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Chamamé: patrimônio da humanidade

Publicado em 04/01/2021 17h14 - Atualizado há 2 semanas - de leitura

A Argentina, que já tinha o tango como patrimônio da hu­manidade, acaba de ter também o chamamé declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, pela Unesco. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura se ancorou na cultura, na história e na ciência do chamamé pelas suas “práticas, representações, expressões, co­nhecimentos e técnicas com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados”. Poucos ostentam esse galardão. No Brasil, são cinco: Roda de Capoeira, mistura de dança e luta com origem na escravidão; Frevo, expressão artística do carnaval de Recife; Samba de Roda, expressão coreográfica e poética nascida no Recôncavo Baiano; Círio de Nazaré, celebração religiosa de Belém; Arte Kusiwa, pintura corporal de indígenas. O MS tem o Dia do Chamamé (19/09).

O chamamé, com origem na Argentina, se popularizou no Brasil. No RS, seu defensor há décadas, não por acaso inti­tulado embaixador cultural do ritmo, é o músico e compositor Luiz Carlos Borges, autor de quase 100 canções do gênero, o mesmo que na década de 1980, como Secretário de Cultura de Santa Rosa, formatou o Musicanto Sul-Americano de Nativismo diferenciado de todos os festivais gaúchos que existiam. Borges (na obra Caraí Chamame, de Juliano Javoski) sentenciou: “O Chamame encontra-se cada vez mais abrasileirado, ele está tão aculturado que não precisa mais ser mexido; para mim, o Chamame não precisa de autorização, ele está autorizado.” Também contribuiu para a elevação do chamamé à categoria de patrimônio da humanidade. Já a Unesco, para conceder a comenda, considerou o ritmo uma dança em que seus in­terpretes “se movem fortemente”, além das ‘musiqueadas’, ‘invitadas’, ‘plegarias’, expressando sentimento de ‘alegria’, ‘tristeza’, ‘dor’, e através do sapucay, o grito que brota da alma. Entre nós, entoam o som ardente (guarani) Lucas Friderichs e Vítor De Conti.

O chamamé é um estilo musical nascido provavelmente em Corrientes. Entre seus próceres estão Emilio Chamorro, Mau­rício Valenzuela, Ernesto Montiel e Trânsito Cocomarola. Foi popularizado, entre 1940 e 1960, por Antônio Tarrogô Ros (pai), Ramón Ayala, Ramona Galarza e Isaco Abitbol. Na década seguinte surgiu o Festival Nueva Canción Correntina, do qual foram destaques Teresa Parodi, Pocho Roth, Antônio Tarragó Ros (filho), Mário Bofill e as irmãs Vera e Marili Gonzáles Se­govia. Logo chegaram Chango Spasiuk e Nini Flores. Segundo Gabriel Romero, presidente do Instituto Provincial de Cultura, o “chamamé és mucho más que uma música alegre que se escuchaba em bailantas y que solo la bailada la classe traba­jadora, como se hacia crer. Es una manifestación cultural que no distingue clases sociales y que tiene celebración propia: la Fiesta Nacional del Chamamé y la Fiesta del Mercosur, que se realiza todos los meses de enero em Corrientes y sirve como vidreira mundial para um gênero que sigue sumando adeptos”.

Além de LC Borges, quem está exultante com a declaração da Unesco é o santa-rosense da pura cepa, o médico Valsi Vargas (Camboriú), dono do maior acervo de chamamés do Brasil e da Argentina, Miembro dela Fundacion Memoria del Chamamé. Ambos, cada um no seu quadrado, têm muito a ver com o novo status do chamamé.

Ao tempo em que aplaudo a nova láurea do chamamé, sonho com o Musicanto - festival com história e raiz; na liberdade para a criação, definido pelo saudoso Sérgio (Jacaré) Metz como “terrivelmente democrático” - também agraciado pela Unesco. A arte e a cultura ancestrais que incensaram o chamamé, também poderão incensar o Musicanto.

Em meio à pandemia, encontro no chamamé - herança da fusão guarani com jesuítica - um destaque positivo em 2020. Para 2021, meu sonho, além do extermínio do vírus, é ver o Musicanto ungido à condição análoga à que a Unesco conferiu ao chamamé.

Líres Zimermann, a nova secretária de Educação e Cultura, é aliada do Musicanto. Logo, minha esperança se reacende. Estamos juntos nessa empreitada, secretária!

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