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Fato e versão

Publicado em 10/01/2020 10h39 - Atualizado há 4 meses - de leitura

Quando alguém conta um episódio, a dúvida do ouvinte é se a narrativa é um fato ou uma versão do fato. Sim, deveria ser narrativa fidedigna, mas se sabe que nem sempre é. Já, quando o mesmo fato é contado várias vezes, nunca se tem ipsis litteris o mesmo fato. Ademais, é preciso considerar, ainda, o ingrediente criatividade, ou seja, a capacidade de criar versões pelas pessoas. Bem, em que confusão estou me aventurando! Ah, em política, vale a máxima de que mais importante do que o fato é a versão do fato. É por isso que fake news (notícia falsa), uma praga que se disseminou nas mídias sociais, ganhou asas de falcão-de-peito-laranja. Sabem os antiéticos, seguidores de Goebbels, assessor de Hitler, que a mentira reiterada vira verdade. Nessa linha, encontramos exemplos em conflitos interna corporis de cada país e entre nações. Ou seja, os vencedores escrevem a história.

A Revolução Farroupilha, movimento cívico maior dos gaúchos, tem versões diferentes sobre os motivos pelos quais começou e como terminou. Para a maioria dos historiadores, começou com
a insatisfação dos estancieiros gaúchos com a política fiscal do governo sobre o charque, o principal alimento dos escravos do Sudeste/Nordeste, em face dos impostos cobrados maiores do que aqueles incidentes sobre o mesmo produto importado do Uruguai e da Argentina. Teria sido, ainda, um movimento da elite gaúcha e separatista. Quanto ao término, o Tratado de Poncho Verde (Dom Pedrito), para os imperialistas foi rendição; para os farroupilhas incondicionais foi acordo de paz. Quer dizer, um mesmo fato tem versões antagônicas. Um dado que chama atenção é a ausência das assinaturas de Gomes Jardim, então governador da República do Piratini, e de Bento Gonçalves, líder da Revolução, ao termo. Acrescente-se a esse fato - ou versão? - que dos 12 artigos do documento, o da libertação de escravos nunca foi cumprido.

Volto à planície: (1) Eduardo Leite, quando candidato, criou a narrativa de que, em um ano e meio de governo, resolveria o atraso de salário dos servidores por meio de gestão do fluxo de caixa. Como o problema não era apenas de gestão, ficou na promessa. Logo, terá como versão a narrativa eleitoreira; (2) juiz de garantias, emenda do dep. Freixo, do Psol, ao projeto anticrime de Moro, foi sancionada por Bolsonaro - um retrocesso no combate à corrupção e uma derrota que o presidente impôs ao seu ministro. Presidente e ministro, antes no mesmo lado, agora, graças à malcheirosa emenda, em lados opostos. É, pois, um fato e duas versões, ambas verdadeiras; (3) o Papa Francisco, na Praça S. Pedro, deu um tapa em uma mulher. É fato. No dia seguinte se desculpou. É outro fato - ambos acordes com as versões veiculadas; (4) médicos cubanos, pelo “notório” saber, foram livremente contratados pelo Brasil. No Uruguai (jornal El País), foram reprovados no “Revalida”, que a Dilma dispensou. É fato. E a versão? Por coerência, Cuba deverá de admitir que seus médicos (Mais Médicos), no Uruguai foram declarados despreparados para o exercício da medicina. Admitirá?

Na carona do Papa, suscito uma imbricação hipotética: se, ao invés do Papa, o autor da agressão tivesse sido o presidente do Brasil em jornalista da Globo. Mesmo Bolsonaro se desculpando, qual seria a versão da Globo? Acertou! Que o presidente é fascista. Em suma, a versão, específica e própria como cada um vê o fato, se expressa segundo interesses, ideologias e nível cultural.

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