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A classe média em alerta

Publicado em 14/11/2020 18h55 - Atualizado há 2 meses - de leitura

Não fomos apenas nós, brasileiros, que acompanhamos com interesse as eleições nos EUA. O mundo todo fez isso. Afinal, o que acontece lá repercute aqui. Até aí, nada de novo. Mas tem outro aspecto.

Por aqui, Jair Bolsonaro sempre disse que Trump é seu ídolo e modelo a ser seguido. Mas o mundo civilizado nunca engoliu Donald Trump. Arrogante, fanfarrão, mal-educado, desrespeitoso com a ciência e com os organismos internacionais. Foi um líder tóxico que trouxe problemas sérios aos próprios norte-americanos.

Com sua saída, a sensação que ficou é que a civilização venceu.

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A nossa classe média anda com uma pulga atrás da orelha. Não sabe exatamente o que está acontecendo, mas desconfia que está sendo expulsa do paraíso, e, como Adão e Eva, caindo numa realidade dura e cruel.

O problema é que tudo mudou. Aposentados veem seus proventos sendo reduzidos, e a geração mais nova percebe que não vai se aposentar. Ou vai conseguir apenas migalhas. Os empregos estão escassos, a inflação voltou e, para os que mantêm empregos, o poder de compra está caindo. A onda neoliberal e de direita, que ocupou espaços importantes na última década em diversos países, está arrasando com os planos da classe média. Como bem sabemos, a doutrina econômica neoliberal (essa mesma do governo de Bolsonaro) prega salários menores, concentração da renda em poucas mãos e ataca o capitalismo liberal que alicerça as sociedades ocidentais.

Pesquisa divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo no último dia 5/11, mostra que 35% das famílias da classe média já dispensaram babás e diaristas. 53% já cortaram itens como plano de saúde e escola particular. 64% estão com alguma conta em atraso.

E, como se não bastasse, a notícia da semana é a seguinte. O Brasil, que já foi a 6ª economia do mundo, caiu para 12ª colocação, e pode descer mais. A classe média desconfia que não haverá futuro...

Isto tem relação com a pandemia, mas o quadro já estava se agravando bem antes dela, com compressão salarial, perda de direitos, encolhimento da economia e o encarecimento dos produtos básicos. O que vemos agora é que as famílias estão num processo de ajuste da renda familiar, com cortes em produtos e serviços tidos como “supérfluos” ou “adiáveis”. Uma tarefa difícil e dolorosa para quem sonha com o mundo do consumo.

Talvez o consolo seja consumir os produtos chineses, indianos e coreanos encontrados nas lojas Havan. Mas o sonho de parecer rico está sendo sepultado.

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Mudando de assunto. Há três anos a Secretaria Estadual da Agricultura vem acompanhando um fenômeno muito ruim em todo o Estado. É que se chama de “deriva”. Um veneno é aplicado numa lavoura e acaba causando prejuízo em outras. Ou seja, o veneno “viaja” de uma plantação para outras, quilômetros de distância.

Nas análises já divulgadas, o herbicida “2,4-D”, aplicado na soja, está causando prejuízos na uva, oliveira, ameixa e tabaco (é o primeiro levantamento). Para os produtores de vinho, a situação já é considerada “grave”.

Há normas técnicas que poucos cumprem, dizem os pesquisadores da Secretaria. O monitoramento deve continuar, e os danos econômicos estão sendo levantados. As entidades que representam os produtores, como a Farsul, também acompanham o fenômeno com preocupação. Afinal, é uma questão de saúde somada a prejuízos econômicos evidentes. Não é pouca coisa.

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