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Vingança é a palavra de ordem

Publicado em 17/01/2020 10h24 - Atualizado há 4 meses - de leitura

Que horror! O comando iraniano, como resposta à morte de Qasem Soleimani pelos Estados Unidos, prega a vingança como se fosse uma virtude humana. Pior, prega e pratica. Por “engano”, abateu um avião com 176 pessoas a bordo. A filha do general morto exigiu vingança. “Nós vingaremos”, respondeu o novo comandante da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, em Kerman durante uma das tantas cerimônia de despedida do general. Por sua vez, o aiatolá Khamenei afirmou que a partida de Soleimani “rumo a Deus não termina seu caminho ou sua missão, mas uma vingança espera os criminosos que têm nas mãos seu sangue e o sangue de outros mártires”. Nos funerais em comento, o saldo foi trágico: mais de 50 fanáticos mortos e mais de 200 feridos. Quer dizer, os simpatizantes do general assassinado por um míssil adotam a Lei de Talião - olho por olho, dente por dente. O ódio contra Donald Trump inclui em seus efeitos deletérios a todos que, em qualquer lugar do planeta, ousarem combater terrorista. Por outro lado, a esquerda mundial que condena Trump pela morte de Soleimani é a mesma que saudou efusivamente o Obama quando matou Bin Laden.

O Irã é dirigido por fanáticos religiosos. Contraditoriamente, em nome de Deus praticam vendeta. Ainda, no Irã as mulheres e gays são seres inferiores. Ser homossexual é crime. O povo é oprimido, os adversários são eliminados, a imprensa é censurada. Enfim, o país cultua a Lei de Talião (olho por olho, dente por dente), da qual nasceu, no século XVIII a. C., por obra do Rei Hamurabi, da Mesopotâmia, o Código de Hamurabi, segundo o qual o agressor era punido em igual medida do sofrimento causado. Se causava a perda de uma mão, a mão do agressor era amputada; se causava a morte, o autor pagava com a própria vida. Sobre adultério, o art. 129: “Se a esposa de alguém for surpreendida em flagrante com outro homem, ambos devem ser amarrados e jogados dentro d’água ...”. Ora, lançar os adúlteros amarrados no rio significava morte sem chance de defesa. Imaginemos o Rio Uruguai, em plena cheia, recebendo casais adúlteros. Seria transformado em um grande cemitério. Ou não? 

O Brasil preza a justiça e condena a vingança. Isso é um marco civilizatório. No entanto, no campo prático nem sempre é fácil separar quem postula justiça de quem quer vingança, por ser decisão íntima. Quando acontece um evento carregado de comoção, lê-se - nas faixas/cartazes ostentados
por quem protesta contra a impunidade - queremos justiça. Ora, estariam clamando por justiça ou vingança? Bem, há uma linha tênue que separa os dois sentimentos: a Justiça, definida pela qualidade de ser imparcial; a vingança, definida pela punição infligida em retaliação a uma lesão ou ofensa. A justiça age sob um princípio humanístico; a vingança age sob um sentimento destrutivo.

O presidente dos Estados Unidos, nessa quase guerra com o Irã, já é vencedor. Ao comandar a operação que matou Soleimani, mexeu com o patriotismo dos norte-americanos. Com isso, aumentou seu cacife eleitoral à reeleição. Já militavam em seu favor o avanço econômico e o pleno emprego do país em seu governo. Agora, a esses dois fatores soma-se o sentimento de
nacionalidade. Trump está com uma mão na faixa presidencial. Só o processo de impeachment - que responde - poderá afastá-lo de mais um mandato presidencial.

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