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Cálculo interessante

Publicado em 14/02/2020 10h24 - Atualizado há 2 meses - de leitura

Fui desafiado para uma brincadeira envolvendo um cálculo matemáticofinanceiro bem singelo e hipotético. Imaginemos que, por alguma razão, no início do ano passado (2019) você tinha em mãos R$ 50.000,00. Em “cash”, bem entendido. Você tinha duas opções: guardar a grana ou investir em algum bem de consumo.

Na primeira opção, deixa o dinheiro na poupança, mesmo sabendo que ela já não cobre a inflação. Vamos esquecer o índice inflacionário oficial, muito suspeito. Considerando apenas o rendimento da poupança, ao final do ano seu capital seria de R$ 51.979 (vamos deixar de lado os centavos).

Mas, na segunda possibilidade, você decide comprar um automóvel usando aqueles R$ 50.000. Afinal, um automóvel de passeio é um bem de consumo que nos dá mobilidade e prazer.

Mas há uma particularidade. Um automóvel dá despesas.
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Inicialmente você pagou o IPVA de 3% (1.500), o licenciamento (R$ 102) e o DPVAT (R$ 10). A seguir, o seguro, com algumas proteções contratadas, custou R$ 1.500. Agora você já está pronto para rodar alegre e faceiro por aí.

Um veículo de passeio roda, em média, 10.000 quilômetros por ano. Considerando a gasolina nas alturas, você gastou em 2019 cerca de R$ 3.850 (média de 12 km/litro). Vamos acrescentar uma troca de óleo (algo em torno de R$ 250), mais R$ 300 em estacionamento, e ainda R$ 250 para troca de apenas um pneu. Veja que estou usando valores bem modestos.

Se você é um motorista caprichoso, duas vezes ao mês leva seu carro para lavar, o que dá um gasto anual de R$ 840. Ao longo do ano certamente também acontecem pequenos arranhões, não cobertos pela franquia do seguro. Por isso, você levou o carro à oficina duas vezes para estes pequenos reparos e gastou R$ 600.

Há, ainda, uma “despesa” que geralmente esquecemos. É a depreciação do veículo. Ao sair da loja, ele perde valor rapidamente. Segundo os entendidos, incluindo a FIPE, um carro novo deprecia 20% ao ano (em média, é claro). No seu caso, ao final de 2019 o amado carrinho teria perdido R$ 10.000 no seu valor de mercado.

Trocando em miúdos, neste caso seu patrimônio, ao final de 2019, seria de R$ 30.798, uma redução nominal de R$ 19.202. Você tem o carro, claro, mas ao longo do ano você teria perdido R$ 10.000 na depreciação e R$ 9.202 nas demais despesas. Em relação ao valor da poupança, a diferença seria de R$ 21.181 (a menor).
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Mais uma hipótese. Lembremos que nos casos acima você tinha o dinheiro em mãos. Se não o tivesse, e a compra do veículo ocorresse mediante financiamento, provavelmente você já teria pago, ao final do ano, juros de R$ 18.000, num empréstimo com taxa de 3% ao mês, capitalizáveis, mais taxas de contratação (digamos R$ 200).

Nessa hipótese, o valor recebido do banco para a compra do carro (R$ 50.000) — que era seu patrimônio inicial —, estaria reduzido a R$ 12.598. Você ainda tem o carro (valor aproximado de R$ 40.000), mas já teve uma perda de R$ 37.402 (depreciação + despesas + encargos financeiros) e ainda deve o capital da dívida propriamente dito.
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Tudo isso no primeiro ano. Você deve estar se perguntando qual o sentido da brincadeira. Ninguém sabe. Mas esses números, se não assustam, pelo menos servem para uma reflexão acerca das nossas escolhas financeiras nesses tempos de vacas magras.

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