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Os insetos pedem socorro

Publicado em 08/02/2021 11h48 - Atualizado há 4 semanas - de leitura

A revolução agrícola, que alavancou a produção da fase de subsistência familiar para a produção em escala, veio acompanhada de profundas mudanças. Era inevitável. É que, assim como não dá para se fazer omelete sem quebrar os ovos, com o incremento de tecnologia às antigas práticas - aumentando a produção e a produtividade, o mundo substituindo o arado de boi/cavalo pelo trator e a enxada por defensivos - a mudança evitou a morte de milhões de irmãos pela fome, mas criou a cultura do menosprezo aos insetos. Dados próximos da gente indicam que em um ano, no Estado/RS, mais do que dobrou o número de mortandade de abelhas. Em 2019 foram 23 registros; em 2020, 55. Dos testes, 14 amostras estão em análise e 37 já confirmaram a causa: contaminação por agrotóxicos. As consequências, são: dizimação de colmeias e ataque à polinização.

O mel, além de alimento nutritivo, é fonte de renda e de emprego, contando, hoje, com 490 mil colmeias com 37 mil apicultores gaúchos (cadastrados) produzindo 11 mil toneladas do produto ao ano. Outrossim, está provado que, sem insetos, não há polinização. E sem polinização, a produtividade agrícola cairá. Isso é preocupante. Para a FAO, órgão da ONU para a Alimentação, 75% dos cultivos destinados à alimentação humana mundial dependem das abelhas. Atualmente, o maior problema reside: 1º) na permissão de uso de defensivos prejudiciais aos insetos; 2º) com seu uso inadequado, em especial na pulverização aérea, mesmo com produtos autorizados, ante a deriva que se dá em função da temperatura, velocidade do vento, umidade do ar e altura do voo do avião com a distribuição da calda do produto para fora do alvo - efeito impossível de controlar; 3º) uso de agrotóxicos proibidos no Brasil, ‘importados’ na calada da noite. 

 Santa Catarina teve uma iniciativa louvável para reduzir a agressão ao meio ambiente. O Executivo propôs, mas o Legislativo rejeitou, a tributação verde (aqui, faz tempo, defendo o IPTU verde), progressiva, a saber: para produtos altamente tóxicos, 17% de ICMS; 12% para os moderadamente tóxicos; 7% para os pouco tóxicos; 4,8% para os improváveis de causar “dano agudo”; e 0% para os bioinsumos. Destaco os bioinsumos, com eficiência comprovada pela EMBRAPA, objeto de lançamento em 2020 como Programa Nacional de Bioinsumos pelo Ministério da Agricultura (MAPA), como produto biológico para uma agricultura sustentável - incipiente ainda e desafiando a Basf, Bayer, Syngenta – é verdade, mas que, segundo o Mapa, 50 milhões de hectares de produtos agrícolas já são tratados com o defensivo. Enfim, ventos, embora próximos de brisa, sopram a favor. Segundo LC Demattê Fº, CEO da Korin Agricultura e Meio Ambiente, “o solo tem vida. Ele não é somente uma massa de minerais. É algo vivo, que responde aos sentimentos e à vontade das pessoas e ajuda a construir seres humanos plenos, completos, para a construção de um mundo melhor”. Logo, substituir agrotóxicos por defensivos naturais é viável, técnica e economicamente.

Não bastassem os agrotóxicos, nova ameaça, contraditoriamente sugerida pela ONU, para sobre o futuro dos insetos. Para azar dos bichinhos, está provado que são ricos em proteínas e gorduras boas; cálcio, ferro e zinco. Assim, poderão substituir alimentos tradicionais (frango, carne, peixe). Ademais, a criação de insetos emite menos gases de efeito estufa que outros animais.  Segundo a FAO, os insetos seriam a resposta para o futuro contra a fome. E a fobia a baratas (catsaridafobia)? Problema para os psicólogos. Mas eles se encarregarão de afastar o trauma dos fóbicos provocados pelo inseto. A propósito, a relação do homem com o cão, como foi? Descendente de lobo, o canino feroz, depois de séculos de domesticação, se tornou o melhor amigo do homem.

O frigorífico Alibem, planta local, com Porto Mauá, desenvolve projeto voltado à apicultura. Não conheço seus detalhes, mas não tenho dúvida: incrementará a diversificação e, indiretamente, a melhoria das próprias lavouras com a polinização.

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