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Meu pedido ao Papai Noel: Natal sem vírus

Publicado em 28/12/2020 10h29 - Atualizado há 3 semanas - de leitura

Não tive Covid-19, graças a Deus! Mas muitas pessoas dos meus círculos familiar e de amizade foram infectados pela doença chinesa. A esmagadora maioria se recuperou sem apresentar sequela. Mas nem todos tiveram resultado feliz. Pelo contrário, amigos, daqueles de se guardar no coração, ficaram pelo caminho. O vírus, de uma forma ou de outra, afetou a todos. Em função dele, há nove meses a rotina do Brasil mudou. Algumas mudanças vieram para ficar, outras serviram de experimentos, de cobaias para o bem geral. Todos nós, com a sensação do bichinho batendo às residências, fomos aprendendo. Aliás, não só nós alheios à ciência e à medicina. Cientistas e médicos também. Até hoje os experts divergem quanto ao tratamento, se precoce ou não, quanto ao emprego deste ou daquele medicamento, se com drogas antigas ou novas. Por isso, há quem recomende o consumo de produtos veterinários utilizados em animais como desinfetante. Com a falta de um antídoto certeiro contra o mal, mais o pânico dos noticiários diários para todos os lares, a crendice popular ressuscitou velhas receitas como gotas de creolina, bálsamo alemão, chá de minhoca, chá de casca de cobra, alimentos à base de pênis de animais etc como imunizantes. A justificativa está no velho, mas nunca esquecido ditado: quem está no inferno, abraça o diabo.

Os governadores estaduais - sob a liderança de João Dória (PSDB/SP) e de Wilson Witzel (PSC/RJ, afastado por corrupção) - mirando proveito político em cima da desgraça, passaram a adotar políticas de saúde à margem do Ministério da Saúde, mandando, entretanto, a conta para o governo federal. Pior, em ação coletiva dos governadores de estado, o Supremo Tribunal Federal, em mais uma das suas constantes intromissões em assuntos de competência exclusiva do Poder Executivo, deu ganho de causa aos governadores. Enfim, com acertos e erros, a rotina do Brasil se alterou para enfrentar o novo coronavírus. Hoje, passados nove meses, felizmente estamos enxergando uma luz no final do túnel com os testes finais de diversas vacinas contra a Covid-19. Parece que o último impasse está na imposição à pessoa que tomar a vacina assinar um termo de concordância. Essa medida, bastou o presidente anunciar, para a grande mídia cair de pau sobre Bolsonaro. Ora, é cautela que o fabricante exige do governo que, por sua vez, a repassará ao consumidor. Lembro que as fábricas de cigarro têm se safado de milionárias indenizações pela morte de fumantes com as inserções nas carteiras de cigarros das frases “cigarro causa câncer”, “cigarro provoca enfisema pulmonar” etc. Com isso, o fumante assume o risco que seria da indústria tabagista. Já, quanto à possibilidade de punição a quem não se vacinar, outra discussão do momento, ela está prevista na Lei Emergencial, que determina a realização compulsória de vacinação...   

Bem, Natal 2020 vai ter. É a data atribuída ao nascimento de Jesus. As árvores de Natal, em homenagem ao filho do Homem, estão montadas. As luzes alusivas à data, acesas. No entanto, as comemorações em família não serão as mesmas. Pelo menos não deveriam ser para se evitar aglomerações. O distanciamento é uma das práticas que a experiência consagrou como importante para evitar o contágio. Sem destruir o sonho inocente das crianças à misteriosa vinda do Papai Noel, mas tendo o nascimento de Jesus o centro das nossas atenções, todos temos de abrir mão de algum dos hábitos tradicionais; eu, do efusivo abraço fraterno aos meus netos. Não que não os abrace, mas a droga é que não consigo abraçá-los sem sentir temor, quase remorso.  

O festival de horrores causado pela Covid-19 trouxe a morte para a sala em que o presépio está armado. De todas as limitações que o novo coronavírus a todos impôs, duas, para mim, exsurgem cristalinas: uma, que ninguém é uma ilha; duas, que a importância da liberdade se dimensiona pela sua ausência. Assim como água, sente-se o seu valor quando a torneira está seca. Meu pedido ao Papai Noel, já sei: neste ano não será alcançado; talvez no próximo ano: um Natal sem vírus. Feliz Natal!

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