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Assim o Musicanto não vai a lugar algum

Publicado em 18/07/2021 11h28 - Atualizado há 6 dias - de leitura

Sob o título “Chamamé: patrimônio da Humanidade”, em 31/12/20, escrevi (excertos):

“A Argentina, que já tinha o tango como patrimônio da humanidade, acaba de ter também o chamamé declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, pela Unesco. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura se ancorou na cultura, na história e na ciência do chamamé pelas suas “práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados”. Poucos ostentam esse galardão. No Brasil, são cinco: Roda de Capoeira, mistura de dança e luta com origem na escravidão; Frevo, expressão artística do carnaval de Recife; Samba de Roda, expressão coreográfica e poética nascida no Recôncavo Baiano; Círio de Nazaré, celebração religiosa de Belém; Arte Kusiwa, pintura corporal de indígenas ...

O chamamé, com origem na Argentina, se popularizou no Brasil. No RS, seu defensor há décadas, não por acaso intitulado embaixador cultural do ritmo, é o músico e compositor Luiz Carlos Borges, autor de quase 100 canções do gênero, o mesmo que na década de 1980, como Secretário de Cultura de Santa Rosa, formatou o Musicanto Sul-Americano de Nativismo diferenciado de todos os festivais gaúchos que existiam. Borges (na obra Caraí Chamame, de Juliano Javoski) sentenciou: “O Chamame encontra-se cada vez mais abrasileirado, ele está tão aculturado que não precisa mais ser mexido; para mim, o Chamame não precisa de autorização, ele está autorizado.” Também contribuiu para a elevação do chamamé à categoria de patrimônio da humanidade. Já a Unesco, para conceder a comenda, considerou o ritmo uma dança em que seus intérpretes “se movem fortemente”, além das ‘musiqueadas’, ‘invitadas’, ‘plegarias’, expressando sentimento de ‘alegria’, ‘tristeza’, ‘dor’, e através do sapucay ...

(...)

Além de LC Borges, quem está exultante com a declaração da Unesco é o santa-rosense da pura cepa, o médico Valci Vargas (Camboriú), dono do maior acervo de chamamés do Brasil e da Argentina, Miembro dela Fundacion Memoria del Chamamé. Ambos, cada um no seu quadrado, têm muito a ver com o novo status do chamamé. Ao tempo em que aplaudo ..., sonho com o Musicanto - festival com história e raiz; na liberdade para a criação, definido pelo saudoso Sérgio (Jacaré) Metz como “terrivelmente democrático” - também agraciado pela Unesco. A arte e a cultura ancestrais que incensaram o chamamé, poderão incensar o Musicanto.”

No entanto, na semana passada, meu sonho/desejo de ver o Musicanto Patrimônio da Humanidade recebeu da Fenasoja um banho de água fria ao definir realizar o evento apenas em 2023. Ora, a descontinuidade de um projeto é o começo do seu fim. Ignoro as razões da Fenasoja. O Musicanto, pela sua importância cultural, econômica e social, merece muito mais. Em 2020, em transmissão não presencial, teve mais de 100 mil acessos nas três noites (Youtube, Facebook etc); dinheiro via LIC para realizá-lo existe; pelos canais já construídos, aberto o prazo de inscrições, receberia seguramente mais de 500 músicas de todo o Brasil e de, pelo menos, quatro países sul-americanos.

Coisas incomparáveis não se compara. Por exemplo, comparar o Musicanto (evento cultural) com a Fenasoja (evento econômico). No entanto, a Fenasoja - inconscientemente, creio - está comparando. Enfim, o Musicanto parece ser o novo patinho feio, rejeitado por causa da sua aparência diferente, o qual, no entanto, cresceu e se revelou - sem que todos percebessem - um belo cisne (Conto de Hans Andersen).

É hora de voltar o Musicanto à Prefeitura Municipal, sem, no entanto, fechar as portas a outras entidades, inclusive à Fenasoja, desde que, pelo menos os ex-presidentes do Musicanto (na cidade são 13 acumulando 18 presidências), sejam ouvidos. O que não pode é um evento cultural que transborda os muros do Brasil - pelo qual abnegadas pessoas doaram inteligência, suor e, por vezes, dinheiro seu para viabilizá-lo - ser relegado a um plano secundário.

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