Blog Aquiles Giovelli
Blog Aquiles Giovelli
Aquiles Giovelli



Blog

A mudança de comportamento do governador

Publicado em 16/03/2021 16h37 - Atualizado há um mês - de leitura

Nos primeiros dois anos de mandato, o governador Eduardo Leite fez da diplomacia uma ferramenta. Tanto que conseguiu aprovar reformas antipáticas aos servidores público, as mesmas que José Ivo Sartori tentara sem sucesso. Aliás, o ex-governador teve, no ponto, contra seu projeto, os votos da bancada estadual do PSDB, partido político de Eduardo. Agora, porém, Eduardo subiu o tom. A mudança tem a ver com sua novel condição de candidato a candidato a presidente, uma articulação do PSDB para: afastar João Doria, governador/SP, do páreo eleitoral, assumir o protagonismo das oposições a Jair Bolsonaro e levar o nome Eduardo Leite para além do RS. Em suma, a mudança de comportamento de Eduardo decorre de excitação eleitoral. Ele, que se opunha à reeleição, agora, com as bênçãos de FHC, raposa felpuda da política, foca nas eleições/2022. Em suma, foi picado pela mosca azul. Nessa perspectiva, precisa marcar posição. Fazer oposição ao ocupante do posto que pretende alcançar, se impõe. Os leões, por instinto, para terem o domínio sobre o harém, marcam território espargindo urina. O homem, dotado de inteligência, usa estratégias, nem sempre perceptíveis.

No Brasil, a pandemia também se prestou para antecipar o debate eleitoral (infelizmente, com eleições a cada dois anos). Em recente reunião de governadores liderada por Eduardo, o presidente Bolsonaro foi acusado de “priorizar a criação de confrontos, a construção de imagens maniqueístas e o enfraquecimento da cooperação federativa ...” Conversa fiada. Os governadores querem dinheiro. Seus secretários de saúde, reunidos em seguida, na mesma toada, postularam reconhecimento do estado de emergência sanitária, dinheiro extraordinário sem prestar contas e plano de recuperação econômica. Em linguagem cifrada, abertura de portas. Das reuniões surgiram nota dos governadores e carta dos secretários, ambos documentos eleitoreiros. A propósito, lembro que o STF, a pedido dos governadores, retirou poderes do presidente para o enfrentamento da pandemia. E na semana passada, ratificou a decisão anterior. Assim, Bolsonaro continua impedido de interferir em decisões estaduais como isolamento, quarentena, locomoção, uso de máscaras, exames, testes, vacinação, tratamentos, requisição de bens e serviços, processo de sepultamento, etc. Na prática, sobrou para o governo central doar quantia bilionária, já efetivada. Na real, os estados receberam dinheiro como nunca. A pandemia salvou os estados, mas os estados não salvaram sua gente. Já o pagamento em dia aos servidores estaduais, segundo o governador, nada tem a ver com dinheiro federal. Como ingênuo, acredito.

  Também por ingênuo acredito que os políticos vivem de boas intenções. Mas como ingenuidade tem limite, deixo de lado meu momento de excessiva credulidade ao, sub-repticiamente, ver que alimentam silêncio ou ativismo da mídia com verbas publicitárias. Exemplo: do valor que o governo estadual destinou, em 2020, a toda a mídia do Estado, 50% foi para a RBS-TV, Rádio Gaúcha e ZH. Já do governo federal esses veículos nada receberam. Mas, como volto a ser ingênuo, isso nada tem a ver com o espaço generoso destinado ao governador nem com o espaço ácido superior destinado ao presidente.

Por fim, uma expressão muito usada nesse momento de incerteza e dor: calamidade pública. Ela se dá quando estado ou município sofre inclemente castigo. É quando os chefes dos executivos municipais e estaduais podem decretar estado de calamidade. E, uma vez baixado tal decreto, credenciam-se a verbas extras e a contratações sem licitação. Essas situações lembram as regiões Serrana (RJ) e Nordestina, com enchentes e secas devastadoras desde sempre. Pois também desde sempre ouço que polícia e ministério público estão no encalço de responsáveis por malversação de recursos destinados ao combate das tragédias, triunfando, porém, a impunidade. Aliás, de impunidade quem entende como nenhum outro mortal são os ministros do STF.

Últimas do Blog

VER MAIS NOTÍCIAS



Top Vídeos

:: assista aos destaques

Privatização da Corsan

Ex-prefeito de Santa Rosa, Orlando Desconsi, falou na manhã desta segunda-feira (19) sobre a privatização da Corsan.

há 15 horas


Mantei avalia os 100 primeiros dias de governo

há 17 horas


Programa Podcast Noroeste

há 17 horas