem Jair Bolsonaro na alça de mira. Ao se referir ao presidente, domingo13, comparou o Brasil atual à Alemanha nazista. Não disse, mas é óbvio: comparou Bolsonaro a Hitler. Portanto, agressão ao chefe supremo da Nação, eleito com a “bagatela” de 57,7 milhões de votos contra apenas um voto, dado pelo ex-presidente José Sarney, ao acusador para acender ao STF. Mas, se Bolsonaro chamasse Celso de nazista? O STF abriria um processo, avocando-se o direito de ser acusador, instrutor e julgador.

Jair Bolsonaro, na fatídica reunião de abril, é inegável: usou expressões incompatíveis com o rito do cargo, como “o bosta do governador de SP, o estrume do governador do Rio ...” No entanto, para as mesmas forças, foram normais as expressões ainda mais chulas do Lula, como “porque era preciso você chamar o responsável e falar: que p* é essa?” (com o min. da Fazenda);  “P*, eu vou trabalhar achando que o mundo acabou. Ontem a minha mãe fez uma omelete para mim do c*! (à juventude do PT/2015); “Cadê as mulheres do gr* duro do nosso partido?” (2016). Superou-se, ainda, na exaltação à Covid-19 ... “ainda bem que a natureza ... criou esse monstro coronavírus, ... permitindo que os cegos comecem a enxergar que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises” (Carta Capital/2020). Depois, ante a repercussão negativa, se desculpou. Pergunto: Lula foi verdadeiro ao brindar o coronavírus ou ao se desculpar?

P.S. Na reunião de 22/04, em que alguns ministros se mostraram ávidos em agradar Bolsonaro, as provas do Sergio Moro, de interferência presidencial na PF, publicado o vídeo, sumiram. A “montanha pariu um ratinho”.

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