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Nem o vírus chinês deteve o Musicanto

Publicado em 05/12/2020 07h59 - Atualizado há um mês - de leitura

O 28º Musicanto, que os organizadores atuais denominaram Musicanto 2020, é mais uma entre as tantas vítimas do novo Coronavirus. Quanto à nova denominação, tanto faz. Já não digo se a mudança mexesse no DNA do festival. O Musicanto 2020, por razões óbvias, foi realizado no Centro Cívico Antônio Carlos Borges, sem público presencial. Restou a seus aficionados acompanhar as canções através de veículos de comunicação; eu, através da rádio Guaíra, transmissão do Ribeiro Júnior com comentários de Sadi Ribeiro, Kiko Gaúcho e Paulo Severo. Que trabalho! Para quem como eu esteve presente nas 27 edições anteriores, quatro como presidente, meu sentimento de indignação à Covid-19 aumentou. Afinal, a pandemia impediu o contato com artistas, o reencontro de pessoas, a troca de informações, o choque de culturas - que só se perfectibilizam com a presença física de público e artistas no festival.

Não faz muito, o Musicanto agonizava. Foi quando Alexandre Maronez propôs, através da Fenasoja que presidia, assumir o Musicanto. Na época, foi uma saída, e que saída! Por deferência do prefeito Alcides Vicini, fui consultado. Aquiesci à ideia. No entanto, nunca entendi a parceria como fusão definitiva entre os dois eventos por entender que, em campos diferentes, o papel de ambos deve ser de protagonista. Sei que reacender a chama do Musicanto é difícil, mas não impossível. A partir de 1983, em condições mais adversas (sem LIC nem ROUANET), o Musicanto notabilizou Santa Rosa. Logo, não pode ser coadjuvante, a despeito da admiração que tenho pela Fenasoja, da qual fui auxiliar na 1ª edição e secretário-geral na 2ª. A Indumóveis e o Hortigranjeiros, filhos da Fenasoja, com a carta de alforria na mão, vão muito bem, obrigado, no mesmo palco.

Sempre me preocupei com o futuro do Musicanto. Daí ter criado a Oscip/Musicanto e sugerido cláusula extra ao contrato entre Prefeitura e Corsan quando da sua renovação. Por isso que, definida a eleição municipal, encaminhei a Mantei e a Taquari o seguinte pleito: “... Aproveito para apresentar-lhes minhas demandas: 1) devolver ao Musicanto seu protagonismo; 2) destinar ao Musicanto o valor da cláusula 22ª, XXIX, do Contrato entre Prefeitura e Corsan (R$ 50 mil por ano), como era a ideia da cláusula que sugeri ao ex-prefeito Orlando; 3) garantir em orçamento verba (reserva como garantia) para realizar o Musicanto anual ...” Da sugestão em comento, nasceu a cláusula “investir, na qualidade de patrocinadora ou apoiadora de eventos oficiais do MUNICÍPIO, até o limite de R$ 50.000,00 por ano, compondo este valor até R$ 20.000,00 em projetos incentivados pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Lei Rouanet), reajustável pela variação do IGP-M, devendo os eventos ser revestidos de caráter educativo ambiental, informativo ou de orientação social”. A redação final da cláusula difere da proposta original, mas sem desnaturá-la. O valor proposto - R$ 50 mil a R$ 100 mil/ano, exclusivo para o Musicanto, por 25 anos - ficou em R$ 50 mil.

O Musicanto 2020, graças às ações do Vitor De Conti, presidente, e do Fernando Kaiber, produtor cultural, se sobrepôs à Covid-19. Nas canções, prevaleceram a diversidade de ritmos e de temas. Por mais de uma vez, em casa, acompanhando a transmissão do festival, a razão teve de frear minha emoção para não quebrar o protocolo sanitário preventivo contra o vírus chinês, que me impulsionava para o Centro Cívico. Foi um retorno ao tempo em que o Musicanto exalava criatividade e glamour.  Faço, porém, reparo à classificação para a fase regional. Para mim, reserva de mercado.

No Musicanto 2020, “No olhar de outras janelas”, Chacarera de Carlos Madruga em parceria com Martim Cesar e Diego Muller, não era minha preferência, mas sem injustiça a premiação. Preferia “Casa de Santo”, Cateretê de Cícero Gonçalves e Adriano Rosa/SP, talvez por gostar de viola caipira (10 cordas), instrumento trazido ao Brasil pelos portugueses, provavelmente o mais antigo no país, que me sintoniza com os violeiros Tião Carreiro, in memoriam, e Almir Sater.

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