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Nada é tão ruim que não possa piorar

Publicado em 06/07/2020 08h32 - Atualizado há um mês - de leitura

O ditado nada é tão ruim que não possa piorar, retrata a situação do Rio Grande do Sul. As finanças do Estado, precárias de longa data - tanto que desde o governo José Ivo Sartori os salários dos servidores vem sendo parcelados, neste ano amargou uma estiagem com reflexos na produção de grãos, especialmente de soja, nossa principal commoditie agrícola, e se agrava com o coronavírus. A pandemia de maior impacto na história já deixa um rastro de morte, recessão e insegurança. Quer dizer, em relação ao ano anterior, 2020 já é muito pior. Mas, como desgraça pouca é bobagem, agora o RS tem nova ameaça: a invasão de gafanhotos através da Fronteira Oeste. A multiplicação dos insetos devastadores começou na Argentina, na província de Formosa, passou pelo Chaco e por Santa Fé e chegou em Corrientes. Como os gafanhotos voam até 100 km por dia, a previsão era de que no final da semana passada chegassem ao Estado. No entanto, a queda da temperatura e mudança dos ventos, na região, botou um freio temporário na fome insaciável dos insetos; estacionaram a 150 km de Quaraí.

Mas, por que do surto de gafanhotos? Segundo o Diretor da Associação Brasileira de Agroecologia, Leonardo Melgarejo, o fenômeno “é uma expressão do desequilíbrio ecológico” em decorrência da destruição ou redução das populações de pássaros, aranhas, preás etc. Contribuiria para a diminuição ou extermínio de predadoras naturais dos gafanhotos o uso intensivo de venenos e a redução de seu habitat natural. Aí é que a questão embaralha a minha cabeça. Sou testemunha de um surto de gafanhotos quando eu tinha quatro ou cinco anos de idade, em 1947-48, época em que nada molestava os predadores naturais dos vorazes insetos consumidores do verde. Ou seja, naquele tempo os produtos agrícolas eram orgânicos, sem que seus produtores soubessem. Os agrotóxicos, se existiam, ninguém sabia. Já o desmatamento era ínfimo: apenas algumas toras eram extraídas das matas para a construção de casinhas e pequenas derrubadas eram feitas para a abertura de novas lavouras de subsistência.

Quando da possível da invasão de gafanhotos no RS, me vieram à mente dois temas: 1º) a 8ª praga do Egito; 2º) um surto de gafanhotos que ajudei a combater. Quanto ao primeiro, revisitei a história da qual guardava apenas reminiscências. Em síntese, foi um dos castigos do céu ao Egito como pressão ao Rei Faraó para libertar os hebreus. Depois do 7º castigo, ante a indiferença do Faraó, Deus teria mandado a 8ª praga: uma nuvem de gafanhotos que arrasou o verde do País. Quanto ao segundo, o fato ocorreu em Laj. do Cerne, S. Ângelo. Éramos nove irmãos, pois a caçula Cleci, que completaria a prole de Benjamin e Zelinda, não havia nascido. Na época, as culturas rurais destinavam-se ao consumo da família e de animais. Meu pai, para enfrentar os insetos, armou seu exército - ele, o comandante; os filhos, os soldados. Suas armas: vassouras de guanxuma. Inútil. Eu, no entanto, alheio à tragédia, fazia da tristeza uma festa. Contar que tinha matado insetos, enterrando-os, virou proeza de gente grande a ser alardeada.

Derrotados pelo ataque dos gafanhotos, Benjamin, palheiro nos lábios, avaliava os prejuízos, enquanto Zelinda, religiosa, pedia proteção Divina. A preocupação do casal: como alimentar uma família numerosa dependente de cultivares arrasadas. Sem milho, não teria farinha para a polenta, base das nossas refeições, nem ração para as vaquinhas, que forneciam o leite, para os porquinhos, que forneciam banha e carne, e para as galinhas, que forneciam ovos. Em 1947-48, eu combati gafanhotos. Em 2020, foi o clima que afugentou, por ora, os gafanhotos, mas não a Covid-19; nem a recessão.

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