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Pós-pandemia

Publicado em 30/05/2020 11h09 - Atualizado há um mês - de leitura

Sócrates exagerou na sua humildade a dizer “Só sei que nada sei”. Ora, se o filósofo ateniense se achava ignorante, o que sobra para os quase oito bilhões de habitantes do mundo? Mas todo mundo opina sobre o coronavírus. Por isso, depois da pandemia, por certo ouviremos: “eu avisei”! Alguns com razão, outros não. Ocorre que entre diferentes ideias - palpites, na maioria - a chance de alguém acertar, inclusive leigos, é grande. Em sendo adepto da tese do depurado Terra ou da do ex-ministro Mandetta, pouco importa, o ciclo do vírus após atingir o pico é consenso que vai arrefecer. Importa dizer que o isolamento social deixará de ser tese de uns, a favor, e de outros, contra. O uso da cloroquina, também. Aliás, o medicamento encontrou um ponto de convergência entre Brasil e Venezuela: Com Maduro, é remédio oficial; com Bolsonaro só entrou no protocolo contra o vírus depois que o presidente substituiu dois ministros da saúde.

A preocupação com o pós-coronavírus nasceu quando eclodiu o vírus na China. Muitas narrativas surgiram. Com a Covid-19, a única certeza é que, sem vacina imunizante, o amanhã continuará imprevisível, e tudo que é imprevisível é desconfortável. Vaticina-se a derrota da epidemia. Quando, porém, não se sabe. Também como será o dia seguinte é incógnita. Já os mais otimistas se apegam à solidariedade humana - que se mostrou efetiva no socorro às vítimas da infecção e do desemprego que ela gerou - para afirmar que o mundo não mais será o mesmo. Todavia, o legado (mudança) da tragédia vai depender de cada um. A ajuda humanitária, que se revelou expressiva, é indicativo de um mundo melhor, mas não se pode esquecer que a humanidade é dominada pelo individualismo. De concreto, tivemos mudanças no ambiente de trabalho com reuniões presenciais substituídas pelo sistema remoto; vendas on-line que se intensificaram; ensino à distância que se consolidou; mudanças na configuração do trabalho remoto. Enfim, são máquinas e ferramentas digitais inteligentes entrando em ação.

Porém, essas e outras novidades também vão contribuir para substituir os já afetados postos de trabalho pelo vírus. Logo, buscar alternativas se impõem. Uma, a liberação de cassinos, que voltou à baila com o aval do ministro da Economia. No ponto, estou acorde com Paulo Guedes. Segundo pesquisa, a concessão de cassinos geraria receita de R$ 7 bilhões; em impostos, mais R$ 20 bilhões/ano; na geração de empregos diretos e indiretos, 1,3 milhão. Como aqui escrevi, há argumentos a favor e contra a legalização dos cassinos. Os que se opõem à liberação, se apoiam em falso moralismo. Ora, as igrejas, que demonizam jogos de azar, também fazem bingos proibidos. A agregarem receitas, teríamos, ainda, incrementos em serviços aniquilados pela pandemia: bares, hotéis etc. Afora o comércio e a indústria de produtos no entorno dos cassinos.

A rejeição a cassinos carrega hipocrisia, pois os brasileiros convivem com jogatinas oficial (mega-sena, loto ...) e proibida (250 mil pontos de jogo do bicho). A internet aberta recebe R$ 3 bilhões/ano em apostas on-line. Cerca de 300 mil pessoas todos os anos deixam (deixavam antes da Covid-19) o país para jogar na Argentina, Uruguai, Portugal, Las Vegas etc. Na América do Sul, a proibição restringe-se a Brasil e Equador. A CNBB e as igrejas evangélicas são contra. Para o catolicismo, não se trata de ofensa a princípios justos, mas o temor à destruição de “valores primordiais da vida e seus direitos inalienáveis ao priorizar coisas secundárias”. No entanto, nos EUA, estudo do teólogo Beth Haile, Ph.D em Teologia Moral (portal US Catholic), mostra que o jogo é uma das principais receitas das suas igrejas, e não se tem notícia de que seus fiéis, beneficiários de dólares de origem pecaminosa, tenham passaporte para o inferno.

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