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A evolução criou a mulher

Publicado em 16/03/2021 16h40 - Atualizado há um mês - de leitura

A semana é dedicada à mulher, e por isto o título acima foi escolhido de propósito, pois ele é o título de um artigo científico importante publicado pelo paleontólogo francês Pascal Picq, amplamente divulgado pela BBC, de Londres. No estudo, foram analisadas diversas espécies de animais “parentes” do ser humano, e a conclusão é surpreendente.

Entre todas as espécies pesquisadas, o homem é o primata mais violento em relação à sua fêmea. Ou seja, a violência contra a mulher não se repete em outras espécies, pelo menos não com a força e a agressividade que conhecemos. Nas outras espécies, por exemplo, não há casos de assassinatos de fêmeas.

Temos, pois, uma pergunta a ser respondida. A violência de gênero é genética ou é cultural? O próprio francês responde: a violência contra as mulheres é principalmente uma questão cultural e social. Não tem nada a ver com genética, pois homem e mulher são o resultado da mesma evolução da espécie.

Um exemplo atual é a Espanha. Lá, a violência contra a mulher era muito grande 20 anos atrás. Campanhas públicas e novas leis provocaram uma mudança rápida e hoje os casos de violência são raros. Isso significa dizer que não se trata de questão genética, e sim de comportamento culturalmente aceito.

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Em muitos países é comum ver mulheres no alto comando de empresas ou da política. Cito algumas: Ângela Merkel, Úrsula Van Der Leyen (presidente da Comissão Europeia), Erna Soldberg (primeira-ministra da Noruega) e Mette Frederiksen (primeira-ministra da Dinamarca), Tsai Ing-wen (presidente de Taiwan). Aqui mais perto temos Cristina Kirchner, Marta Lúcia Ramirez (vice na Colômbia), Rosário Murillo (vice da Nicarágua), Michele Bachelet e tantas outras.

No Brasil, porém, estas lideranças são uma raridade. A presença feminina é sufocada, pois aqui o machismo é a tônica. As reações violentas e misóginas contra lideranças femininas são vistas com naturalidade por estas bandas. É só lembrar o que aconteceu com a presidente Dilma e, mais recentemente, com as ofensas obscenas dirigidas a Manuela Dávila, candidata à prefeitura de Porto Alegre. Recentemente, uma vereadora negra sofreu ameaças de morte em Curitiba. Se for mulher e negra, o caldo engrossa. Nem vou falar de Marielle Franco! Numa nação civilizada, tais agressões seriam motivo de vergonha nacional e seus autores seriam punidos.  

Essa agressividade rude e imoral é um dos grandes obstáculos à plena participação feminina. Eu diria que é o grande obstáculo para a democracia e para uma sociedade melhor. O machismo, por não ter solidez de argumentos, procura garantir seu espaço mediante a agressão. Não só a agressão verbal, mas também a violência física. O objetivo é reproduzir o que já conhecemos muito bem: a invisibilidade da mulher. As discriminações são persistentes porque a cultura aceita a violência. Nós a toleramos e fingimos não ver.

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A estatística no Brasil é humilhante. Um estupro a cada 11 minutos; 1 mulher assassinada a cada 2 horas; 503 mulheres vítimas de agressão física a cada hora.

Isso é civilização?

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A propósito, volta e meia ouço manifestações contra uma coisa chamada “ideologia de gênero”. Alguém acredita mesmo que exista tal “ideologia de gênero”? Não, isso não existe! Chamam de “ideologia” o simples debate sobre a igualdade entre homens e mulheres, sobre respeito aos direitos de todos os humanos. O que eles querem é desqualificar este debate tão importante. Participar deste processo de conscientização é um dever de todos nós.   Ideologia é outra coisa, muito diferente.

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