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Beijos gravados

Publicado em 14/02/2020 10h22 - Atualizado há 2 meses - de leitura

Os sociólogos têm um pensamento comum, atualmente. Todos afirmam que a privacidade está acabando, ou já acabou. E mostram  números. Na China já existem 200 milhões de câmeras de vigilância em locais públicos. Dizem que no Brasil também já são milhões. Isso
sem falar nas câmeras privadas, nas residências e empresas. E também os smartphones, que registram a nossa localização. A última novidade são as câmeras de reconhecimento facial, praticamente infalíveis. Alguém que circule e trabalhe no centro de São Paulo, por
exemplo, pode assistir toda a sua rotina do dia antes de ir dormir. É só querer. Sua vida está devidamente gravada.

Isso tudo tem a ver com o grande medo da humanidade, a segurança. Temos medo de tudo e de todos, e a mídia adora manipular esse nosso sentimento. Não é de graça que a TV, diariamente, faz escorrer sangue diante dos nossos olhos. O medo, pois, só aumenta. 

O problema é o que fazem com nossas imagens. E o que podemos fazer (ou já não podemos) com a nossa vida privada, com a nossa vida íntima. Será que o medo da insegurança justifica a perda da privacidade? Será que não estamos entregando a nossa vida de “mão beijada” para o aparelho repressor do Estado? Será que já perdemos o nosso direito de viver a vida incólumes e reservados? Eis a questão. Eis as questões...
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Nos estádios dos EUA é moda a tal “câmera do beijo”, que filma casais trocando beijos e afagos nas arquibancadas. Todo mundo acha aquilo muito engraçadinho. Consta que a empresa responsável quer fazer o mesmo aqui no Brasil, e já tem patrocinadores. Ou seja, o teu beijo vai render grana preta para alguém...
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O caso mais emblemático, e bem recente, é o do Eduardo, torcedor do Guayaquil, da Colômbia, que trocava beijos apaixonados num estádio de futebol e as câmeras da TV mostraram para o mundo inteiro. O problema é que a mulher apaixonada ao seu lado não era a mesma que consta a certidão de casamento. Esta última estava em casa, tranquilamente jogada no sofá e assistindo TV. O que ela assistia? Exatamente o mesmo jogo de futebol, para azar do Eduardo.

Fico imaginando que o Eduardo tentou salvar seu casamento com alguma estratégia, alguma explicação no mínimo razoável para aquela cena “caliente”:

— Amor, aquilo que a TV mostrou foi apenas um grande mal-entendido...
— Ah, é? Então me diga qual foi o placar do jogo.
— Que jogo?
Bom, certamente esta conversa não deve ter funcionado. Mas o Eduardo certamente tinha outra estratégia, outra explicação.
— Benzinho, eu juro! Aquela mulher é louca! Agarrou-me pelos cabelos e me olhou fixamente. Depois, tascou-me um beijo do qual eu não consegui me livrar...
— Sete vezes?
Esta conversa também não deve ter funcionado, obviamente...
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Não sei qual o desenlace desta história. Não sei se o Eduardo conseguiu salvar seu casamento. Aliás, não sei se salvar o casamento era o que ele realmente desejava. Mas consta que nestas últimas rodadas do campeonato o Eduardo tem aparecido no meio da geral, e não nas arquibancadas. Ele sabe que na geral há mais chances de ele receber uma bofetada do que um beijo. Um hematoma causaria menos problemas...

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